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O Tabuleiro

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  • 26-05-2018 | 14:54h

Os professores do IME

Os professores do IME

Os professores se reuniam nos horários dos intervalos, em cada um dos turnos, sempre às 10h00, às 16h20 e às 21h00 horas. A maioria dos professores tinha uma carga horária semanal de quarenta horas. Alguns acumulavam sessenta, e outros, até cem. A gente não conseguia entender como esta matemática era possível. Mas era verdade. Professores como Jamil, docente de Química; Wilma Mattos, de Filosofia, Galdino, de História; Genilton, de Geografia; os irmãos César e Zanardelli, Getúlio Vargas, todos de Matemática; Venância e Marília, de Geometria; José Vital e Ruth Colares, ambos de Biologia; Marileide e Ana Maria, de Língua Portuguesa e Redação, se desdobravam em dois ou mais turnos. A carga horária era penosa. Porém, não havia outro jeito de ganhar o suficiente para poder pagar as contas. Eles faziam jus ao merecido título de melhor corpo docente da cidade.

Estudar no IME não era uma conquista fácil, porque faltavam vagas. A procura era grande. Na época de matrícula, era preciso ter um amigo no legislativo ou até mesmo na Prefeitura para garantir uma vaga na escola. Se o aluno não tivesse um Q.I elevado, não entrava no IME. E não era preciso teste de admissão, porque ele já tinha sido abolido muitos anos antes. Mas, literalmente, um Q.I. - “Quem Indica”. Quem indica para uma vaga. Os pais faziam filas, dobrando o quarteirão no período de matrícula. Se não tivesse um bilhetinho do Q.I., só muito lero-lero para conseguir uma vaga.

Os professores tinham acabado de sair de uma greve, vitoriosos. Dez dias foram suficientes para demonstrar a união de toda a equipe docente, servindo de base para a formação do primeiro sindicato da categoria. O movimento foi liderado por Galdino, Wilma, Genilton, Zanardelli. Aqueles professores acreditavam que a educação podia transformar o mundo. E, por tabela, seus alunos.

Eles ensinavam e, de repente, aprendiam. Havia uma troca, e o discurso prevalecia sobre a força. E, por conseguinte, ampliava a relação professor e aluno. A construção de uma identidade, a formação do caráter e a ideia de que cada um podia ser livre e decidir o destino de sua vida, de sua cidade, de seu estado e de seu país incendiaram um dos maiores movimentos protagonizado por estudantes do Município, incentivado por um ex-seminarista, professor de História; uma intrépida docente de Filosofia; um geógrafo além de seu tempo e uma professora de desenho geométrico. Todos, acusados de sedição pelo poder executivo, foram sumariamente demitidos, sem chance de defesa. A comoção que tomou conta dos alunos mudou o quadro e desencadeou uma onda de protestos que eu prometo, um dia, contar aqui.

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Pawlo Cidade é escritor, ativista cultural e Secretário Municipal de Cultura de Ilhéus. E-mail [email protected]

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