“SAIO POR FALTA DE PRIORIDADE, QUEBRA DE CONFIANÇA E AUSÊNCIA DE DECISÃO COLETIVA”, DIZ BEBETO GALVÃO SOBRE SAÍDA DO PSB
Ex-deputado federal e suplente de senador explicou, em entrevista ao programa O Tabuleiro, os motivos que o levaram a deixar o partido após 23 anos e se filiar ao PSD
O suplente de senador, ex-deputado federal e ex-vice-prefeito de Ilhéus, Bebeto Galvão, afirmou que sua saída do PSB após 23 anos de militância foi motivada pela falta de prioridade dentro da legenda, pela quebra de confiança na relação política e pela ausência de decisões coletivas sobre os rumos do partido na Bahia. A declaração foi dada durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, nesta terça-feira (10), conduzida pelo comunicador e apresentador Vila Nova.
Ao iniciar a conversa, Vila Nova questionou Bebeto sobre o que o motivou a deixar o PSB depois de mais de duas décadas de atuação na legenda, período em que ocupou cargos de direção municipal, estadual e nacional. Bebeto destacou sua trajetória dentro do partido e o papel que afirma ter desempenhado na expansão da legenda no estado. “O PSB é um partido que eu ajudei a interiorizar, a trabalhar, a eleger vereadores e prefeitos, a organizar parte do movimento social. Sempre disse ao partido que era preciso usar essa aliança histórica com o PT para crescer o partido e apresentar um projeto de poder”, afirmou.
Ele relembrou que, em entrevista anterior ao próprio programa, já havia alertado sobre a necessidade de reconhecimento político dentro da legenda. “Eu disse a você, Vila: eu tenho crédito neste partido, porque em 23 anos de militância ajudei a interiorizar o partido, a crescer a sua influência em outros lugares. Ajudei a eleger um conjunto de prefeitos importantes em todo o estado, fiz alianças para indicar vice-prefeitos, vereadores e trouxe parte do movimento sindical que eu lidero na Bahia para ser uma expressão social do partido”, declarou.
O ex-deputado também recordou a eleição de 2018, quando abriu mão da própria reeleição para deputado federal para contribuir com a unidade política do grupo. “Na minha reeleição garantida em 2018, eu optei por cumprir um desafio para evitar a fragmentação da nossa base. Atendi ao apelo do senador Wagner e do governador Rui para ajudar na construção da unidade interna. Optei por ser um sujeito coletivo de projeto para conferir ao partido a condição de sair unido”, disse.
Segundo Bebeto, naquele momento ele esperava que sua trajetória fosse reconhecida no futuro com prioridade dentro do partido. “Eu disse muito claramente: já dei muito ao partido, ajudei muito. Só estarei no partido se ele me conferir a condição de ser o candidato prioritário. Agora eu quero essa prioridade, reconhecer também o meu tamanho interno, a minha trajetória e tudo aquilo que foi feito por mim para engrandecer o partido”, afirmou.
No entanto, ele disse que passou a perceber incertezas sobre o espaço político que teria na legenda. “Depois das incertezas no interior do partido, se teria condição de fazer um ou dois deputados e se eu teria a prioridade necessária, vendo que o caminho que se desenhava passava ao lado dessa prioridade, eu me senti publicamente constrangido”, declarou.
Bebeto afirmou que chegou a cobrar uma posição da direção partidária para evitar especulações sobre outras possíveis candidaturas. “Cobrei inclusive da própria presidente do partido uma nota para evitar que esse tipo de comportamento continuasse, porque gerava dissabores não apenas a mim, mas também a tantas pessoas que eu estava organizando para virem para a base do partido como candidatos a deputado federal e estadual”, disse.
Ele relatou ainda que tentou construir soluções internas antes de tomar a decisão de sair do PSB. “Eu sou uma pessoa que gosta de construir consenso progressivo, mas não gosto que entendam isso como facilidade. Eu não sou uma pessoa passiva. Sou tranquilo, gosto de diálogo, mas não posso me colocar à mercê da vontade do outro”, afirmou.
Diante do cenário de incerteza dentro da legenda, Bebeto contou que passou a discutir alternativas políticas com outros aliados. “Criei um grupo com o deputado Raimundo Costa e o ex-prefeito Adriano para analisar possibilidades entre PSB e outros partidos. Conversamos com Podemos, PDT e MDB, analisando os projetos mais efetivos, partidos com densidade, capilaridade e estrutura no Brasil e na Bahia”, explicou.
Segundo ele, após avaliar os cenários, concluiu que não havia mais condições de permanecer no PSB. “Disse ao partido que lamentavelmente as circunstâncias políticas, a falta de prioridade e sobretudo o tratamento da relação levaram a uma quebra de confiança. E quando há uma quebra de confiança não há por que continuar”, afirmou.
Apesar da saída, Bebeto disse que prefere preservar as relações construídas ao longo dos anos. “Eu prefiro manter os amigos que construí no PSB do que construir inimizades pela política. A confiança se quebra, encerra-se um ciclo”, declarou.
Ao resumir os motivos da decisão, o ex-deputado foi direto. “Eu numero para você: falta de prioridade por tudo que já fiz pelo partido em relação à minha trajetória; segundo, uma nominata instável que não dava confiança para a permanência; e terceiro, falta de decisão coletiva sobre a forma de conduzir o partido na Bahia”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
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