ÀS VÉSPERAS DE COMPLETAR UM ANO, TRIPLO HOMICÍDIO DAS TRÊS MULHERES AINDA GERA DÚVIDAS EM ILHÉUS
Crime ocorrido na Praia dos Milionários em 15 de agosto de 2025 chocou a cidade, teve repercussão nacional e ainda provoca questionamentos sobre a autoria
Um ano depois, o triplo homicídio que chocou Ilhéus e teve repercussão em todo o país ainda permanece presente na memória da população. Neste sábado (15), quando completa um ano do assassinato de Alexsandra Oliveira Suzart, de 45 anos, Maria Helena do Nascimento Bastos, de 41, e Mariana Bastos da Silva, de 20, o caso ainda provoca comoção, insegurança e questionamentos entre moradores da cidade.

As três mulheres saíram para caminhar com o cachorro de Mariana na tarde de 15 de agosto de 2025. Elas moravam em um condomínio próximo à Praia dos Milionários, na zona sul de Ilhéus.

Câmeras de segurança registraram as três caminhando nas proximidades das barracas da praia. Depois disso, não foram mais vistas.

Na manhã do dia seguinte, 16 de agosto, os corpos foram encontrados em uma área de restinga. As três apresentavam marcas de facadas.

A brutalidade do crime provocou uma onda de comoção em Ilhéus. Protestos pacíficos foram realizados com pedidos de justiça e esclarecimento do caso.

O episódio também aumentou a sensação de insegurança na cidade e passou a ser acompanhado de perto pela imprensa nacional.

Dez dias após o crime, Thierry Lima da Silva foi preso por tráfico de drogas. Durante audiência de custódia, ele confessou o triplo homicídio. Segundo o depoimento, teria agido sozinho e matado as três mulheres durante uma tentativa de assalto. Ele também admitiu, segundo a investigação, ter matado o próprio companheiro em outra ocasião.

A versão apresentada pelo investigado, porém, não encerrou os questionamentos sobre o caso.

Exames realizados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) não identificaram material genético de Thierry sob as unhas ou no corpo das vítimas. Também não foram encontradas digitais ou DNA dele, nem das vítimas, nas três facas apreendidas durante a investigação como possíveis armas utilizadas no crime.
A ausência desses elementos periciais passou a alimentar dúvidas entre parte da população sobre a participação de Thierry no crime e, principalmente, sobre a possibilidade de ele ter agido sozinho.
A Polícia Civil, no entanto, concluiu a investigação apontando Thierry como responsável pelo triplo homicídio. O inquérito foi finalizado e encaminhado ao Poder Judiciário em 19 de dezembro de 2025, com o indiciamento por latrocínio e pedido de prisão preventiva.
De acordo com a investigação, diligências de campo, imagens de câmeras de segurança, depoimentos de familiares e testemunhas, exames periciais e outros elementos reunidos durante a apuração sustentaram o indiciamento.
O Ministério Público da Bahia também entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade e apresentou denúncia à Justiça. A acusação foi recebida pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Ilhéus, tornando Thierry réu pelo triplo homicídio.
Apesar da conclusão policial e do avanço do processo judicial, a autoria continua sendo um dos pontos que mais despertam questionamentos na cidade. Para parte dos moradores, a falta de material genético do acusado nas vítimas e nas facas não combina com a versão de que ele teria cometido sozinho um crime dessa natureza. Por outro lado, Polícia Civil e Ministério Público sustentam que o conjunto de elementos reunidos durante a investigação é suficiente para embasar a acusação.
Um ano depois, a história permanece sem uma resposta que tenha convencido completamente a população ilheense. As famílias perderam três mulheres em uma tarde que deveria ser apenas mais um passeio pela praia. Ilhéus, por sua vez, ficou marcada por um crime que ultrapassou as fronteiras do município e que, mesmo após a prisão de um suspeito e a conclusão do inquérito, ainda desperta dúvidas sobre o que realmente aconteceu naquela tarde de agosto.
Deixe seu comentário para ÀS VÉSPERAS DE COMPLETAR UM ANO, TRIPLO HOMICÍDIO DAS TRÊS MULHERES AINDA GERA DÚVIDAS EM ILHÉUS