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O Tabuleiro

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  • 18-12-2017 | 06:50h

PESQUISA MOSTRA QUE 26% DOS PEDIATRAS SOFREM ATOS DE VIOLÊNCIA NO TRABALHO

  • Notícias Atuais

Dois em cada dez pediatras no Brasil têm sido submetidos frequentemente a atos de violência em seu ambiente de trabalho. O dado está presente em uma pesquisa elaborada pelo Instituto Datafolha, sob encomenda da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que captou, em janeiro, a percepção de 1.211 pediatras de todos os estados. O resultado foi apresentado hoje (11), no 38º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Fortaleza.

Em estruturas da rede pública de saúde, a incidência de tais casos aproxima-se de  30%, atingindo 26% do universo de médicos dessa especialidade. Em hospitais e consultórios privados, o indicador é de 12%. Outra revelação do levantamento é que 53% dos profissionais dividem o tempo entre expedientes das duas esferas.

Para a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, a lastimável situação é uma realidade que não fica restrita somente aos pediatras brasileiros, constituindo-se na vida da maioria dos médicos. Para que esse quadro seja desenredado, ela diz que os órgãos representativos da categoria precisam se mobilizar.

"Nós vemos que a sociedade se encontra em um momento delicado, porque a violência começa a fazer parte de nossos dias. A situação de trabalho também é muito estressante para os médicos e, além disso, há um volume muito grande de pacientes. Há vários fatores na determinação dessa violência", afirma Luciana. A médica destaca que as mulheres pediatras estão, "como sempre", mais vulneráveis.

Os números corroboram a opinião de Luciana, já que, enquanto 17% dos pediatras consultados declaram enfrentar agressões, 24% das profissionais mulheres sofrem com isso. Quando consideradas ocorrências dos últimos 12 meses anteriores à entrevista, a percentagem de mulheres atacadas sobe para 26%. Além disso, o nível de estresse ocasionado pelas condições de trabalho é o maior registrado entre as médicas nos últimos cinco anos: 66%. 

O presidente da Sociedade Espírito-Santense de Pediatria, Rodrigo Aboudib, lembra um feminicídio ocorrido em 14 de setembro, em Vitória, que deixou a comunidade da capital consternada. A médica oncologista pediátrica Milena Gottardi foi morta com três tiros na cabeça, quando saía do Hospital Universitário Cassiano Antonio de Moraes. Seu companheiro é suspeito de ser o mandante do crime. "Chama a atenção o fato de ser assassinada no ambiente de trabalho, porque a falta de iluminação e de segurança propiciou que fosse o local escolhido para a execução", destaca Aboudib.

"A violência contra médicos aumentou muito, especialmente nos pronto-atendimentos, onde as pessoas buscam ser socorridas rapidamente. A falta de condição de trabalho e o exacerbamento da carga de trabalho acabam provocando reações impensadas", acrescenta.

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