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“FICOU PARECENDO QUE NÓS FOMOS OS CULPADOS, E NÃO É VERDADE” DISSE JAILSON MENDONÇA SOBRE PARALISAÇÃO NO PORTO DE ILHÉUS

“FICOU PARECENDO QUE NÓS FOMOS OS CULPADOS, E NÃO É VERDADE” DISSE JAILSON MENDONÇA SOBRE PARALISAÇÃO NO PORTO DE ILHÉUS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 23/01/2026 11h52

Representantes dos transportes afirmam que paralisação no Porto de Ilhéus foi distorcida e apontam falhas da Codeba como causa central do impasse

Uma paralisação realizada por trabalhadores do transporte na entrada do Porto de Ilhéus, na manhã desta quinta-feira (22), foi tema de debate no programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, nesta sexta-feira (23). Representantes das categorias de táxi, motoristas de aplicativos, vans e locadoras participaram da entrevista e contestaram a versão de que o ato tenha sido o principal responsável pela decisão da MSC Cruzeiros de não operar no porto nas temporadas 2026/2027.

O ex-presidente do Sindicato dos Taxistas de Ilhéus, Jailson Nascimento, afirmou que foi surpreendido pela informação divulgada sobre a paralisação e suas consequências. Segundo ele, a notícia só chegou ao seu conhecimento à noite, quando leu a reportagem do site OTabuleiro sobre o tema. “Realmente eu fiquei perplexo na minha casa”, disse, relatando que entrou em contato com colegas que atuam há muitos anos no transporte de passageiros do porto e que, ao longo do dia, não houve qualquer discussão prévia.

Jailson também afirmou que buscou informações no site oficial da Codeba e não encontrou registros que confirmassem a versão divulgada. Para ele, a decisão da MSC acabou atribuindo aos trabalhadores a responsabilidade por uma possível ausência de navios nas próximas temporadas. “Fica parecendo que nós fomos os culpados dos navios não virem, se é que não vêm, nas próximas temporadas. E não é verdade isso”, enfatizou.

Durante o programa, Vila Nova destacou que o secretário municipal de Turismo afirmou que a decisão não pode ser atribuída apenas à manifestação. Segundo ele, existem vários fatores envolvidos, entre eles o custo de operação no porto. “Ilhéus não é destino, Ilhéus é passagem. Sendo passagem, a MSC tem muito mais despesa do que receita”, explicou, acrescentando que a paralisação pode ter sido a “gota d’água”, e não a causa principal.

Vila Nova ressaltou ainda que as categorias têm direito de se manifestar, mas ponderou que esse tipo de ação não deveria ocorrer em dia de chegada de navio, para não prejudicar os visitantes. Ele destacou a importância de todos os profissionais envolvidos no atendimento ao turista, como motoristas, garçons e trabalhadores do comércio, e afirmou que a experiência do passageiro impacta diretamente na avaliação que ele faz da cidade e da própria operadora de cruzeiros.

Na sequência, Jailson Nascimento concordou com as colocações e reforçou que os trabalhadores do transporte têm feito sua parte, mas apontou a Codeba como responsável por não cumprir o “dever de casa”. Ele criticou o modelo de transbordo adotado atualmente, no qual passageiros precisam sair do navio e utilizar ônibus até o centro de convenções para então buscar outros meios de transporte. Segundo ele, durante décadas os veículos de transporte de passageiros acessaram o porto sem registro de acidentes, até que a Codeba decidiu restringir a entrada.

Jailson também destacou o impacto financeiro do atual modelo, citando que o custo médio dos ônibus de transbordo é de cerca de R$ 35 mil por navio. Para ele, a insatisfação da MSC está ligada principalmente à questão financeira e às altas taxas cobradas. “Ninguém faz nada que não tenha lucro”, afirmou, defendendo que táxis, aplicativos, vans e locadoras poderiam acessar o porto, assim como foi permitido à empresa Águia Branca.

O ex-presidente do sindicato criticou ainda a falta de diálogo com a atual gestão do porto e relatou que o tema já foi discutido diversas vezes com a Codeba, com registros em ata, sem avanços. Segundo ele, a categoria não aceita um regulamento que beneficie apenas um tipo de transporte. Jailson afirmou que houve um aviso prévio sobre a paralisação, mas que a administração do porto não acreditou que o ato aconteceria. “Eles não recuaram porque não quiseram recuar. Então, como é a culpa nossa?”, questionou, citando a redução no número de navios ao longo dos últimos anos: 33 em 2024, 28 em 2025 e, agora, 16.

“FICOU PARECENDO QUE NÓS FOMOS OS CULPADOS, E NÃO É VERDADE” DISSE JAILSON MENDONÇA SOBRE PARALISAÇÃO NI PORTO DE ILHÉUS

Representando os motoristas de vans, Carlinhos afirmou que a paralisação estava prevista para ocorrer já no primeiro navio, em resposta ao que classificou como afronta por parte da administração do porto. Ele relatou que Gilberto, representante da Codeba em Ilhéus, teria convocado uma reunião para desmentir informações divulgadas em blogs sobre o fim das temporadas 2026/2027, classificadas à época como fake news. “Depois dessa matéria, eu estou vendo que era verdade, não é fake news”, afirmou.

Segundo Carlinhos, a possibilidade de encerramento das temporadas já estava definida e teria sido usada apenas para tentar convencer as categorias a aceitarem a proposta de entrada de ônibus de passeio no porto. Ele disse que os representantes assinaram ata rejeitando a proposta, reforçando que a decisão final cabe à categoria. Carlinhos também mencionou o custo de R$ 35 mil por navio e afirmou que a MSC era a empresa que mais vendia pacotes, acrescentando que agora tentam atribuir aos trabalhadores uma conta que não é deles, relacionada a problemas que vêm desde o período pós-pandemia.

Jailson levantou a possibilidade de que a decisão da MSC também faça parte de uma estratégia para pressionar a Codeba a rever custos e regulamentos. Segundo ele, isso poderia levar à redução das despesas e à reavaliação das regras de operação no porto de Ilhéus.

Confira a entrevista completa: 

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