“NÃO HOUVE NEGLIGÊNCIA DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO”, AFIRMA EVANI CAVALCANTE SOBRE MERENDA ESCOLAR EM ILHÉUS
Secretária detalha entraves na licitação, medidas emergenciais e diz que reabastecimento das escolas já está em andamento
A secretária de Educação de Ilhéus, Evani Cavalcante, afirmou em entrevista ao programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, nesta segunda-feira (23), que não houve negligência da gestão municipal em relação à merenda escolar, ao comentar a falta de alimentos em unidades da rede no início do ano letivo.
Segundo a secretária, o problema teve origem em falhas identificadas em um processo licitatório de 2024. “Quando assumimos em 2025, nós não tínhamos licitação de alimentação escolar. Havia um processo com vários erros de cotação, que não tinha mais viabilidade de continuar”, explicou.
Diante disso, a gestão adotou um contrato emergencial. Evani destacou que os valores não foram totalmente utilizados. “Uma coisa é contratar com um valor, outra é executar. Nós terminamos o contrato com um saldo significativo”, afirmou.
Ela relatou ainda a situação encontrada nas escolas. “As escolas estavam zeradas. Não havia comida, e o que tinha estava vencido ou muito próximo de vencer. Muitos produtos estavam ruins”, disse, acrescentando que algumas unidades chegaram a ser invadidas.
O novo processo de licitação foi iniciado em junho de 2025, seguindo os trâmites legais. “Estamos falando do maior contrato da educação, com mais de 19 mil alunos. Qualquer erro faz o processo voltar”, pontuou. Durante a tramitação, houve impugnações ao edital. “Acatamos uma impugnação porque havia erro' Ela admitiu que o controle interno falhou: "corrigimos”.
Outro fator que impactou o processo foi o resultado do pregão. Dos seis lotes, apenas um teve empresa vencedora. “Cinco lotes foram fracassados, porque as empresas não estavam aptas. Faltava documentação ou exigências obrigatórias”, explicou.
Para amenizar a situação, a secretaria realizou remanejamento de alimentos entre as unidades. “Pegamos escolas com maior estoque, levamos para um local seguro e redistribuímos, com controle diário da qualidade”, afirmou.
A previsão inicial era manter o abastecimento até após o Carnaval. “O que não contamos foi com os lotes fracassados, o que ultrapassou a organização interna”, disse.
A possibilidade de desabastecimento foi identificada ainda na semana do Carnaval. “Não havia como fazer outro contrato emergencial. Então utilizamos saldos de contratos já existentes e priorizamos creches, educação infantil e escolas em tempo integral”, explicou.
Evani também comentou um episódio em que uma escola anunciou suspensão das aulas por falta de merenda. “Naquele dia, estávamos em reunião tratando exclusivamente da alimentação. A unidade seria atendida na segunda-feira. Não faltavam itens básicos, mas produtos como tomate, cebola e pimentão”, afirmou. Ela descartou boicote. “Prefiro entender como desespero ou pressão”, disse.
A secretária reforçou que a equipe trabalhou de forma intensiva para resolver o problema. “Começamos a trabalhar no domingo às 9h e saímos quase meia-noite. No outro dia, às 6h50, já estávamos nas ruas novamente. Eu não deixo minha equipe sozinha. Se eu não estiver junto, que exemplo estou dando?”, declarou.
Segundo ela, apesar da repercussão, poucos questionamentos formais foram feitos. “Tivemos um problema, sim, mas poucos ofícios foram enviados oficialmente para saber a situação da alimentação”, pontuou.
Evani informou que o reabastecimento da rede municipal já está em andamento. “Desde a última quinta-feira, a empresa da ata de adesão já está na cidade fazendo o reabastecimento de todas as unidades”, afirmou. A distribuição segue critérios de prioridade. “Começamos pelas escolas em tempo integral e creches, que têm três refeições por dia, além da zona rural”, explicou.
A secretária citou exemplos do processo logístico. “Juerana já recebeu em todos os anexos. Outras unidades estão recebendo gradualmente, conforme a logística permite”, disse, destacando as dificuldades de acesso no município. “A estrutura física de Ilhéus e os acessos tornam o processo logístico complicado”, afirmou.
Mesmo com o abastecimento em curso, o processo licitatório segue. “Os lotes foram republicados no dia 13, e o pregão eletrônico está previsto para 26 de março. Esperamos que não haja novos lotes fracassados”, disse.
A secretária afirmou ainda que a gestão já se preparou para possíveis novos entraves. “Temos dois processos paralelos prontos, caso aconteça alguma eventualidade. Não estamos parados”.
Questionada sobre a possibilidade de acionamento do Ministério Público, Evani afirmou estar tranquila. “Primeiro, talvez pela minha formação técnica. Segundo, por causa do que a gente fez administrativamente. Ninguém está aqui brincando”, declarou.
Ela também comparou a situação com anos anteriores. “Eu tenho relatório do Conselho de Alimentação Escolar apontando 108 dias letivos sem comida em 2022. Em outros anos também houve redução de remessas, mesmo com licitação em andamento. Mas ninguém acionou o Ministério Público”, afirmou.
Confira a entrevista completa:
Deixe seu comentário para “NÃO HOUVE NEGLIGÊNCIA DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO”, AFIRMA EVANI CAVALCANTE SOBRE MERENDA ESCOLAR EM ILHÉUS