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“ESTA REGIÃO NUNCA TEVE UM SENADOR DA REPÚBLICA”, DIZ CARLOS EDUARDO SODRÉ AO DEFENDER REPRESENTAÇÃO DO SUL DA BAHIA NO SENADO

“ESTA REGIÃO NUNCA TEVE UM SENADOR DA REPÚBLICA”, DIZ CARLOS EDUARDO SODRÉ AO DEFENDER REPRESENTAÇÃO DO SUL DA BAHIA NO SENADO
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 11/02/2026 12h10

Advogado e pré-candidato afirma que candidatura nasce de um compromisso regional, critica a falta de organização política diante da crise do cacau e defende industrialização como saída estrutural

O advogado Carlos Eduardo Sodré afirmou, em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (11), que o sul da Bahia sofre com a ausência histórica de representação no Senado Federal e defendeu a construção de uma candidatura com base regional.

“Esta região nunca teve um senador da República”, declarou. Segundo ele, o território que vai de Valença a Mucuri, passando pelo médio sul e extremo sul baiano, reúne mais de um milhão de eleitores e 96 municípios com produção de cacau e pecuária. Ainda assim, avalia que nunca consolidou uma liderança política compatível com sua força econômica.

Ao comentar a crise do cacau, Sodré afirmou que a região deixou de construir, no passado, uma representação política proporcional ao seu período de pujança. “A política é o caminho, mal feita ou bem feita, mas ela é o caminho. A gente tem que corrigir os defeitos dela. Não tem que destruir nem abandonar”, disse.

Ele criticou o que classificou como presença eventual de lideranças externas em períodos eleitorais. “Eu os vejo como gafanhotos atacando as folhas dos cacauais à busca de encher os seus alforjes eleitorais”, afirmou, ao defender maior organização permanente da região.

SENADO E “NACIONALIZAÇÃO” DO DEBATE

Questionado pelo apresentador Vila Nova sobre a nacionalização da disputa ao Senado, marcada por debates ideológicos e articulações voltadas ao cenário federal, Sodré ressaltou que o senador é representante do Estado na federação.

“Senador é representante do Estado”, afirmou. Para ele, antes de disputar grandes embates nacionais, é necessário organizar as demandas locais. “Quem não é capaz de organizar e conquistar sua aldeia não vai poder conquistar o mundo”, disse, citando o escritor Leon Tolstoy.

Ele comparou o cenário político a “uma casa desarrumada” que precisa ser organizada antes de qualquer outro passo. “É preciso começar pelo começo”, declarou.

PRÉ-CANDIDATURA E PARTIDO

Sodré reforçou que é pré-candidato e que a eventual candidatura dependerá de articulações partidárias. Ele informou ter sido convidado para integrar o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), atualmente em processo de reorganização nacional.

“O PTB é raiz”, afirmou, ao explicar que o partido passou por mudanças ao longo dos anos e agora estaria sendo reconstruído por trabalhistas históricos.

Segundo ele, há a possibilidade de o partido não estar regularizado a tempo das eleições, e outras três legendas também o convidaram. “A legenda há de ser uma legenda que não esteja pendurada no cabide do governo nem da oposição”, disse, acrescentando que pretende revelar a definição no momento oportuno.

Ele afirmou ainda que já conversou com representantes de 391 dos 417 municípios baianos e que pretende lançar oficialmente a pré-candidatura em sua cidade natal, Itapé.

Ao comentar o desafio eleitoral, utilizou uma metáfora: “Eu me sinto como aquela pessoa, com a estatura que tenho, pequena, diante de um paredão de rocha. Mas alguém precisa ter coragem. Eu não tenho o menor medo. Não estou envaidecido. Estou prestando um serviço e cumprindo uma missão que Deus me deu”.

CACAU, MERCADO E INDUSTRIALIZAÇÃO

Sobre a crise do cacau, Sodré afirmou que o tema precisa ser tratado “sem demagogia”. Ele reconheceu que o Brasil já produziu 400 mil toneladas e hoje não atinge esse volume, o que, segundo ele, é argumento utilizado pela indústria para justificar importações.

“Isso não justifica que a briga entre eles venha a quebrar nas costas do produtor”, declarou.

Defendeu que o governo federal estabeleça um preço mínimo capaz de remunerar a atividade. “Não é com lucratividade alta, mas pelo menos que permita a continuidade da atividade econômica”, afirmou.

Ele também ressaltou que o cacau é produto de mercado internacional e está sujeito à lei da oferta e da procura, mas criticou a falta de organização preventiva. “Não é só no momento da aflição que a gente se organiza. Talvez seja aquela coisa do brasileiro que fecha a porta depois de roubado”, disse.

Sodré defendeu a retomada de políticas estruturantes e citou sua experiência como subsecretário de Agricultura no governo Jaques Wagner. Segundo ele, havia um projeto para implantação de dez fábricas de chocolate; duas foram instaladas, mas a iniciativa não teve continuidade.

Ele mencionou uma fábrica já em funcionamento em Ibicaraí, com cerca de 50 produtores cooperados, que realiza a primeira transformação do cacau e produz chocolate de alta qualidade. “Repare a diferença de um quilo de cacau para um quilo de chocolate. É uma diferença abissal”, afirmou, defendendo a industrialização como estratégia para agregar valor à produção regional.

Ao falar sobre o período em que atuou como cônsul honorário da Costa do Marfim, país também produtor de cacau, Sodré disse ter acompanhado experiências e intercâmbios técnicos. Segundo ele, o debate sobre importação e qualidade precisa ser feito com realismo e organização permanente da cadeia produtiva.

“Os produtores estão certos em gritar. O meu lado é o lado deles. Mas é preciso organizar as coisas”, declarou.

Sodré afirmou que, se eleito, não disputará reeleição. “Isso me dará mais liberdade e independência”, disse.

Definiu sua linha de atuação como independente: “Aplaudir o que estiver certo, desancar no que estiver errado. Aplaudir a oposição no que sugerir certo e atacá-la naquilo que estiver errado”.

Ele também reiterou que sua pré-candidatura não é um projeto pessoal. “Não é uma candidatura minha. Há de ser um compromisso, um interesse de todo mundo. São duas vagas para o Senado. Votem em quem quiserem, mas deem uma vaga para a própria região.”

Confira a entrevista completa:

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