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O Tabuleiro

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  • 18-12-2017 | 07:02h

Entre a rua do metrô e o quase dilúvio

Entre a rua do metrô e o quase dilúvio

Outro dia parei no posto de gasolina e ouvi a frentista gritar: “Me encontre na rua do Metrô!” De súbito, a única rua do Metrô que me veio à cabeça naquele instante foi a da Barra Funda, em São Paulo, onde está também o Estádio Palestra Itália e o Memorial da América Latina. Não tinha ouvido falar ainda que Ilhéus tivesse metrô. Talvez fosse até uma profecia da jovem atendente, mas, qual profecia qual nada! Ela se referia mesmo a uma rua no bairro do Iguape que a turma conhece como Rua do Metrô. Qualquer dia desses vou na Rua do Metrô para saber porque ela se chama “Rua do Metrô”. Caso algum morador saiba o significado sou todo ouvido ou se desejar, escreve pra mim.

Mas hoje não vou falar de nome de rua. Quero falar da chuva. Não desta chuva que vem caindo na cidade desde domingo. Foi meu avô que contou daquele caso do tufão que fez Ilhéus quase desaparecer sob um dilúvio. João da Silva Campos, em Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus, relata o episódio: “Após alguns dias de calor infernal, começaram a desabar pesados aguaceiros, que se prolongaram por mais de uma semana, com insignificantes estiadas”.

A chuva batia nos telhados das casas como se fosse despedaçar tudo. Quando chegava à tardinha, o mau tempo dobrava de intensidade e a tempestade era inevitável. O vento zunia tal qual um tornado, derrubando árvores, destruindo praças, levando animais. Os trovões pareciam bombas, estourando sem parar nos quatro cantos da cidade. Rios transbordavam, o mar ficava mais hostil, crianças choravam de medo. Homenzarrões se escondiam embaixo da cama, atrás das portas, no escuro dos porões dos velhos casarões. Os poucos que se aventuravam para ir às compras diziam que choveria quarenta dias e quarenta noites. Estava decretado o fim de Ilhéus!

A antiga rua das Quintas, a Araújo Pinho, o Unhão – hoje Dois de Julho e sítios próximos, ficaram completamente inundados pelas águas. O povo não teve outra alternativa a não ser apelar pelas leis divinas. Saíram a clamar aos céus, em procissão de penitência, pedindo à Deus que fechasse as torneiras aladas.

E não é que o vendaval cessou e os rios pararam de encher? Esse fato realmente aconteceu em janeiro de 1914 e de lá até os dias de hoje, as chuvas que vêm caindo são apenas garoas diante do dilúvio que Ilhéus foi submetida.

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Pawlo Cidade é escritor e ativista cultural. E-mail [email protected]

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