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O Tabuleiro

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  • 23-11-2017 | 09:16h

CANDIDATO SURDO TEM APARELHO RETIRADO POR FISCAIS DURANTE O ENEM

Apesar de o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano ter chamado atenção para a inclusão das pessoas com deficiência auditiva, com uma proposta sobre "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", os fiscais de um local de prova na cidade de Santa Barbara D'Oeste, em São Paulo, obrigaram um candidato de 17 anos a retirar seu aparelho auditivo durante a realização do exame.

No comprovante de inscrição do rapaz, constava que ele é surdo, mas, ainda assim, ele foi obrigado a sair da sala, passar pelo detector de metais e ficar sem o aparelho usado no ouvido direito.

O pai do estudante, Lourival Francisco Ribeiro, registrou um boletim de ocorrência em uma delegacia da cidade no mesmo dia. — Meu filho estava fazendo o Enem no domingo, quando, umas 15h, os fiscais pediram para ele se levantar, passar pelo detector de metais, retirar o aparelho e colocar num saquinho plástico.

Não devolveram mais e ele teve que terminar a prova assim — conta o pai, acrescentando que um episódio desse tipo nunca havia acontecido na vida escolar do filho, que estuda em colégio público. — É um trauma que ele vai levar para sempre, não vai esquecer. CONFUSÃO COM PONTO ELETRÔNICO Ribeiro afirma que, segundo relato do filho, os fiscais da Faculdade Anhanguera, onde ele realizava o exame, acharam que o aparelho auditivo seria um ponto eletrônico para possibilitar cola.O menino tem surdez severa nos dois ouvidos, mas, enquanto o esquerdo não dá qualquer resposta a aparelhos tradicionais, o ouvido direito é capaz de ouvir com a ajuda do dispositivo.

Na época em que foi comprado, custou R$ 6,4 mil — com desconto —, lembra o pai. Mas, depois do episódio durante a prova do Enem, o aparelho não funciona mais. — Não sei o que fizeram com ele, mas está quebrado. E, sem o aparelho, nem tem como mandar meu filho para fazer o segundo dia de prova do Enem — lamenta Ribeiro. 

O pai conta que, apesar do boletim de ocorrência, não houve até o momento qualquer retorno do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia federal que organiza o Enem. Procurado o Inep afirmou que ainda investiga o que ocorreu nesse local de prova.

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