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“EU NÃO GOSTO DE SURPRESA ”: JABES RIBEIRO DIZ QUE DEMISSÕES SEM DIÁLOGO PODEM LEVAR PP A “OPOSIÇÃO VIOLENTA” EM ILHÉUS

“EU NÃO GOSTO DE SURPRESA ”: JABES RIBEIRO DIZ QUE DEMISSÕES SEM DIÁLOGO PODEM LEVAR PP A “OPOSIÇÃO VIOLENTA” EM ILHÉUS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 09/10/2026 12h18

Ex-prefeito afirma que a relação com o governo de Valderico Júnior não está boa e defende uma conversa para resolver divergências e evitar que aliados sejam afastados sem aviso prévio

A relação entre o Progressistas (PP) e o governo do prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, atravessa um momento de desgaste. A avaliação foi feita pelo ex-prefeito Jabes Ribeiro, secretário-geral do PP na Bahia, durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, nesta sexta-feira (9). Ao comentar os rumores de demissões de integrantes do partido que ocupam cargos na administração municipal, ele alertou que uma eventual decisão sem diálogo poderia provocar uma reação política mais dura do grupo. “Eu não gosto de surpresa nessa história, porque um negócio desse levaria a uma oposição violenta. Isso eu não gostaria de fazer. E eu me conheço. Eu sei até onde eu posso ir”, afirmou Jabes.

A declaração ocorreu quando o ex-prefeito falava sobre a relação entre o PP e a gestão municipal. Questionado sobre um possível rompimento, ele reconheceu que o cenário não está bom e disse que tem buscado entender o que está acontecendo, sem adotar publicamente uma postura de confronto com o governo. “A relação realmente não está boa, eu não vou mentir aqui, dizer que está tudo bem, porque não está”, declarou.

O comunicador e apresentador do programa, Vila Nova, relatou que, antes das eleições, circularam rumores de que secretários e outros integrantes ligados ao PP poderiam ser demitidos. Segundo Jabes, ele procurou conversar com os integrantes do partido e conduzir a situação de maneira a evitar que as divergências prejudicassem a campanha eleitoral.

Para o dirigente, o problema não está apenas na possibilidade de mudanças na composição do governo, mas na maneira como elas poderiam ocorrer. Ele defendeu que, caso Valderico Júnior não queira mais manter a aliança com o PP, a decisão seja comunicada diretamente ao partido, em uma conversa respeitosa, e não por meio de exonerações inesperadas.

Jabes também questionou por que os desentendimentos têm chegado ao debate público em vez de serem resolvidos internamente. Ele afirmou que não costuma atacar a administração municipal e que procura tratar as divergências por meio do diálogo. “Você aqui no seu programa alguma vez me viu chegar agredindo o governo? Vamos ser sinceros? Nunca. Nem aqui, nem em nenhum lugar, porque, se eu estou dentro do governo, procuro discutir internamente. Por que o assunto acaba vindo para o rádio? Porque não há espaço de debate interno”, afirmou.

O ex-prefeito defendeu os integrantes do PP que ocupam cargos na administração e citou Cacá, Anarleide e Sayonara que, segundo ele, foram escolhidos em entendimento com o prefeito. Jabes afirmou que não tem conhecimento de envolvimento desses secretários em irregularidades e ressaltou que os considera profissionais competentes.

Ele também relatou o desconforto provocado pelos comentários sobre possíveis demissões em um período próximo à eleição. Na avaliação de Jabes, os integrantes do partido estavam trabalhando pela administração e pela campanha eleitoral e não deveriam ser surpreendidos por decisões tomadas sem uma conversa prévia. “Você imagina, em uma semana de uma eleição, dez dias antes, o boato: vai ser demitido, vai ser demitido, vai ser demitido. [...] Tem companheiros que estavam lá, suando a camisa, trabalhando dentro do projeto, ajudando a administração, lutando pela campanha do governador. E, de uma hora para outra, aquele comentário de que vai ser demitido, vai ser isso, vai ser aquilo. Você acha que isso é legal?”, questionou.

Jabes afirmou que não está reivindicando cargos para si e destacou que a situação envolve o respeito aos aliados que participam do governo. Segundo ele, o PP não deseja provocar um conflito com Valderico Júnior, mas também não pretende aceitar que seus integrantes sejam tratados de maneira desrespeitosa.

O dirigente disse que a expectativa é que o assunto seja resolvido depois do segundo turno das eleições presidenciais. Ele espera que o prefeito convoque uma reunião para discutir a situação, mas afirmou que o próprio partido poderá solicitar o encontro caso isso não aconteça. “Eu acho que chegou a hora de sentar para acertar isso. Na nossa visão, passou o segundo turno, nós vamos aguardar uma solicitação do prefeito para uma conversa ou, então, nós vamos pedir uma conversa”, declarou.

O secretário-geral do PP na Bahia ressaltou que a aliança política com o grupo de Valderico Júnior foi construída por meio de acordos e que um eventual afastamento também precisa ser conduzido com transparência. Ele lembrou que a federação formada pelo PP e pelo União Brasil tem compromissos políticos até 2028 e avaliou que uma ruptura conflituosa poderia favorecer os adversários do grupo.

Jabes disse que, se o prefeito decidir que não deseja mais contar com o PP na aliança, deverá comunicar essa posição diretamente aos dirigentes partidários. Para ele, a forma como uma eventual separação será conduzida é fundamental para preservar o respeito entre os grupos. “Se amanhã o Valderico chegar à conclusão de que não me interessa ter o PP na nossa aliança para 28, o que é que você deve fazer, Vila? De forma correta, chama, porque a gente entrou pela porta da frente, apoiando. Não devemos nada. Entramos apoiando. Queremos também, se tiver que sair, sair de forma honesta, correta e leal”, afirmou.

O ex-prefeito reiterou que o PP não está pedindo para permanecer no governo a qualquer custo, mas quer ter seus integrantes respeitados. Ele também afirmou que não deseja uma situação em que a legenda seja afastada da administração sem diálogo, especialmente depois de ter participado da construção da aliança política.

Jabes ainda disse que mantém relações respeitosas com lideranças políticas mesmo quando há divergências e lembrou que o PP já rompeu com o governo estadual em outro momento sem transformar a decisão em uma disputa pessoal. Segundo ele, o caminho deve ser o mesmo em Ilhéus: uma conversa franca, com definição clara dos próximos passos.

Ao final, Jabes reforçou que a prioridade é resolver o impasse por meio do diálogo e evitar que a relação política se deteriore ainda mais. “Nós não estamos pedindo para ficar. Nós não estamos pedindo para sair. Nós queremos tratamento respeitoso. Só isso”, concluiu.

Confira a entrevista completa:

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