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“EU ACHO QUE HOUVE UM ERRO, E ESPERO QUE ESSE ERRO NÃO SE REPITA”, DIZ BEBETO SOBRE ARTICULAÇÃO DA BASE NA ELEIÇÃO DE 2024 EM ILHÉUS

“EU ACHO QUE HOUVE UM ERRO, E ESPERO QUE ESSE ERRO NÃO SE REPITA”, DIZ BEBETO SOBRE ARTICULAÇÃO DA BASE NA ELEIÇÃO DE 2024 EM ILHÉUS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 02/10/2026 13h29

Candidato a deputado federal pelo PSD relembrou a retirada de sua candidatura a prefeito para apoiar Adélia Pinheiro e defendeu que os partidos da base sejam respeitados nas decisões políticas

A candidatura de Adélia Pinheiro à Câmara Federal foi tema de uma pergunta enviada por um ouvinte durante a entrevista de Bebeto Galvão ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta sexta-feira (2). Ao responder, o candidato pelo PSD relembrou a eleição municipal de 2024, quando também era pré-candidato a prefeito de Ilhéus e decidiu retirar sua candidatura para apoiar Adélia.

Bebeto afirmou que a decisão foi tomada em nome do que considerava ser o interesse coletivo da cidade, diante da possibilidade de fragmentação das candidaturas. “É uma obrigação política nossa quando devolvemos amor à cidade, independentemente do partido. Eu, por exemplo, fui candidato a prefeito da cidade de Ilhéus. Eu tinha um projeto de cidade na minha cabeça. Outros também foram candidatos a prefeito da cidade de Ilhéus, por exemplo, Jerbinho. Augusto foi candidato a prefeito de Ilhéus, Adélia foi candidata a prefeita. Mas chegou o momento em que estavam em jogo os elevados interesses da cidade de Ilhéus e a fragmentação nossa poderia resultar em um prejuízo grande se todos quisessem manter as suas candidaturas.”

Segundo Bebeto, havia um programa comum para a cidade e, mesmo com o desejo de seu partido de que mantivesse a candidatura, ele optou pela retirada. “Eu tive aqui, inclusive, falei com você, o programa comum para a cidade de Ilhéus. Retirei a minha candidatura, trazendo aqui deputado federal, deputado estadual, não por uma necessidade pessoal, mas o partido queria que eu mantivesse a candidatura. Mas eu disse: entre a candidatura que o partido exige e o amor que tenho pela cidade de Ilhéus, e apenas para marcar uma posição em todos fragmentados, eu vou abrir mão da minha candidatura.”

O candidato também defendeu que a política deve considerar a construção coletiva e que os gestos feitos no presente podem ter reflexos em futuras disputas. “Quem faz política com grandeza tem que entender que a política com grandeza não é eu sempre ser o candidato. A política com grandeza é, se eu fui o resultado da força coletiva de muitos, eu tenho a obrigação de cuidar de todos, até me colocar nesta condição para, se eu desejar ser candidato no futuro, em 2028, eu merecer o mesmo apoio que eu tive na eleição de 2024. Isso é grandeza, isso é maior. Melhor do que uma exigência partidária.”

Questionado por Vila Nova se ficou triste com o desfecho daquele processo, Bebeto afirmou que os métodos utilizados na articulação política precisam ser repensados, especialmente dentro do campo político ao qual pertence. “Eu acho que esses métodos que a política adota são métodos que precisam ser repensados, sobretudo no nosso campo de esquerda. Eu disse a Jerônimo e a Wagner, com quem eu tenho frequência de conversas muito mais próximas, que o estranhamento e os atravessamentos que nós tivemos aqui na cidade de Ilhéus, na definição daquela eleição de 2024, foram ruins para todos nós.”

Na sequência, Bebeto foi direto ao avaliar o processo ocorrido naquele ano. “Eu acho que houve um erro, e espero que esse erro não se repita. Aquele erro, efetivamente, que foi depois incorporado, ressignificado por todos, que resultou inclusive na unidade da candidatura, deixou marcas também em todas as lideranças. Todos desejam e querem ser respeitados.”

Para ele, a questão não estaria restrita ao episódio em si, mas à maneira como as decisões políticas são conduzidas de forma recorrente. “O problema não foi só o ato, é a forma contínua de que isso se dá, da forma contínua, contínua, como as coisas se dão.”

Bebeto também lembrou de Everaldo Anunciação (PT),  que faleceu em 2025 e que, segundo ele, fazia falta naquele processo por compreender o que considerava ser o centro de um projeto político. “Eu lembro sempre de Vevel, Everaldo. Fez muita falta. Porque ele tinha a grandiosidade de entender qual era o centro do projeto, o que era mais importante do projeto.”

Ao finalizar, Bebeto afirmou que sua avaliação não representa frustração pessoal, mas uma leitura sobre os efeitos dos gestos políticos e a necessidade de preservar relações para o futuro. “Portanto, não é frustração, não é nada disso, mas é constatação de quem vive na política. A gente tem gestos, e gestos são fundamentais, não para o presente, mas para o futuro.”

Confira a entrevista completa: 

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