"CADA VEZ QUE UM MONUMENTO TOMBA, A HISTÓRIA VAI SE PERDENDO", AFIRMA ANARLEIDE MENEZES SOBRE O PATRIMÔNIO HISTÓRICO DE ILHÉUS
Secretária de Cultura comenta a situação de imóveis históricos do município, esclarece processos envolvendo bens tombados e defende ações para preservar a memória da cidade
A secretária de Cultura de Ilhéus, Anarleide Menezes, respondeu a uma série de questionamentos durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta terça-feira (30), sobre a situação de importantes prédios históricos do município.
Ao falar sobre o Palácio Paranaguá, Anarleide explicou que o imóvel permanece sob a gestão administrativa da Secretaria de Gestão, embora seja tratado como patrimônio histórico e cultural. Segundo ela, durante a última visita ao interior do prédio foram identificadas rachaduras provocadas pelo crescimento de raízes que expulsam o reboco das paredes.
A secretária informou que a vegetação existente no telhado já foi retirada e atribuiu o problema à germinação de sementes levadas por pássaros, situação que, segundo ela, é comum em edificações antigas. Ela acrescentou que a fachada também recebeu limpeza, com apoio das secretarias responsáveis, mas observou que ainda há necessidade de intervenções em outros pontos da estrutura.
Questionada sobre o Palacete Coronel Aureliano Brandão Pinto, leiloado em junho de 2024, cujo proprietário afirma não conseguir realizar intervenções por falta de autorização do Conselho Municipal de Cultura, Anarleide disse que a permissão já foi concedida. Segundo ela, um parecer foi elaborado pelo conselho e, posteriormente, um novo processo foi aberto sobre o mesmo tema.
Após Vila Nova afirmar que a informação recebida era de que o proprietário sequer conseguia realizar uma limpeza manual no imóvel, a secretária explicou que houve um mal-entendido em torno da expressão "limpeza mecânica". De acordo com ela, o termo foi interpretado por muitas pessoas como utilização de máquinas, quando, na realidade, fazia referência à execução manual do serviço.
Ao ser questionada sobre a demora na tramitação do processo, Anarleide atribuiu parte da situação ao funcionamento do Conselho Municipal de Cultura. Ela explicou que as eleições para renovação dos representantes da sociedade civil, previstas para o ano passado, não foram realizadas, o que acabou atrasando a análise e a apresentação de processos. A secretária acrescentou que outros casos semelhantes também avançaram recentemente e afirmou que irá verificar especificamente a situação do palacete.
Sobre o General Osório, Anarleide declarou que ainda não há contrato firmado com a iniciativa privada com o objetivo de restaurar o imóvel e ressaltou que qualquer parceria será divulgada oficialmente quando houver publicação no Diário Oficial. Enquanto isso, segundo ela, o município busca recursos por meio de emendas e outras fontes de financiamento para viabilizar a restauração. Ela informou ainda que o prédio precisou ser lacrado após registros de arrombamentos.
Questionada sobre a responsabilidade pelo prédio da União Protetora dos Artistas, Anarleide Menezes afirmou que, "no momento, a responsabilidade daquele prédio está no ar". Segundo a secretária, isso ocorre porque a associação responsável pelo imóvel foi extinta em 2008. Ela explicou que existe um estudo jurídico para que o bem seja transferido ao município e que, somente após essa definição legal, a Prefeitura poderá intervir no imóvel de acordo com os critérios estabelecidos.
Ao comentar a importância do prédio para a história da cidade, a secretária lembrou que o desabamento da fachada despertou lembranças de moradores que frequentaram o espaço em décadas passadas. Para ela, a preservação desses imóveis vai além da conservação física das construções. "Cada vez que um monumento tomba, a história vai se perdendo", afirmou Anarleide Menezes. Segundo a secretária, o abandono ou a destruição de patrimônios históricos também representa a perda da memória coletiva e da identidade cultural de Ilhéus, reforçando a necessidade de preservar esses espaços para as futuras gerações.
Confira a entrevista completa:
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