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O Tabuleiro

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  • 17-08-2017 | 12:29h

Meus dias na Cultura estão contados

Meus dias na Cultura estão contados

Pawlo Cidade Meus dias na Cultura estão contados. Assim como todos os fios de cabelo da minha cabeça. “Faz-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil” (Sl 39:4). Por isso, cada dia, vivo-o como se fosse o último. Escrevo um último artigo, finalizo um último livro, dou um último beijo, abraço como se fosse a última vez.

Não dá para prever o futuro, mas podemos nos preparar para ele. Muitos confiam em cavalos, outros confiam em homens. Eu confio em Deus. “Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam” (Pv. 15:22). Por isso é bom ouvir mais e falar menos. Agir, na convicção de que vai ajudar. Agir, na certeza de que dias melhores virão. É por isso que a esperança não morre, ela se renova constantemente e vai se arvorando a cada dia nos corações que se abrem. “Eis que fizeste os meus dias como a palmos; o tempo da minha vida é como nada diante de ti; na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade” (Sl 39:5).

Há 29 anos ergui a bandeira da Cultura - através da arte - primeiro no Teatro e depois na Literatura. Foi ela, em suas mais profundas dimensões, sobretudo a antropológica, que me apontou caminhos, que me ensinou a ser mais humano, a pensar na coletividade, a aprender a não julgar, sem conhecer os dois lados da moeda. A arte me trouxe amigos. Muitos. Fiz amigos em toda a cadeia produtiva da arte. Fiz amigos em todos os segmentos culturais. Entretanto, só o talento e a criatividade não foram suficientes para guardá-los por décadas. É preciso caráter, personalidade, disciplina, respeito, compromisso.

Não tenho medo da inveja, dos podres poderes, dos lobos em pele de cordeiro, dos boateiros, dos que se reúnem nas esquinas, dos onze-letras. O mal por si só se destrói. Dizem que santo de casa não faz milagre. Comigo, este ditado nunca foi uma verdade. As portas sempre estiveram abertas onde pisei. Isto é fruto de trabalho, de conquista, de respeito. A minha força não se abateu no caminho. Também não desejo que meus dias sejam abreviados. Os meus dias não serão como a sombra que cai ou como a planta que vai secando. O meu Senhor não me levará na metade dos meus dias. Meus anos serão, como bem afirmastes o salmista “por todas as gerações”. Viva a Cultura. Viva a Arte.

*Pawlo Cidade é escritor e ativista cultural. E-mail:pawlocidade@msn.com

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