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“EM QUALQUER SEGMENTO DA SOCIEDADE, VOCÊ VAI TER GENTE BOA E GENTE QUE NÃO SERVE. E A POLÍTICA É ISSO", DECLAROU JABES RIBEIRO

“EM QUALQUER SEGMENTO DA SOCIEDADE, VOCÊ VAI TER GENTE BOA E GENTE QUE NÃO SERVE. E A POLÍTICA É ISSO", DECLAROU JABES RIBEIRO
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 14/08/2026 18h12

Ex-prefeito de Ilhéus relembrou mais de cinco décadas de vida pública e contou que prepara livro sobre sua trajetória e os bastidores da política

O ex-prefeito de Ilhéus e secretário-geral do Progressistas na Bahia, Jabes Ribeiro, relembrou nesta sexta-feira (14), durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, momentos de sua trajetória política e afirmou que está escrevendo um livro sobre sua história e os bastidores da política.

Jabes explicou que considera 1976 como o marco de seus 50 anos de vida pública por ter sido o ano de sua primeira candidatura. O envolvimento com a política, porém, começou antes disso, ainda durante a juventude, quando participava de campanhas e acompanhava os comícios realizados em Ilhéus.

Ele lembrou também a participação no movimento estudantil, durante o período da ditadura militar, quando cursava Direito e presidiu o Centro Acadêmico João Mangabeira.

Em 1976, Jabes pretendia disputar uma vaga de vereador, mas acabou sendo convidado para ser candidato a vice-prefeito de Jorge Viana. Ele contou que a escolha ocorreu durante uma reunião política, quando surgiu a ideia de incluir um jovem na chapa.

Naquele período, segundo Jabes, existiam apenas dois partidos: MDB e Arena. Ele explicou ainda que o MDB possuía sublegendas e que sua candidatura estava vinculada à legenda 2.

Antes de disputar a Prefeitura, Jabes foi secretário de Educação entre 1979 e 1981. Ao recordar esse período, destacou a situação da educação nos distritos de Ilhéus, onde, segundo ele, o ensino chegava apenas até a quarta série.

A partir da Secretaria de Educação, Jabes afirmou que trabalhou para levar o antigo ginásio, correspondente às séries seguintes, para diversos distritos.

Ele contou que reuniu professores, pais e outras pessoas para organizar a expansão do ensino e que a iniciativa permitiu que estudantes do interior continuassem os estudos sem precisar deixar suas localidades após a quarta série.

Em 1982, aos 29 anos, Jabes decidiu disputar a Prefeitura de Ilhéus. Ele afirmou que inicialmente não acreditava que pudesse vencer a eleição, diante da força política e econômica dos grupos tradicionais da época.

Durante a campanha, recebeu o apoio de pessoas que conheciam sua atuação no movimento estudantil e suas posições em defesa das liberdades democráticas.

Jabes relembrou ainda uma manifestação realizada durante a campanha, quando moradores de diferentes altos de Ilhéus participaram de uma caminhada com panelas vazias até a sede da antiga Embasa.

Segundo ele, a mobilização contribuiu para ampliar a repercussão de sua candidatura.

Jabes afirmou que recebeu mais de 14 mil votos naquela eleição. Como o sistema eleitoral da época envolvia sublegendas, a soma dos votos dos candidatos de cada grupo determinava o resultado final.

Ao descobrir que havia vencido a eleição, Jabes disse que só então percebeu a dimensão da responsabilidade que assumiria.

Segundo ele, naquele momento decidiu que sua gestão deveria priorizar os mais humildes, a educação das crianças e da juventude, os morros, os distritos, as periferias e a história de Ilhéus.

A preservação da cultura passou a ocupar espaço importante em sua trajetória política.

Jabes relembrou a situação do Teatro Municipal de Ilhéus, que, segundo ele, estava em ruínas quando decidiu recuperar o equipamento. Ele contou que chegou a receber a sugestão de demolir a estrutura e construir um novo prédio, mas optou por preservar as paredes existentes por considerar que elas faziam parte da história da cidade.

A obra foi realizada com recursos da Prefeitura e o teatro foi entregue em 1986.

Ao longo da entrevista, Jabes citou ainda ações relacionadas ao Bataclan, à Casa de Jorge Amado, à Biblioteca Pública e a outros espaços ligados à memória de Ilhéus.

Jabes também mencionou o antigo prédio do Grupo Escolar General Osório. Segundo ele, durante uma de suas gestões, o espaço foi reformado e passou a abrigar a biblioteca e o arquivo público municipal, além de outras estruturas.

Ele contou que havia ainda a ideia de construir, em uma área ao lado do prédio histórico, uma estrutura mais moderna para uma biblioteca digital, mantendo o espaço antigo voltado à preservação e à visitação.

Na avaliação de Jabes, a preservação cultural está diretamente relacionada ao sentimento de pertencimento.

“Eu sempre acreditei que cultura é pertencimento, cultura gera amor à cidade, gera história”, afirmou.

O ex-prefeito também falou sobre o Palácio Paranaguá. Segundo ele, o prédio não apresentava mais estrutura adequada para funcionar como centro administrativo e deveria ser tratado como espaço de memória.

Jabes contou que, durante uma de suas gestões, trabalhou na transferência da administração para outro local e pensou na criação do Museu da Capitania.

Ele defendeu ainda que Ilhéus desenvolva o turismo cultural, de negócios e de eventos, utilizando a história do município como parte dessa estratégia.

Ao falar sobre a proximidade dos 500 anos de Ilhéus, Jabes afirmou que a cidade precisa contar sua história por meio de fatos e ações concretas.

Ele também relembrou a criação da Casa de Jorge Amado e destacou a participação de pessoas que contribuíram para o projeto, entre elas sua mulher, Adriana, e o escritor Hélio Pólvora. “Obras são importantes, são fundamentais, mas não podemos esquecer que existe uma coisa chamada cultura, história, memória, legado”, afirmou.

Questionado se todo esse conteúdo fará parte do livro que está produzindo, Jabes respondeu que sim.

Segundo ele, a publicação vai reunir sua trajetória política e os bastidores de suas relações com diferentes personagens da política brasileira. Ele citou, entre outros, Antônio Carlos Magalhães, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Jabes afirmou ainda que pretende abordar no livro situações de decepção e mudanças nas relações políticas, mas não antecipou casos específicos.

Ao ser questionado sobre pessoas que, em sua avaliação, não serviram à política, Jabes afirmou que esse tipo de situação existe em qualquer área da sociedade. “Eu não confundo a política com os políticos. Esse é o problema. A justiça é importante? Tem juízes que são safados? Tem. São poucos, mas tem em qualquer lugar. Você vai, por exemplo, em qualquer segmento da sociedade, você vai ter gente boa, mas tem também gente que não serve. E a política é isso”, declarou.

Jabes afirmou que o livro também vai abordar essas experiências, mas como análises de momentos específicos de sua trajetória.

Ele explicou que houve decepções e mudanças de relações ao longo dos anos, mas afirmou que teve muito mais experiências positivas na política.

Para Jabes, essas situações fazem parte da fragilidade humana e também da própria dinâmica política.

Ao falar sobre o futuro, o ex-prefeito afirmou que continua sonhando com mudanças para Ilhéus. Entre os projetos que citou estão um Hospital da Mulher, um novo aeroporto, soluções para problemas de infraestrutura, a chegada da ferrovia e a estruturação do Porto.

Ele também mencionou a possibilidade de processamento de parte dos produtos que chegam à região, como grãos e minério, com o objetivo de agregar valor e gerar emprego e renda.

Aos 74 anos, Jabes afirmou que continua disposto a participar da vida pública e a contribuir com Ilhéus.

Para ele, a velhice não está necessariamente relacionada à idade, mas ao momento em que uma pessoa deixa de sonhar.

Enquanto continuar sonhando, afirmou, seguirá encontrando motivos para continuar na luta pela cidade.

Confira a entrevista completa: 

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