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O Tabuleiro

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  • 16-12-2017 | 22:22h

Se esta rua fosse minha

Se esta rua fosse minha

Meu avô contava que quando era menino ele passava longe do Beco das Borboletas. Quando adolescente até ousou pernoitar por aquelas bandas sem que sua mãe soubesse. Mas o que ele mesmo gostava de fazer era tirar goiaba no Buraco da Gia com a turma que morava perto da Ilha das Cobras que tinha primos mais que traquinos na Pimenta de Baixo, inimigos mortais dos garotos da Pimenta de Cima.

Certa vez lhe contaram que havia um túnel secreto que começava no Convento das Freiras e saía no Morro do Urubu por onde padres e fugitivos, protegidos pela irmandade, escapavam na maré baixa. Ninguém nunca viu, mas sempre se acreditou. Era mais um caso como o da Fonte da Cruz onde aparecia uma mulher de branco em noite de lua cheia.

“Larga de mentira, Benedito! Vai contar seus casos pro povo da Bela Visão!” – Berrava minha avó Anita quando o vovô contava suas histórias.

“Mas se eu vi mesmo a mulher de branco, Anita. Igualzinha a mulher de sete metros que eu vi na Rua dos Portões. Corri igual um condenado até a Rua das Quintas e fui parar no Morro do Urubu de tanto medo!” – Replicava o velho Bené.

As histórias começavam no Subaco da Cachorra e terminavam no Tabuleiro da Baiana. Beco das Borboletas, Buraco da Gia, Ilha das Cobras, Pimenta de Baixo, Pimenta de Cima, Morro do Urubu, Fonte da Cruz, Bela Visão, Rua dos Portões, Rua das Quintas. Todas localidades de Ilhéus que, ao longo dos anos, ganharam novos nomes e suas raízes, aos poucos, vão se apagando de nossa história. Se não fossem as pesquisas de José Nazal, Alfredo Amorim, Raymundo Sá Barreto Neto e tantos outros intrépidos historiadores desta capitania talvez eu não estivesse aqui falando sobre isso.

Pois bem: Subaco da Cachorra é hoje a Rua David Maia, no Pontal; Tabuleiro da Baiana é o Alto Nerival, na Barra; Beco das Borboletas é a Ernesto Sá, atrás do Teatro Municipal; Buraco da Gia é a atual Avenida Belmonte; Ilha das Cobras é hoje a extinta Praça Cairú; Pimenta de Baixo é a Rua Ana Nery em direção ao terminal Urbano; Pimenta de Cima é Vereador José Adry, paralela à Pimenta de Baixo. Já o Morro do Urubu ficava onde hoje é o Iate Clube, na Cidade Nova; a Fonte da Cruz é a Rua Cristiano Selmann, em frente ao IME, na Avenida Canavieiras. A Bela Visão virou a Avenida Brasil, no Alto da Conquista e Rua dos Portões é a Rua General Câmara, em frente a Barrakitica que vai terminar onde começa a Rua das Quintas conhecida hoje como Rua Dom Valfredo Tepe, onde está localizada a Cúria Diocesana.

Bem, eu poderia até falar de um lobisomem que viram no Beco do Mijo, onde hoje é a Rua Afonso de Carvalho ou da história do Homem de Asas que apareceu no Banco da Vitória e a tia da minha mãe disse que viu meia noite no Beco do Sapo, atual Rua Visconde de Ouro Preto. Para não continuar confundindo ficção com realidade termino minha coluna de hoje mandando um abraço para meus amigos da Gomeira, que era melhor continuar sendo chamada assim do que ter nome de político. Bem, prefiro continuar chamando a Avenida Amilton Ignácio de Castro de Rua da Linha e cortar caminho pelo Canecão!

*Pawlo Cidade é escritor e ativista cultural. E-mail [email protected]


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