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O Tabuleiro

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  • 27-05-2018 | 18:38h

Taboqueiro, baforenho, macuqueiro

Taboqueiro, baforenho, macuqueiro

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De Cachoeira do Pau até Ilhéus, se fizéssemos o mesmo trajeto pela BR 101 e depois pela BA 262 seriam 23 léguas. De burro, era um dia inteirinho até chegar em Ilhéus. De trem, era muito mais rápido, mas meu bisavô gostava mesmo era de ir de burro e gastava muito mais que isso. Sem pressa, apreciando os rios, as travessias, o cacau, a mata, os pássaros, uma ou outra onça que, raramente, apontava no caminho.

Parar para descansar só em Itapira,  onde fazia uma merenda e esticava as pernas. Depois que atravessava o rio até Poeri, seguia a estrada, por dentro, em direção ao Arraial do Baforé, depois voltava para Água Preta e dormia em Pirangy. Pela manhã, antes mesmo dos primeiros raios de sol tocarem a copa das árvores, partia na direção de Guaracy, cruzava Pouso Alegre e ia almoçar, quase duas da tarde em Morro Redondo. De lá, voltava para o sul em direção à Palestina onde se contava que ele mantinha uma família. Chegava quase dez da noite na Palestina, dormia, e no dia seguinte saía com destino a Tabocas para encontrar o compadre Jesuíno para descerem juntos para Ilhéus. Quando queria fazer um trajeto diferente e Jesuíno ficava na roça, descia na direção do Rio Santana para dar uma passada na feira de Macuco, onde valia a pena comprar uns quilos de farinha e levar na viagem.

Em Ilhéus, visitava a fazenda do Coronel Basílio, pernoitava, no dia seguinte ia no centro, a casa de João Amado e depois de um longo mergulho na praia, arrumava as coisas e partia em direção a São Miguel da Barra do Rio de Contas para encontrar com a comadre Jerusa. Esse percurso do meu bisavô levava quase uma semana. Fazia isso todo ano, depois de janeiro, quando o sol demorava se por e raramente caía chuva de dia.

Talvez hoje, em 4 horas de carro, façamos o mesmo percurso. De Cachoeira do Pau, atual Ibirapitanga, passando por Itapira, hoje Ubaitaba; Poeri, rebatizada de Aurelino Leal; Arraial do Baforé que virou Itapitanga; Água Preta é Uruçuca; Pirangy, hoje é Itajuípe; Guaracy, que passou a se chamar Coaraci; Pouso Alegre, agora é Almadina; Morro Redondo, hoje Barro Preto; Palestina, agora é Ibicaraí; Tabocas é Itabuna; Macuco é Buerarema e São Miguel da Barra do Rio de Contas foi rebatizada de Itacaré.

E José Nazal, que guarda com carinho a história destas terras, se pergunta como chamaríamos os nativos de cada um destes Municípios. Pois bem, me arrisco, em tom de brincadeira, a afirmar que quem nascia em Cachoeira do Pau era chamado de “cachoeirano”; Itapira, “itapirano”; Poeri, “poeirano”; Arraial do Baforé, “baforenho”; Água Preta, “aguapretano”; Pirangy, “pirangiano”; Guaracy, “guaracyano”; Pouso Alegre, “pousoalegriano”; Morro Redondo, “redondiano”; Palestina, “palestiniano”; Tabocas, “taboqueiro”; Macuco, “macuqueiro” e São Miguel da Barra do Rio de Contas, “riocontista”!

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Resposta de Malthez de Athayde

Sinto-me, dignamente, honrado ao parabenizar o imortal ilheense e ator- Pawlo Cidade, pela excelente matéria histórica regional, onde pude, ao lê-la, rememorar alguns antigos lugares nos quais, quando criança, estive.

★★★★★ Em 08-03-2018 às 18-33h Responder 5
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Pawlo Cidade
Pawlo Cidade

Pawlo Cidade é escritor, ativista cultural e Secretário Municipal de Cultura de Ilhéus. E-mail [email protected]

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