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O Tabuleiro

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  • 20-10-2017 | 02:59h

A Parabóla do Mordomo

A Parabóla do Mordomo

Quem gostaria de arrumar uma casa para outro sujar? Quem é que gosta de forrar a cama para outro bagunçar? Você se sentiria confortável sendo tratado como dono de uma casa quando na verdade você é apenas o mordomo? Você criaria projetos estruturantes e ideias executáveis sabendo que a qualquer momento você teria que interrompê-los? Como ser mais protagonista se as verdadeiras armas de suas ações estão trancadas no armário? Não é melhor cuidar dos tapetes, dos pratos e copos limpos, já que você não sabe a hora que o dono vai chegar do que criar projetos que outros podem ou não executar?

Depois de uma longa carta de apresentação, com experiências e reconhecimento, o que o mordomo ainda precisa provar? Por que ele precisa se cercar de um grupo, de um segmento, para justificar sua permanência na casa? Um bom administrador, um bom gestor, técnico e qualificado não pode florescer sem indicação partidária? Por que tudo precisa ser re-partido? Não seria simples atender as demandas sendo técnico? Não seria mais eficiente receber e ajudar?

Estes questionamentos sempre permeiam quem prima pela gestão técnica. É difícil engolir o fator político. O fator político partidário, porque o fator político de relações é perfeitamente compreensível e possível. Para fazer a política da boa vizinhança, um vizinho precisa, antes de tudo, ouvir e esperar o momento certo de agir. Afinal, as relações culturais são construídas assim, no diálogo, no encontro, no debate.

Quantas camadas são necessárias para selar uma confiança? Uma camada de franqueza? Outra de disponibilidade? Ou apenas uma camada de solicitude? Mais consistência, com efeitos memoráveis e imagens indeléveis? Uma camada de influência pode solidificar uma confiança? Vão despedir o mordomo pelo telefone, pelo emissário, pelo whatsApp, por e-mail ou vão sentar com ele e dizer: “Agora é com você!”

O mordomo senta à varanda, ouve os ventos, sente a brisa e as conversas que chegam ao sabor do senadinho. Aguarda, pacientemente o dono da casa. E espera, assim como o fez para contratá-lo, que o chame para assegurá-lo ou despedi-lo. Nada mais sublime (ou cruel!). Enquanto isso, a casa funciona, a passos lentos, sem pressa, como o próprio tempo, um tempo de uma gestação que ninguém reclama porque acredita (?) que o mordomo será o protagonista de um tempo que pode não existir ou ser pai de um filho que está para nascer.

*Pawlo Cidade é escritor e ativista cultural. E-mail pawlocidade@msn.com.

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