“ESTA REGIÃO NUNCA TEVE UM SENADOR DA REPÚBLICA”, DIZ CARLOS EDUARDO SODRÉ AO DEFENDER REPRESENTAÇÃO DO SUL DA BAHIA NO SENADO
Advogado e pré-candidato afirma que candidatura nasce de um compromisso regional, critica a falta de organização política diante da crise do cacau e defende industrialização como saída estrutural
O advogado Carlos Eduardo Sodré afirmou, em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (11), que o sul da Bahia sofre com a ausência histórica de representação no Senado Federal e defendeu a construção de uma candidatura com base regional.
“Esta região nunca teve um senador da República”, declarou. Segundo ele, o território que vai de Valença a Mucuri, passando pelo médio sul e extremo sul baiano, reúne mais de um milhão de eleitores e 96 municípios com produção de cacau e pecuária. Ainda assim, avalia que nunca consolidou uma liderança política compatível com sua força econômica.
Ao comentar a crise do cacau, Sodré afirmou que a região deixou de construir, no passado, uma representação política proporcional ao seu período de pujança. “A política é o caminho, mal feita ou bem feita, mas ela é o caminho. A gente tem que corrigir os defeitos dela. Não tem que destruir nem abandonar”, disse.
Ele criticou o que classificou como presença eventual de lideranças externas em períodos eleitorais. “Eu os vejo como gafanhotos atacando as folhas dos cacauais à busca de encher os seus alforjes eleitorais”, afirmou, ao defender maior organização permanente da região.
SENADO E “NACIONALIZAÇÃO” DO DEBATE
Questionado pelo apresentador Vila Nova sobre a nacionalização da disputa ao Senado, marcada por debates ideológicos e articulações voltadas ao cenário federal, Sodré ressaltou que o senador é representante do Estado na federação.
“Senador é representante do Estado”, afirmou. Para ele, antes de disputar grandes embates nacionais, é necessário organizar as demandas locais. “Quem não é capaz de organizar e conquistar sua aldeia não vai poder conquistar o mundo”, disse, citando o escritor Leon Tolstoy.
Ele comparou o cenário político a “uma casa desarrumada” que precisa ser organizada antes de qualquer outro passo. “É preciso começar pelo começo”, declarou.
PRÉ-CANDIDATURA E PARTIDO
Sodré reforçou que é pré-candidato e que a eventual candidatura dependerá de articulações partidárias. Ele informou ter sido convidado para integrar o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), atualmente em processo de reorganização nacional.
“O PTB é raiz”, afirmou, ao explicar que o partido passou por mudanças ao longo dos anos e agora estaria sendo reconstruído por trabalhistas históricos.
Segundo ele, há a possibilidade de o partido não estar regularizado a tempo das eleições, e outras três legendas também o convidaram. “A legenda há de ser uma legenda que não esteja pendurada no cabide do governo nem da oposição”, disse, acrescentando que pretende revelar a definição no momento oportuno.
Ele afirmou ainda que já conversou com representantes de 391 dos 417 municípios baianos e que pretende lançar oficialmente a pré-candidatura em sua cidade natal, Itapé.
Ao comentar o desafio eleitoral, utilizou uma metáfora: “Eu me sinto como aquela pessoa, com a estatura que tenho, pequena, diante de um paredão de rocha. Mas alguém precisa ter coragem. Eu não tenho o menor medo. Não estou envaidecido. Estou prestando um serviço e cumprindo uma missão que Deus me deu”.
CACAU, MERCADO E INDUSTRIALIZAÇÃO
Sobre a crise do cacau, Sodré afirmou que o tema precisa ser tratado “sem demagogia”. Ele reconheceu que o Brasil já produziu 400 mil toneladas e hoje não atinge esse volume, o que, segundo ele, é argumento utilizado pela indústria para justificar importações.
“Isso não justifica que a briga entre eles venha a quebrar nas costas do produtor”, declarou.
Defendeu que o governo federal estabeleça um preço mínimo capaz de remunerar a atividade. “Não é com lucratividade alta, mas pelo menos que permita a continuidade da atividade econômica”, afirmou.
Ele também ressaltou que o cacau é produto de mercado internacional e está sujeito à lei da oferta e da procura, mas criticou a falta de organização preventiva. “Não é só no momento da aflição que a gente se organiza. Talvez seja aquela coisa do brasileiro que fecha a porta depois de roubado”, disse.
Sodré defendeu a retomada de políticas estruturantes e citou sua experiência como subsecretário de Agricultura no governo Jaques Wagner. Segundo ele, havia um projeto para implantação de dez fábricas de chocolate; duas foram instaladas, mas a iniciativa não teve continuidade.
Ele mencionou uma fábrica já em funcionamento em Ibicaraí, com cerca de 50 produtores cooperados, que realiza a primeira transformação do cacau e produz chocolate de alta qualidade. “Repare a diferença de um quilo de cacau para um quilo de chocolate. É uma diferença abissal”, afirmou, defendendo a industrialização como estratégia para agregar valor à produção regional.
Ao falar sobre o período em que atuou como cônsul honorário da Costa do Marfim, país também produtor de cacau, Sodré disse ter acompanhado experiências e intercâmbios técnicos. Segundo ele, o debate sobre importação e qualidade precisa ser feito com realismo e organização permanente da cadeia produtiva.
“Os produtores estão certos em gritar. O meu lado é o lado deles. Mas é preciso organizar as coisas”, declarou.
Sodré afirmou que, se eleito, não disputará reeleição. “Isso me dará mais liberdade e independência”, disse.
Definiu sua linha de atuação como independente: “Aplaudir o que estiver certo, desancar no que estiver errado. Aplaudir a oposição no que sugerir certo e atacá-la naquilo que estiver errado”.
Ele também reiterou que sua pré-candidatura não é um projeto pessoal. “Não é uma candidatura minha. Há de ser um compromisso, um interesse de todo mundo. São duas vagas para o Senado. Votem em quem quiserem, mas deem uma vaga para a própria região.”
Confira a entrevista completa:
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