"ESCREVO PARA SER ESQUECIDO" QUER PRESERVAR MEMÓRIAS E CONTAR UMA HISTÓRIA DE LUTA, DIZ ESCRITOR HAMILTON BORGES
Obra será lançada nesta quarta-feira (17), às 19h, no Dilazense, e reúne memórias, reflexões e relatos ligados a duas décadas de atuação social
O escritor Hamilton Borges participa nesta quarta-feira (17) do lançamento do livro Escrevo Para Ser Esquecido, às 19h, no Dilazense, localizado na Avenida Brasil, nº 485, no bairro Conquista. Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, ele explicou que a obra reúne textos produzidos ao longo de cerca de 20 anos de atuação junto à organização Reaja ou Será Morto.
Ao falar sobre a relação entre escritores e suas obras, Hamilton afirmou que, ao contrário de muitos autores, costuma se desligar dos livros após a publicação. “Esse filho só é filho enquanto ele está sendo gestado. Imediatamente que eu publico, eu quero largá-lo, eu quero deixá-lo. Quero dar asas, quero entregá-lo”, disse.
O escritor contou que essa sensação foi ainda mais intensa com o romance Livro Preto de Ariel, que trata da história de um jovem negro de Salvador que acaba preso injustamente durante uma operação policial. Segundo ele, o processo de escrita foi emocionalmente difícil. “Escrever esse livro me colocou numa situação emocional muito pesada mesmo. Você lida com a morte, com a prisão, com a corrupção, com a injustiça. Então aquilo foi pesado”, relatou.
Sobre Escrevo Para Ser Esquecido, Hamilton destacou que o título pode sugerir uma contradição, mas explicou que a intenção da obra é justamente preservar memórias. “Na verdade, ele quer lembrar, porque é um livro de memória, de memória de uma luta histórica de 20 anos”, afirmou.
Segundo o autor, a publicação revisita textos antigos escritos durante sua atuação na organização Reaja ou Será Morto, além de incorporar reflexões mais recentes sobre a realidade social vivida por comunidades periféricas. Ele ressaltou que os textos mostram como muitos problemas relacionados à segurança pública e ao direito à vida permanecem presentes ao longo dos anos.
Durante a entrevista, Hamilton também compartilhou experiências pessoais que influenciaram sua trajetória intelectual e social. Ele contou que cresceu em comunidades populares, participou de movimentos sociais e teve nos blocos afros de Salvador uma importante referência cultural e literária. “O movimento social me tirou desse lugar e me colocou numa escola de teatro. Tive acesso a uma série de coisas. Tudo isso me fez o intelectual que eu sou hoje”, declarou.
O escritor lembrou ainda das dificuldades que enfrentou para aprender a ler quando criança, apesar da paixão pelos livros. Segundo ele, o incentivo da família e o contato constante com a leitura foram fundamentais para sua formação.
Hamilton também falou sobre os desafios enfrentados por escritores independentes no Brasil. De acordo com ele, autores que não pertencem às grandes editoras precisam percorrer cidades e construir o próprio público para divulgar suas obras. “As pessoas como eu, o escritor, precisam sair vendendo seu livro, como um camelô. Precisam construir um caminho, construir um público”, disse.
O lançamento de Escrevo Para Ser Esquecido acontece nesta quarta-feira, às 19h, no Dilazense, na Avenida Brasil, nº 485, bairro Conquista.
Confira a entrevista completa:
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