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O Tabuleiro

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  • 20-04-2018 | 03:51h

Malhado

Malhado

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Malhado nasceu manso. Era desses bezerros que comia na mão, literalmente. Seu Eurico tinha ele como animal de estimação. Só faltava almoçar na mesa com o resto da família. Um dia, Malhado começou a ficar estranho. Passou a dar carreira nas pessoas. O fato é que quando os moleques saiam da escola resolviam cortar caminho pelo alto para ver a prainha lá de cima ou o local onde pousou o disco voador que rebatizou o lugar de Praia do Marciano. Eurico levava Malhado para pastar no morro, onde tinha uma gramínea macia que deixava o boi ruminando horas e horas.

No cair da tarde, Eurico chamava Malhado e ele vinha desembestado, como se entendesse o momento de voltar para casa. Era um boi manso, manso mesmo, até o dia que aqueles moleques resolveram abusar do boi. Primeiro começaram com pedras, depois com varas, por fim, não satisfeitos, puxaram o rabo de Malhado. A farda da escola era vermelha, uma cor que, segundo os mais velhos, a família dos ruminantes, sobretudo bois e vacas, detestam. Não é atoa que o toureiro usa uma capa vermelha para irritar o touro!

Lendas à parte, na verdade, o touro não se irrita com a cor vermelha, mesmo porque ele é daltônico, ou seja, não consegue distinguir a cor vermelha da verde ou amarela da azul, ele se irrita com os movimentos que o toureiro faz com a capa na cara dele. Assim, sempre que via os estudantes da farda vermelha, o chifre de Malhado ficava logo em pé, pois sabia que vinha perturbação à vista. A cor foi associada aos maus tratos dos estudantes com Malhado, coisa que seu Eurico só descobriu mais tarde quando soube que o boi dava carreira em todo mundo que passava pelo morro usando a cor vermelha.

O fato é que o atalho para a Barra de Itaipe, pelo Alto do Amparo, para sair no final da praia do Marciano ficou interrompido por muitos anos. Ninguém se atrevia a cruzar com Malhado. As pessoas e os estudantes criaram outras trilhas onde sempre montavam um parquezinho infantil, com aqueles barcos que a gente sentava um em frente ao outro e puxava para ele balançar. Ninguém quis mais ir cruzar o caminho de Malhado. A vila de pescadores, aos poucos ficou conhecida como a vila de Malhado. Com o tempo, ninguém mais chamava de vila, só de Malhado. E a vila virou um bairro, maior até do que muitas cidades do interior da Bahia. Até tentaram mudar o nome para Getúlio Vargas. Mas o povo preferiu Malhado. Malhado de Lucas, de Gilvan, Gilmar, Zé do Leite, Paixão; da antiga padaria Elite, do Valetão, da Central de Abastecimento, dos altos que o cercam: Amparo, Coqueiro, Tapera, Carvalho, Cacau. “Malhadinho de açúcar”, como dizia o saudoso Reizinho. Malhado de Marcelo, Carmosina centenária, Edilson, Méia, Arizon, Gildásio, Neide, Nizan, Adriana.

Malhado, da rua Uruguaiana, Avenida Uberlândia, ACM, Rua dos Cometas, Nossa Senhora das Graças, Severino Vieira, Visconde de Pedra Branca, Conselheiro Antônio Francisco Fernandes Badaró e tantas outras. O Malhado, com seus problemas, suas festas e alegrias sempre à sombra do Tamarineiro, que já virou patrimônio material dos malhadenses.

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★★★★★ Em 14-04-2018 às 13-42h Responder 5
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Pawlo Cidade
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Pawlo Cidade é escritor, ativista cultural e Secretário Municipal de Cultura de Ilhéus. E-mail [email protected]

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