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“A GENTE ESTÁ EM UMA EPIDEMIA DE FEMINICÍDIO NO BRASIL”, DIZ ENILDA MENDONÇA AO DESTACAR PACTO MUNICIPAL EM ILHÉUS

“A GENTE ESTÁ EM UMA EPIDEMIA DE FEMINICÍDIO NO BRASIL”, DIZ ENILDA MENDONÇA AO DESTACAR PACTO MUNICIPAL EM ILHÉUS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 18/03/2026 10h40

Vereadora defende integração entre instituições, produção de dados e participação da sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher

Durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (18), a vereadora Enilda Mendonça destacou a importância do Pacto Municipal Ilhéus Contra o Feminicídio, iniciativa que será lançada no próximo dia 23 de março, na Câmara de Vereadores. Ao abordar a gravidade do tema, ela foi enfática: “A gente está em uma epidemia de feminicídio no Brasil”, ao defender medidas mais firmes e articuladas para conter a violência.

Segundo a parlamentar, o pacto surge a partir de uma mobilização nacional. “Recentemente foi assinado o pacto nacional contra o feminicídio, onde os três poderes se uniram com foco de combater o crime, a violência às mulheres e a proteção dessas mulheres, crianças e meninas”, explicou. A partir disso, a Frente Parlamentar de Mulheres de Ilhéus propôs a criação de uma versão municipal. “Solicitamos ao presidente da Câmara que gostaríamos de construir em Ilhéus também um pacto municipal, e ele autorizou a Frente Parlamentar a conduzir todo esse processo”, afirmou.

Enilda destacou que o principal objetivo é integrar ações que hoje acontecem de forma isolada. “Cada autoridade tem feito seu trabalho de forma isolada. A ideia do pacto é constituir uma comissão com representatividade de todos esses órgãos, para alinhar informações e dar mais celeridade e efetividade às ações”, disse. Ela chamou atenção ainda para a ausência de dados consolidados no município. “A gente não tem dados efetivos da situação em Ilhéus. Como é que faz política pública sem dados? Não consegue”, pontuou.

A vereadora citou como exemplo o número de medidas protetivas acompanhadas pela Ronda Maria da Penha. “Nós temos, eminentemente, 200 mulheres sob o olhar do Estado para evitar a morte delas. É um número muito elevado para a cidade de Ilhéus”, alertou.

De acordo com ela, a assinatura do pacto criará um Comitê Interinstitucional responsável por monitorar ações e produzir relatórios periódicos. “Dentro desse texto básico está o levantamento, o monitoramento das ações e a previsibilidade de um relatório anual, para que possamos dizer: nossa realidade é essa e precisamos de políticas públicas focadas”, explicou.

Enilda também reforçou a necessidade de envolvimento de toda a sociedade. “Sozinhas nós não vamos dar conta. Precisamos que os homens se envolvam mais. É muito simbólico que os chefes dos poderes sejam homens assumindo essa bandeira”, afirmou. Ela fez um convite direto à população: “A sua presença já é dizer: eu concordo com isso. O que é que nós vamos fazer? O que cada um pode fazer?”

Entre as ações previstas, estão campanhas educativas e palestras em diversos espaços. “A meta é levar palestras para escolas, empresas, canteiros de obras. A gente precisa desconstruir essa cultura de agressão desde a infância”, disse. A vereadora relatou situações que evidenciam a reprodução da violência dentro de casa. “A criança diz: ‘meu pai bate na minha mãe todo dia’. É uma cultura que a gente precisa quebrar”, afirmou.

Ela também destacou que a violência contra a mulher não está ligada apenas à condição social. “Não é uma questão financeira. Estamos vendo juízas, delegadas, médicas sendo vítimas. A maioria dos casos acontece quando a mulher já saiu da relação e o homem não aceita”, explicou. Para ela, é fundamental trabalhar o comportamento dos agressores. “Nenhum homem nasce agressor. É preciso acompanhamento para que ele saia desse ciclo de violência”, defendeu.

Ao comentar medidas nacionais, Enilda citou ações recentes como prisões em massa de agressores e a adoção de monitoramento eletrônico. “A ideia é evitar a morte. A mulher não pode morrer porque decidiu sair de uma relação”, disse.

A vereadora classificou o cenário como crítico. “A gente não está morrendo por latrocínio. A gente está morrendo porque a pessoa que a gente escolheu para viver não aceita o fim da relação”, afirmou. Segundo ela, muitos agressores não apresentam histórico criminal. “É uma pessoa que, para a sociedade, é acima de qualquer suspeita, mas em casa é um bicho”, declarou.

O lançamento do Pacto Municipal Ilhéus Contra o Feminicídio acontecerá no dia 23 de março, às 15h, no plenário da Câmara de Vereadores, durante audiência pública em alusão ao Dia Internacional da Mulher. A iniciativa é conduzida pela Frente Parlamentar de Mulheres e reúne representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, além de instituições como Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar e Polícia Civil.

A proposta segue a linha do pacto nacional e busca fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra a mulher no município, com ações integradas, produção de dados, relatórios periódicos e estratégias voltadas à realidade local.

Ao final da entrevista, Enilda reforçou o convite e destacou que o trabalho está apenas começando. “O trabalho começa agora. Precisamos organizar, ter dados, envolver a sociedade e cobrar o andamento desse pacto. A ideia é fazer um grande holofote sobre ele”, concluiu.

Confira a entrevista completa:

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