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“A SENSAÇÃO QUE O MOVIMENTO SINDICAL TEM É QUE O GOVERNO FECHOU AS PORTAS”, DIZ PRESIDENTE DA ADUSC SOBRE PARALISAÇÃO NA UESC

“A SENSAÇÃO QUE O MOVIMENTO SINDICAL TEM É QUE O GOVERNO FECHOU AS PORTAS”, DIZ PRESIDENTE DA ADUSC SOBRE PARALISAÇÃO NA UESC
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 20/05/2026 12h57

Em entrevista ao programa O Tabuleiro, Marcelo Lins detalhou reivindicações dos docentes, criticou a falta de diálogo com o Governo do Estado e apontou problemas como falta de professores, insalubridade e situação do Planserv

O presidente da ADUSC, Marcelo Lins, afirmou nesta quarta-feira (20), durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, que a principal motivação da paralisação realizada por professores e professoras da Universidade Estadual de Santa Cruz é a falta de diálogo do Governo do Estado com a categoria. “A sensação que o movimento sindical tem hoje é que o governo fechou as portas. No discurso, diz que está aberto ao diálogo, mas, na prática, isso não acontece”, declarou durante entrevista conduzida pelo comunicador Vila Nova.

Segundo Marcelo, as quatro associações docentes das universidades estaduais da Bahia elaboram, todos os anos, uma pauta conjunta de reivindicações, aprovada em assembleia e encaminhada ao governo estadual. De acordo com ele, o documento atual foi protocolado em novembro de 2025. “É uma pauta ampla, que discute autonomia universitária, orçamento e direitos trabalhistas”, explicou.

O presidente da ADUSC afirmou que diversos pontos previstos no Estatuto do Magistério Superior vêm deixando de ser cumpridos nos últimos anos, principalmente relacionados à promoção na carreira docente. “Tem professor que conclui doutorado e chega a esperar até quatro anos para mudança de nível”, afirmou.

Marcelo relembrou ainda que os docentes ficaram sete anos sem reajuste salarial durante o governo Rui Costa, acumulando, segundo ele, perdas de aproximadamente 53%.

Ele afirmou que, no início do governo Jerônimo Rodrigues, houve avanço em alguns pontos, como destravamento de promoções e mudanças de regime de trabalho, mas disse que as negociações deixaram de avançar desde julho do ano passado. “O governo estava para marcar novas reuniões e simplesmente não marca e não dá a menor satisfação”, criticou.

Outro tema abordado na entrevista foi o adicional de insalubridade pago a professores e técnicos que atuam em laboratórios e unidades de saúde.

Segundo Marcelo, desde 2015 o governo deixou de autorizar novos adicionais. “Dentro de um mesmo laboratório, o professor que entrou há mais tempo recebe e o colega que trabalha com a mesma substância não recebe”, declarou.

Ele relatou ainda que professores da área da saúde evitam se afastar para doutorado com receio de perder o benefício. “Tem professor que permanece trabalhando para não perder a insalubridade. Isso é ridículo”, afirmou.

Marcelo disse que muitos docentes recorrem à Justiça para garantir o direito. “Quando chega na mão do juiz, ele defere. Mas é desgastante e o Estado sempre recorre”, declarou.

O presidente da ADUSC também mencionou situações envolvendo trabalhadores terceirizados e técnicos universitários. “O pessoal terceirizado que trabalha em determinado laboratório está recebendo insalubridade e o concursado não. Ou seja, a empresa terceirizada está respeitando mais o direito do que o Governo do Estado”, criticou.

Durante a entrevista, Marcelo Lins também criticou mudanças na cobrança do Planserv e relatou reclamações sobre o atendimento do serviço. “A gente só ouve notícias de que está piorando, clínicas sendo descredenciadas e reclamações de má remuneração”, afirmou.

Segundo ele, o governo alterou a forma de cobrança do plano. “Antes havia faixa salarial e teto. Agora é 5,5% do salário do profissional, independente do quanto ele ganha”, explicou.

Marcelo afirmou ainda que a categoria entrou na Justiça contra reajustes considerados abusivos e contra a chamada “taxa de risco”. “Se o servidor não aderir imediatamente ao Planserv, depois precisa pagar uma taxa de risco. Nós estamos conseguindo derrubar isso na Justiça”, declarou.

Questionado sobre a falta de professores na UESC, Marcelo afirmou que o governo autorizou contratações emergenciais de substitutos, mas ressaltou que a medida não resolve o problema estrutural. “Contratação de substituto é mão de obra temporária. O que nós queremos é concurso público”, afirmou.

Segundo ele, a carência atual chega a cerca de 90 vagas apenas considerando aposentadorias e falecimentos de docentes.

O presidente da ADUSC também relatou situações de sobrecarga enfrentadas pelos professores. 

Ele contou que precisou assumir mais uma disciplina após pedido da coordenação de colegiado por falta de docentes disponíveis. “Isso é precarização”, declarou.

Marcelo também criticou o fim da licença-prêmio para servidores que ingressaram após 2015 e afirmou que a medida criou divisão entre os profissionais. “Quem entrou antes de 2015 tem, quem entrou depois não”, disse.

Outro tema abordado foi a lista tríplice para escolha de reitores das universidades estaduais. “O governo federal acabou com a lista tríplice. Aqui na Bahia, não”, afirmou.

Segundo ele, o movimento elaborou um projeto de lei e encaminhou à Assembleia Legislativa da Bahia para tentar extinguir o modelo.

Durante a entrevista, Marcelo destacou ainda a participação dos estudantes nas discussões sobre a universidade e disse que as reivindicações também envolvem assistência estudantil e permanência acadêmica. “A universidade abriu as portas através das ações afirmativas, mas é preciso garantir que esses estudantes permaneçam e concluam o curso”, afirmou.

Marcelo afirmou que representantes do movimento docente tiveram contato com o governador Jerônimo Rodrigues e com a então secretária estadual da Educação, Rowenna Brito, mas disse que as reuniões prometidas não aconteceram. “O governador falou publicamente que iria responder todos os pontos da pauta e retomar as reuniões, mas até agora nada”, declarou.

Segundo ele, a última reunião oficial com o governo ocorreu em julho do ano passado.

A paralisação desta quarta-feira ocorreu por apenas um dia, mas Marcelo afirmou que novas mobilizações podem acontecer caso não haja retomada das negociações.

“A gente não quer greve. Agora, caso o governo insista nessa postura, estamos à disposição da categoria para isso, se necessário”, afirmou.

Confira a entrevista completa: 

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