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O Tabuleiro

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  • 21-05-2018 | 17:58h

Os 130 anos de exclusão racial no Brasil

Os 130 anos de exclusão racial no Brasil

Art. 1°: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

Art. 2°: Revogam-se as disposições em contrário.”

Em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea foi sancionada com o texto acima. Simples, direto e objetivo para um tema e consequências complexas.

O Brasil foi o último país do ocidente a acabar com a escravidão, e ao fazer isso, nada foi feito para transformar o ex escravo em cidadão inserido social e economicamente.

O 14 de maio, dia seguinte a abolição, repercute e perpetua até hoje 130 anos depois. A abolição tornou-se uma constante. Ainda no final do século XIX, acreditava-se que o negro era o responsável pelo atraso do Brasil, por isso foi estimulado a imigração europeia para branquear o Brasil e torna-lo desenvolvido. Pura inocência!

Em 1930, Gilberto Freire ao escrever Casa Grande e Senzala, valorizou a mestiçagem e criou o conceito de democracia racial, defendendo que o Brasil era um país onde as raças conviviam de forma harmoniosa e pacífica. Essa teoria foi tudo que desejava a elite econômica e política, que permanecia excluindo e explorando o negro.

As favelas e mocambos tornaram-se os espaços dos ex-escravos e o estado, nada fazia para dar dignidade a essa parcela significativa da população.

Por não alterar as estruturas do país nestes 130 anos, a igualdade racial no Brasil ainda é um sonho. Mesmo sendo a maioria da população, pretos e pardos continuam excluídos social e economicamente.

Para quem acha que no Brasil não tem exclusão racial, é preciso que reflita sobre os seguintes dados: O negro ganha a metade do salário do branco. Enquanto a média salarial do negro é de $ 1.531, um branco recebe R$ 2.757. Apenas em 2089, brancos e negros terão uma renda equivalente no Brasil.

67% dos negros no Brasil estão incluídos na parcela dos que recebem até 1,5 salário mínimo. Entre os brancos, o índice fica em 45%

Dos 13 milhões de desempregados, 63% são pretos e pardos, ou seja, a cada três desempregados, dois são negros.

A população negra é também mais vulnerável à pobreza. Sete em cada 10 casas que recebem o benefício do Bolsa Família são chefiadas por negros.

feminicídio, isto é, o assassinato de mulheres por sua condição de gênero, também tem cor no Brasil: atinge principalmente as mulheres negras. O número de mulheres negras assassinadas cresceu 54%. As mulheres negras também são mais vitimadas pela violência doméstica: 58,68%, de acordo com informações do Ligue 180.

Homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no País. A população negra corresponde a 78% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios, de acordo com informações do Atlas da Violência 2017.

Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Jovens e negros do sexo masculino continuam sendo assassinados todos os anos como se vivessem em situação de guerra. Com 622 mil detentos, o Brasil abriga a quarta maior população prisional do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Rússia. Destes, mais da metade, 62% são pretos e pardos.

Segundo a universidade de Brasília, de todos os livros publicados no Brasil durante 50 anos, apenas 10% são de autores negros. 

Esses dados demonstram que o 14 de maio de 1888 ainda está presente. Não se deseja dividir o Brasil entre negros e não negros, mais unificar o país em um projeto de Nação onde se nivele por cima e não por baixo e que os privilegiados da república não se acentue e perpetuem.

Enquanto pensarmos que basta frequentar os mesmos espaços e conviver com outro é sinônimo de democracia e igualdade racial, a Lei Áurea continuará sendo apenas uma lei simples e distante, que serviu apenas para acabar com a Monarquia.

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Prof. Reinaldo Soares
Prof. Reinaldo Soares

Reinaldo Soares é Mestre em Cultura e Turismo pela UESC/UFBA, Ex- Presidente do Conselho Municipal de Educação de Ilhéus- Diretor do IBEC, Palestrante, Professor da Pós-Graduação da FACSA/IBEC e do Colégio Estadual Professora Horizontina Conceição.  E-mail: profreinaldosoares@hotmail.com

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