“SE NÃO EXISTE INADIMPLÊNCIA, POR QUE OS PRESTADORES ESTÃO SUSPENDENDO ATENDIMENTOS?” QUESTIONA VILA NOVA SOBRE CRISE NO PLANSERV
Suspensão de novos atendimentos na Santa Casa de Itabuna reacende críticas sobre gestão do plano de saúde dos servidores estaduais e atrasos nos repasses a prestadores
Durante o programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quinta-feira (12), o comunicador e apresentador Vila Nova fez duras críticas à situação enfrentada pelos beneficiários do Planserv, plano de saúde destinado aos servidores públicos do Estado da Bahia. A cobrança ocorreu em meio a divulgação do comunicado da Santa Casa de Misericórdia de Itabuna informando a suspensão de novos atendimentos para usuários do plano.
Ao comentar o problema ao vivo, Vila Nova afirmou que a situação gera questionamentos, já que o plano não apresenta inadimplência entre os beneficiários.
“Tem um plano de saúde que é o plano de saúde do servidor do estado, que é o Planserv. Esse plano de saúde não tem inadimplência. Quem tem o plano paga. Não existe inadimplência. Se não existe inadimplência e ainda assim tem prestadores suspendendo atendimento, tem alguma coisa que não está batendo, tem alguma coisa que está errada e que precisa ser investigada imediatamente”, disse.
Segundo o apresentador, muitos servidores contribuem regularmente para o plano e, ainda assim, enfrentam dificuldades no momento em que precisam utilizar o serviço.
“Os servidores pagam por esse plano de saúde e, na hora de utilizar, muitas vezes não conseguem atendimento. Alguns prestadores reclamam do atraso no repasse. Prestam o serviço e o Planserv demora horrores para fazer o pagamento. O que acontece? O prestador deixa de abrir vagas ou suspende temporariamente o atendimento”, afirmou.
Vila Nova voltou a destacar que as mensalidades são descontadas diretamente na folha de pagamento dos servidores, tanto ativos quanto aposentados, o que, segundo ele, reforça a necessidade de esclarecimentos sobre a gestão do plano.
“A inadimplência do Planserv é zero. O servidor do estado já tem o valor descontado no contracheque. Se o dinheiro é repassado, por que acontecem esses problemas? Os deputados precisam pedir uma investigação no Planserv”, declarou.
Críticas ao governo
Durante o programa, Vila Nova também direcionou críticas ao governo estadual e cobrou providências para garantir assistência adequada aos servidores.
“O servidor paga pelo plano e tem direito ao atendimento. Quando ele procura o serviço é porque precisa. O Planserv tem obrigação de atender e atender bem, porque é um serviço que já foi pago”, afirmou.
Vila Nova também responsabilizou diretamente o governador pela situação enfrentada pelos servidores estaduais. Segundo ele, como chefe do Executivo, cabe ao gestor garantir que o plano funcione de forma adequada. “Governador, lamentavelmente o senhor é muito ruim, muito perverso com os servidores do nosso estado. Isso é pura perversidade”, afirmou, ao cobrar mais respeito aos servidores que contribuem mensalmente com o Planserv e enfrentam dificuldades para conseguir atendimento quando precisam utilizar o serviço.
Ao final da fala, o apresentador disse esperar que o plano volte a oferecer segurança aos beneficiários.
“Espero que o mais rápido possível o Planserv possa ser um grande plano de saúde e que os servidores tenham segurança. Porque, do jeito que está hoje, muitos não conseguem confiar no atendimento justamente no momento em que mais precisam”, concluiu.

Suspensão na Santa Casa de Itabuna
A cobrança feita pelo comunicador ocorreu no mesmo dia em que a Santa Casa de Misericórdia de Itabuna anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, dos atendimentos a novos beneficiários do Planserv. A medida passou a valer nesta quinta-feira (12).
De acordo com o comunicado da instituição, a decisão foi tomada porque o hospital atingiu o teto orçamentário definido pelo plano, além da existência de pendências financeiras e administrativas.
Com a suspensão, servidores estaduais da ativa, aposentados e dependentes não poderão iniciar novos atendimentos pelo plano na unidade. A Santa Casa informou, no entanto, que pacientes já internados ou que realizam tratamento continuado, como oncologia, nefrologia e radioterapia, continuarão recebendo assistência normalmente.
A instituição também afirmou que a decisão foi tomada de forma responsável e que mantém diálogo com o Planserv para buscar a regularização da situação e a retomada integral dos atendimentos.
Aumento nas contribuições
A crise no atendimento ocorre em um momento de mudanças na forma de cobrança do plano de saúde dos servidores estaduais. Uma nova legislação passou a valer neste ano e alterou as regras de contribuição.
Entre as mudanças, foi estabelecida a cobrança de 5,5% sobre a remuneração dos servidores, percentual que deverá chegar a 6% em 2027. O valor mínimo da mensalidade foi fixado em R$ 120.
Dependentes também passaram a contribuir. Cônjuges ou companheiros pagam o equivalente a 50% da contribuição do titular, enquanto outros dependentes devem arcar com 22%, respeitando o valor mínimo estabelecido.
A participação financeira do Estado também será ampliada gradualmente, passando de 2,5% para 3,25% neste ano, com previsão de atingir 4% em 2027.
As mudanças provocaram críticas de parte do funcionalismo, já que, em alguns casos, o reajuste nas contribuições ultrapassou 100%.
Protestos de servidores
A insatisfação com o funcionamento do Planserv já havia motivado protestos anteriormente. Em novembro de 2025, servidores públicos estaduais realizaram uma manifestação em Salvador contra o que classificaram como sucateamento do plano.
O ato ocorreu em frente ao Hospital de Brotas, unidade que atende exclusivamente usuários do Planserv. Durante o protesto, manifestantes denunciaram o descredenciamento de clínicas, dificuldades para marcar consultas e exames e problemas na assistência oferecida aos beneficiários.
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