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O Tabuleiro

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  • 21-02-2018 | 03:53h

“Pensar globalmente, agir localmente”

“Pensar globalmente, agir localmente”

Há uma máxima em ecologia que se consagrou na Conferência Mundial de Meio Ambiente, em 1992, no Rio de Janeiro – a Rio 92 - que diz: “Pensar globalmente, agir localmente”. Na Cultura, a valorização das culturas populares tradicionais, dos movimentos indígenas, do teatro, da música, da dança, entre tantos outros, se dá de maneira inversa. Isto porque o pensamento da grande maioria de quem assume a secretaria ou diretoria de cultura quando não tem nenhuma noção do que existe em seu Município traz sempre um “pacote” de ideias e projetos que acabam encontrando dificuldades em sua realização.

A política adotada é sempre – culturalmente - excludente, o ambiente hostil e predatório, transforma artistas em personas non gratas que nunca estão ali para somar. Exceto quando o prefeito vai inaugurar a reforma da biblioteca pública ou a reabertura do Centro Cultural, abandonado pelo governo anterior. A expressão “pensar globalmente” adquire uma outra conotação e a política aplicada é a de que “global” é quando vem alguma celebridade da emissora de TV mais assistida do país – a Rede Globo – ou quando é alguém distante e, nacionalmente conhecido.

“Agir localmente” parece-nos, em situações como esta, à primeira vista, uma assertiva distante. Há um cuidado, um zelo, excessivo e, ao mesmo tempo, nocivo, de selecionar os membros do Conselho de Cultura a dedo. Coopta-se este e aquele artista, esta ou aquela instituição. É preciso isolar o questionador, o problemático, o que sempre põe gosto ruim em tudo que a diretoria de cultura – ou secretaria – realiza. Sim, isso mesmo, re-a-li-za! Estas instâncias, em grande parte dos municípios brasileiros assumem a função de produtora de eventos. Para eles, artista não sabe fazer, sabe atrapalhar. A ideia pode até partir de um segmento, mas a execução precisa ser da diretoria – ou secretaria, senão, de que outro jeito eles vão mostrar serviço? Decorando o Clube Social para o sorteio de presentes do Dia das Mães? Contratando a Banda Marcial para saudar o prefeito de seu retorno de Brasília com mais verbas para a saúde e a educação? Por que não? Isto também é serviço. Isto também é Cultura.

“Agir localmente” requer um pensamento sistêmico e uma metodologia de trabalho que demanda ações de médio e longo prazos. Acostumados ao imediatismo do dia-a-dia de centenas de municípios de norte a sul do país, estes pseudogestores não estão preocupados em propor ações que exijam tempo e dedicação, esmero e paciência, erros e acertos. É preferível improvisar, executar a tempo de colecionar o maior número possível de atividades para que o relatório, no final de cada exercício anual de sua pasta, chegue ao chefe do poder executivo recheado de números e fotos.

“Agir localmente” é uma atitude descentralizadora, participativa, que deve adotar a promoção de independência e sustentabilidade, ensinando “a pescar”, a fazer com que os cidadãos da Cultura se organizem, se estruturem, se libertem do paternalismo público, permitindo-lhes o crescimento econômico, a adoção de ideias criativas e estratégias eficazes. Embora o profissionalismo e a institucionalização não sejam bem vistos pela massa hegemônica que ainda vê a Cultura como mero instrumento de entretenimento e lazer.

Ao combater o imediatismo, a valorização do supérfluo que a indústria cultural empurra goela abaixo, dos modismos e “globalizados” – não no sentido estrito da palavra mas no sentido pejorativo, já que a troca de experiências entre artistas locais e outros artistas de outras regiões é extremamente salutar - conseguiremos caminhar como propõe a Agenda 211 da Cultura. Afinal, “existem claras analogias políticas entre as questões culturais e ecológicas. Tanto a cultura como o meio ambiente são bens comuns da humanidade. ”

O que estamos esperando então para pensar globalmente e agir localmente? Um povo que valoriza sua terra, seus costumes, sua gente, suas tradições, é mais rico, mais legítimo, mais verdadeiro, mais feliz.

A Agenda 21 da cultura é o primeiro documento, com vocação mundial, que aposta por estabelecer as bases de um compromisso das cidades e dos governos locais para o desenvolvimento cultural. Aprovada no dia 8 de maio de 2004, em Barcelona, pelo IV Fórum de Autoridades Locais pela Inclusão Social de Porto Alegre, no marco do primeiro Fórum Universal das Culturas.

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Pawlo Cidade é escritor e ativista cultural. E-mail [email protected]

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