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O Tabuleiro

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  • 18-02-2018 | 23:23h

A visão do Gestor de Cultura

A visão do Gestor de Cultura

Não sei se posso externar a célebre frase de um político bastante conhecido ao afirmar que “pela primeira vez na história” Ilhéus terá um secretário que, efetivamente, foi preparado para a função, mesmo porque existe outras pastas e outros técnicos igualmente qualificados e preparados para a missão que assumiram. Entretanto, na história do movimento cultural de Ilhéus, sobretudo à frente do órgão máximo da cultura, no período de 1997 a 2013, quando ele era chamado de Fundação Cultural de Ilhéus, alguns dos gestores que passaram pela Fundaci, poucos, muito poucos, de fato, estavam ligados à comunidade cultural.

O gestor cultural precisa falar a mesma língua, conhecer os problemas e as dificuldades da produção cultural local. O cargo de gestor deve ser técnico e ele deve possuir habilidades políticas. Qualificação e experiência são condições indispensáveis. Sem bajulação ou lisonjeio deve gozar do apoio do prefeito e convencer os companheiros de governo que a Cultura é transversal. Para isso terá que saber articular as demais esferas do governo como um programa conjunto. Seu plano de ações deve prever atividades que estimulem o pertencimento junto à comunidade. Porém, isso só será possível se ele estiver em constante diálogo com ela. Tem que definir logo no início do seu mandato qual o conceito de Cultura que irá trabalhar e mapear toda a comunidade cultural. Na sua sala tem um mapa onde ele pode traçar sua ação, metas e objetivos já alcançados, identificando grupos, instituições e coletivos no Município.

Quando pensar em programas e projetos que democratizem o acesso aos bens culturais precisa pensar primeiro na democracia cultural, rever o conceito de produção cultural, e aqui abre-se um parágrafo para um questionamento polêmico: O Município deve exercer a função de produtor cultural? Uma corrente de pensadores é contra, pois afirma que a produção deve ficar a cargo dos fazedores de cultura. O Estado e/ou Município precisa fomentar, criar oportunidades e condições para que os verdadeiros promotores de eventos desenvolvam seus projetos.

No seu planejamento estratégico não pode faltar programas de formação e capacitação dos artistas e técnicos. Deve criar objetivo e metas que possam ser alcançados. Não pode trabalhar de forma empírica e ao sabor do vento, do vento do orçamento, do aval do prefeito, da boa vontade da secretaria da fazenda. Se há planejamento financeiro, há disponibilidade orçamentária. Os imprevistos podem ser sanados com os parceiros locais. E, os parceiros não podem ser apoiadores de ocasião, nem amigos afins, mas conectores que acreditam no processo de transformação através da Cultura. Seu principal foco deve ser a re-territorialização.

Deve promover a participação efetiva dos artistas e manifestações culturais locais em grandes datas comemorativas, a exemplo do Carnaval, São João, Réveillon, aniversário da Cidade, dando-lhes condições dignas com camarins próprios, cachês justos e tratamento semelhante ou melhor do que os artistas visitantes. A sua visão gerencial deve afastar, pelo menos, três classificações: A convergente – quando o gestor não consegue enxergar que o Conselho de Cultura pode ser um aliado poderoso na sua gestão. Deste modo, todas as suas atitudes são voltadas para dentro de si mesmo; a divergente – quando o gestor radicaliza suas decisões e se fecha no seu protagonismo cultural onde só ele é capaz de promover uma determinada ação e a vertical - quando o gestor planeja sem ouvir as pessoas mais interessadas no Plano de Ação do órgão máximo da cultura: os artistas e os movimentos culturais.

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Pawlo Cidade é escritor e ativista cultural. E-mail [email protected]

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