“500 ANOS NÃO É UMA COMEMORAÇÃO QUALQUER, É MEIO MILÊNIO”, DIZ RAMAYANA VARGENS AO DEFENDER PREPARAÇÃO ANTECIPADA EM ILHÉUS
Professor afirma que o município precisa iniciar desde já um trabalho de valorização da história local e mobilização da sociedade para as comemorações de 2034
A preparação para os 500 anos de Ilhéus foi tema de entrevista concedida pelo professor, jornalista e escritor Ramayana Vargens ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM. Ao comentar a importância da data, o entrevistado defendeu que as ações voltadas para o quinto centenário do município comecem imediatamente, envolvendo instituições públicas, entidades culturais e a população.
A participação ocorreu após o apresentador Vila Nova destacar a necessidade de ampliar o debate sobre os 500 anos de Ilhéus e defender que o assunto seja tratado com mais responsabilidade e seriedade.
Em resposta, Ramayana afirmou que, embora ainda faltem oito anos para a comemoração, o trabalho de preparação não pode ser deixado para a última hora. “Embora faltem oito anos para que a gente comemore o quinto centenário da Capitania de Ilhéus, é importante que esse trabalho comece a ser feito agora, porque é fundamental que tenhamos uma comemoração a partir do conhecimento que a nossa comunidade tem sobre o que é a importância desses 500 anos e da importância para a história do Brasil e até para o nosso continente da existência de Ilhéus ao longo desse tempo todo”, declarou.
O professor ressaltou que a data possui um significado histórico que vai além de uma celebração comum.“500 anos não é uma comemoração qualquer, é meio milênio”, afirmou.
Durante a entrevista, Ramayana destacou que Ilhéus ocupa uma posição relevante na história brasileira e americana. Segundo ele, o município está entre os mais antigos do continente e preserva uma trajetória marcada por acontecimentos que ajudaram a consolidar a presença portuguesa no Brasil.
Entre os exemplos citados, ele lembrou a resistência da antiga Capitania de Ilhéus às invasões francesas e holandesas. De acordo com o professor, mesmo sem estrutura militar significativa, os moradores conseguiram impedir o domínio estrangeiro sobre o território.
Ramayana também mencionou episódios históricos ligados ao município, como a Revolta dos Escravizados do Rio do Engenho, ocorrida em 1789, apontada por ele como responsável pela produção do primeiro documento com reivindicações trabalhistas do Brasil.
Para o entrevistado, o conhecimento dessa trajetória é fundamental para fortalecer o sentimento de pertencimento da população e valorizar a identidade cultural local. “Ilhéus tem muita história que precisa ser relatada para que o povo tenha conhecimento do que é Ilhéus, do que é a importância dessa terra, do que ela contribuiu para a nossa história. Isso tem que começar a ser feito já”, afirmou.
Segundo Ramayana, a Academia de Letras de Ilhéus iniciou discussões sobre o tema há cerca de dois anos e criou uma comissão voltada para a preparação das comemorações. No entanto, ele considera que a construção do projeto precisa ser ampliada. “Não é a academia sozinha ou alguma instituição isolada que vai desenvolver um projeto de uma boa comemoração dos 500 anos. Esse é um trabalho que tem que ser transformado praticamente numa política pública”, disse.
O professor defendeu a participação de órgãos públicos, instituições de ensino, entidades culturais, clubes de serviço e da própria sociedade civil na organização das ações.
Ao final da entrevista, Ramayana destacou que a valorização da história local pode trazer benefícios que vão além da preservação da memória. “Muitas vezes as pessoas esquecem que isso é um grande ativo cultural que pode se transformar em um grande ativo econômico para fortalecer todo o trabalho de turismo na nossa cidade”, concluiu.
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