“A GENTE ESTÁ EM UMA EPIDEMIA DE FEMINICÍDIO NO BRASIL”, DIZ ENILDA MENDONÇA AO DESTACAR PACTO MUNICIPAL EM ILHÉUS
Vereadora defende integração entre instituições, produção de dados e participação da sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher
Durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (18), a vereadora Enilda Mendonça destacou a importância do Pacto Municipal Ilhéus Contra o Feminicídio, iniciativa que será lançada no próximo dia 23 de março, na Câmara de Vereadores. Ao abordar a gravidade do tema, ela foi enfática: “A gente está em uma epidemia de feminicídio no Brasil”, ao defender medidas mais firmes e articuladas para conter a violência.
Segundo a parlamentar, o pacto surge a partir de uma mobilização nacional. “Recentemente foi assinado o pacto nacional contra o feminicídio, onde os três poderes se uniram com foco de combater o crime, a violência às mulheres e a proteção dessas mulheres, crianças e meninas”, explicou. A partir disso, a Frente Parlamentar de Mulheres de Ilhéus propôs a criação de uma versão municipal. “Solicitamos ao presidente da Câmara que gostaríamos de construir em Ilhéus também um pacto municipal, e ele autorizou a Frente Parlamentar a conduzir todo esse processo”, afirmou.
Enilda destacou que o principal objetivo é integrar ações que hoje acontecem de forma isolada. “Cada autoridade tem feito seu trabalho de forma isolada. A ideia do pacto é constituir uma comissão com representatividade de todos esses órgãos, para alinhar informações e dar mais celeridade e efetividade às ações”, disse. Ela chamou atenção ainda para a ausência de dados consolidados no município. “A gente não tem dados efetivos da situação em Ilhéus. Como é que faz política pública sem dados? Não consegue”, pontuou.
A vereadora citou como exemplo o número de medidas protetivas acompanhadas pela Ronda Maria da Penha. “Nós temos, eminentemente, 200 mulheres sob o olhar do Estado para evitar a morte delas. É um número muito elevado para a cidade de Ilhéus”, alertou.
De acordo com ela, a assinatura do pacto criará um Comitê Interinstitucional responsável por monitorar ações e produzir relatórios periódicos. “Dentro desse texto básico está o levantamento, o monitoramento das ações e a previsibilidade de um relatório anual, para que possamos dizer: nossa realidade é essa e precisamos de políticas públicas focadas”, explicou.
Enilda também reforçou a necessidade de envolvimento de toda a sociedade. “Sozinhas nós não vamos dar conta. Precisamos que os homens se envolvam mais. É muito simbólico que os chefes dos poderes sejam homens assumindo essa bandeira”, afirmou. Ela fez um convite direto à população: “A sua presença já é dizer: eu concordo com isso. O que é que nós vamos fazer? O que cada um pode fazer?”
Entre as ações previstas, estão campanhas educativas e palestras em diversos espaços. “A meta é levar palestras para escolas, empresas, canteiros de obras. A gente precisa desconstruir essa cultura de agressão desde a infância”, disse. A vereadora relatou situações que evidenciam a reprodução da violência dentro de casa. “A criança diz: ‘meu pai bate na minha mãe todo dia’. É uma cultura que a gente precisa quebrar”, afirmou.
Ela também destacou que a violência contra a mulher não está ligada apenas à condição social. “Não é uma questão financeira. Estamos vendo juízas, delegadas, médicas sendo vítimas. A maioria dos casos acontece quando a mulher já saiu da relação e o homem não aceita”, explicou. Para ela, é fundamental trabalhar o comportamento dos agressores. “Nenhum homem nasce agressor. É preciso acompanhamento para que ele saia desse ciclo de violência”, defendeu.
Ao comentar medidas nacionais, Enilda citou ações recentes como prisões em massa de agressores e a adoção de monitoramento eletrônico. “A ideia é evitar a morte. A mulher não pode morrer porque decidiu sair de uma relação”, disse.
A vereadora classificou o cenário como crítico. “A gente não está morrendo por latrocínio. A gente está morrendo porque a pessoa que a gente escolheu para viver não aceita o fim da relação”, afirmou. Segundo ela, muitos agressores não apresentam histórico criminal. “É uma pessoa que, para a sociedade, é acima de qualquer suspeita, mas em casa é um bicho”, declarou.
O lançamento do Pacto Municipal Ilhéus Contra o Feminicídio acontecerá no dia 23 de março, às 15h, no plenário da Câmara de Vereadores, durante audiência pública em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A iniciativa é conduzida pela Frente Parlamentar de Mulheres e reúne representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, além de instituições como Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar e Polícia Civil.
A proposta segue a linha do pacto nacional e busca fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra a mulher no município, com ações integradas, produção de dados, relatórios periódicos e estratégias voltadas à realidade local.
Ao final da entrevista, Enilda reforçou o convite e destacou que o trabalho está apenas começando. “O trabalho começa agora. Precisamos organizar, ter dados, envolver a sociedade e cobrar o andamento desse pacto. A ideia é fazer um grande holofote sobre ele”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
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