“ESSE COLÍRIO RESOLVE TEMPORARIAMENTE, MAS PODE TRAZER SÉRIOS PROBLEMAS”, DIZ DR. EUSINIO LAVIGNE SOBRE MEDICAMENTO PARA VISÃO DE PERTO
Diretor do Hospital de Olhos Elclin afirmou, em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Ilhéus FM, que o efeito do colírio já existia há décadas e alertou para possíveis complicações futuras
Durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Ilhéus FM, o oftalmologista Dr. Eusinio Lavigne, diretor do Hospital de Olhos Elclin, comentou sobre um colírio liberado nos Estados Unidos que promete melhorar a visão de perto por cerca de 10 horas.
Questionado pelo apresentador Vila Nova sobre a eficácia do medicamento e possíveis consequências futuras, o médico afirmou que o colírio funciona, mas destacou que o efeito já era conhecido há muitos anos. “Funciona. É uma droga, não estou recordando o nome agora, porque ela ainda não é utilizada aqui. Ela faz com que a pupila se contraia, fazendo uma similaridade com o buraco estenopeico. Quando você olha para longe ou para perto por um buraquinho qualquer de uma folha de papel, você melhora a sua visão. Isso porque os raios de luz entram paralelos no olho e ficam em um ponto só. Na prática, funciona”, explicou.
Dr. Eusinio relembrou que, há cerca de 45 anos, um colírio utilizado para glaucoma já produzia efeito semelhante. “Quando eu era jovem, existia um colírio para glaucoma chamado pilocarpina. Fazia o mesmo efeito. A pupila fechava e você passava a ver de perto tudo”, disse.
Segundo o oftalmologista, o problema está no uso contínuo da medicação. “A musculatura se vicia contraída. Então, quando você precisar fazer um exame de retina ou uma cirurgia, é de extrema dificuldade e, às vezes, até inviabiliza um bom exame e uma boa cirurgia”, afirmou.
O médico também alertou para possíveis consequências a longo prazo. “Essas gotinhas que colocam no olho resolvem temporariamente, por um prazo de 10 horas. Mas qual o preço? Já com seis meses ou um ano, a pupila não retorna mais à contração muscular original. Então, você não examina mais sua retina para fazer uma cirurgia de catarata. É uma extrema dificuldade, com possibilidade de haver mais complicações”, declarou.
Durante a entrevista, Dr. Eusinio afirmou que o efeito apresentado atualmente como novidade já existia décadas atrás. “Na minha época teve esse mesmo boom. Isso é de 45 anos atrás. Agora voltou. Claro que vai sair, porque não é uma solução. A droga é nova, mas o efeito é igual ao de 45 anos atrás”, disse.
Ao falar sobre alternativas para problemas de visão, o médico destacou a evolução das cirurgias oftalmológicas. “Hoje, a tecnologia faz com que você passe a enxergar de longe, caso não enxergue bem de longe; de perto, caso não enxergue bem de perto; e os dois ao mesmo tempo”, explicou.
Ele também relembrou como eram realizadas as cirurgias de catarata quando chegou a Ilhéus. “Quando eu cheguei a Ilhéus, a cirurgia era sob anestesia geral, entubado, sem microscópio, olho no olho. Você tirava, congelava o cristalino e a pessoa ficava com aqueles óculos de mais 13. A vida produtiva da pessoa acabava, porque a visão não ficava boa”, contou.
Segundo o oftalmologista, atualmente os procedimentos são rápidos e indolores.
“Uma cirurgia de catarata é completamente indolor”, afirmou. Ao ser questionado sobre a duração do procedimento, respondeu: “A cirurgia dura cinco, seis minutos. A demora é a preparação. Você demora uma hora se preparando para resolver em cinco ou seis minutos”, disse. Dr. Eusinio também comentou que algumas pessoas preferem realizar o procedimento dormindo. “Tem pessoas que têm agonia, não gostam que toquem no olho. Então, dorme. Ele vai andando até a maca, deita, toma uma injeção, dorme e, quando termina, toma um antídoto, acorda e pronto”, explicou.
O médico afirmou ainda que não concorda com a realização de cirurgia nos dois olhos ao mesmo tempo. “Em São Paulo, agora, nos grandes centros, estão fazendo isso, mas eu jamais vou fazer. Você aprende com um olho para o outro. É questão de segurança”, declarou.
Durante a entrevista, Dr. Eusinio contou o relato de uma paciente após a cirurgia. “Eu operei uma paciente ao meio-dia. Três horas da tarde ela me ligou e disse: ‘O que é isso? Eu já estou lendo o celular. Que tecnologia é essa?’”, relatou.
O oftalmologista também respondeu a perguntas de ouvintes sobre o uso de telas por crianças e adolescentes. Segundo ele, o aumento do tempo diante de celulares, computadores e tablets tem provocado crescimento nos casos de miopia. “O índice de miopia entre crianças está praticamente dobrando no mundo por conta das telas. Elas priorizam a visão de perto e vão miopisando”, afirmou. Além da miopia, Dr. Eusinio alertou para o problema do ressecamento ocular. “Quando você está em frente a qualquer tela, você pisca, sem perceber, quatro a cinco vezes menos. Piscar serve para lubrificar e distribuir a lágrima. Se está piscando menos, o olho resseca”, explicou. Segundo ele, o uso excessivo de telas por crianças pequenas preocupa. “Hoje dão tablet para criança de um ano e meio, dois anos, para ela ficar quieta. Isso não é normal”, disse. O médico defendeu equilíbrio no uso da tecnologia. “Nem o dia todo, nem pouco demais. Hoje a tela é onde se aprende. Mas duas ou três horas por dia já está estourando”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
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