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O Tabuleiro

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  • 19-11-2017 | 22:12h

Os periquitos de Pedro

Os periquitos de Pedro

Eles viraram uma atração à parte. Chegam por volta das cinco da tarde e ficam por ali até anoitecer. Fazem isso todos os dias. É um escarcéu! Cagam tudo, brincam, brigam, namoram, pulam de um galho para outro. Estou falando dos periquitos-verdes ou periquito-rico como são conhecidas as aves que pousam na Praça Pedro Mattos, em frente ao Teatro Municipal, e nas amendoeiras da Praça Dom Eduardo, em frente à Catedral.

Basta olhar a cor básica das plumas, o peito e abdômen com um verde de tons amarelados para identificá-los de periquitos-verdes. A parte traseira da cabeça, a nuca, é de um verde levemente azulado. A base das asas é de um marrom oliváceo. O bico é amarronzado, mais claro no topo. A cauda é longa, com penas de cor verde-azuladas. O curioso é que eles vivem em casais, como os gansos, e, segundo algumas pesquisas, permanecem unidos por toda a vida, construindo seus ninhos em buracos nas árvores ou nas bainhas foliares das palmeiras, junto ao tronco.

Ficar embaixo das árvores quando eles chegam pode resultar em prejuízo. Afinal, quem quer ser batizado com os excrementos a esmo que caem sem avisar? Não sei se Pedro - o mesmo que leva o nome da praça - estivesse vivo iria gostar do barulho das aves. Certamente, soltaria uns três palavrões e tentaria espantar os bichos, caso fosse escolhido por eles para tingir a cabeça ou a camisa. Não que Pedro Mattos fosse um cara impaciente. Pelo contrário, a sua impetuosidade se dava pela espontaneidade. Pedro não tinha papas na língua e falava tudo que lhe vinha à boca. Esse negócio de pensar primeiro podia se tornar para o velho diretor de Teatro, uma oportunidade perdida.

Talvez fosse por isso que Pedro Mattos era admirado e odiado ao mesmo tempo. Com Pedro, a velha máxima “ame-o ou deixe-o” fazia sentido. Era bem capaz, se vivo estivesse, de sair no próximo carnaval vestido de periquito-verde, só para contrariar os ambientalistas ou homenagear as aves do fim de tarde da Praça do Teatro. Do Teatro, não! De Pedro. Era ali que ele tomava seu cafezinho, acendia seu cigarro, comentava as peças de teatro, ridicularizava o sistema e rabiscava sua coluna semanal para o jornal Agora.

Os mais novos que agora fazem Teatro talvez nunca tenham ouvido falar de Pedro Mattos. Mas, eu, Alfredo Amorim, Ana Virgínia Santiago, Fábio Lago, Tânia Barbosa, Romualdo Lisboa, Valdiná Guerra, Janete Lainha, Tereza Damásio, Telma Sá, Val Kakau, Andréa Bandeira certamente darão muitas gargalhadas se neste exato momento estiverem imaginando Pedro Mattos, vestido de periquito-verde ao lado de Nenéu Mendonça desfilando na Avenida, em pleno domingo de carnaval.

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Pawlo Cidade é escritor e ativista cultural. E-mail [email protected]

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