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O Tabuleiro

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  • 18-12-2017 | 07:03h

Entrelinhas

Entrelinhas

  • 01
  • ★★★★★

Certa vez, meio-dia, sem um centavo no bolso, sentei na praça Rui Barbosa enquanto comia pão com mortadela. Fiquei quase uns vinte minutos pensando na morte da bezerra. De repente, chegou um amigo, de mãos abanando, e me pediu um pedaço do pão. Dividi com ele com maior prazer. Conversa vai, conversa vem, ele me contou que quando o coronel Misael Tavares estava vivo, se dava ao luxo de ter uma casa de verão e outra de inverno, ali mesmo, na praça, com a de inverno em frente a igreja da matriz e a de verão de frente para a praia da avenida, antes de ser chamada de Soares Lopes. Naquela época, a praia ficava a menos de cem metros de distância, hoje, passa dos quinhentos metros.

O coronel Misael da Silva Tavares tinha, de fato, a faca e o queijo na mão. Era um mandatário, um homem de posses que construiu o primeiro hotel do interior da Bahia com elevador. E ele está lá, do mesmo jeitinho que o coronel construiu, ao lado da avenida que hoje leva seu nome, de frente para a Baía do Pontal. O hotel, além de funcionar como hospedaria, abriga um espaço de memória que conta a trajetória do velho visionário, odiado por uns, amado por outros.

O certo é que se não fosse a visão deste empresário e de tantos outros intrépidos desbravadores desta capitania, Ilhéus teria ficado na vila, abandonada, com casas de palha e ruas de lama, entregue ao léu. Jorge Amado, no seu romance “Cacau”, conta outra história, recheada de ficção, inspirada no coronel. Ele dizia que não, mas a história lhe causou grande embaraço por estas bandas.

Misael, aparentemente, é apenas um pano de fundo do texto de hoje. Em alguns parágrafos usei expressões populares para exemplificar o sentimento e a as atitudes do meu amigo e da história do coronel. Se Jorge inventou “cobras e lagartos” do desbravador ou se as mãos abanando do meu amigo significavam outra coisa, não importa. As entrelinhas estão em toda parte, em qualquer lugar. Às vezes não conseguimos notar, sequer descobrir que o autor queria chamar a atenção para outra questão.

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Resposta de Fábio Galvão

Espetacular este espaço , Ponto de vista, criatividade, informação e entretenimento literário da melhor qualidade. Estão de parabéns o programa e Paulo Cidade.

★★★★★ Em 22-11-2017 às 09-27h Responder 5
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Pawlo Cidade é escritor e ativista cultural. E-mail [email protected]

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