“SEM DELEGACIA ESPECIALIZADA, OS PROCESSOS VÃO PARA O FUNDO DA FILA”, DIZ PROFESSOR GURITA SOBRE CRIMES CONTRA CRIANÇAS EM ILHÉUS
Vereador afirma que sensação de impunidade contribui para aumento dos casos e defende estrutura específica para acelerar investigações e punições
Durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (06), o vereador Professor Gurita voltou a defender a implantação de uma delegacia especializada para atender casos de violência contra crianças e adolescentes em Ilhéus. Segundo ele, a ausência dessa estrutura contribui para a demora das investigações e fortalece a sensação de impunidade.
Ao ser questionado pela apresentadora Vila Nova sobre o aumento dos casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes em Ilhéus, o vereador Professor Gurita afirmou que a situação é preocupante. “Tem aumentado. E isso nos assusta muito. É realmente assustador”, declarou. Segundo ele, muitos casos sequer chegam ao conhecimento público. “Se todas as denúncias chegassem à imprensa e à cidade, todos nós ficaríamos muito mais assustados.”
O vereador destacou que o crescimento das ocorrências está ligado a dois fatores. “Os números aumentam, sobretudo, porque as pessoas que praticam isso, essa atrocidade, seja do sexo feminino, sexo masculino, se sente à vontade para praticar essa ação na cidade (...) e também porque aumentou o número da denúncia, devido às campanhas de conscientização permanente.”, afirmou.
Durante a entrevista, Gurita relacionou a sensação de liberdade dos agressores à falta de uma delegacia especializada em Ilhéus. “Nós temos lutado há muitos anos aqui em Ilhéus por essa delegacia especializada em crimes contra a criança e o adolescente”, disse.
Segundo ele, atualmente os casos passam por órgãos como Conselho Tutelar, CREAS, Ministério Público e delegacias já sobrecarregadas com outras demandas. “Nessas delegacias, os processos vão para o fundo da fila, e nunca chegam à Justiça em tempo urgente”, afirmou.
O vereador explicou que a reivindicação não se resume à criação de um espaço físico, mas também à disponibilização de profissionais específicos para atuar exclusivamente nesses casos. “Não é apenas o espaço da delegacia. É a indicação de um ou dois delegados que venham especificamente cuidar dessa causa aqui no município”, ressaltou.
Gurita também defendeu que o atendimento seja feito, preferencialmente, por uma mulher. “Eu disse que seria melhor que fosse uma delegada, porque a criança e o jovem se sentem mais à vontade para se abrir com uma mulher e prestar depoimento”, pontuou.
Segundo ele, a demora nos processos acaba incentivando a repetição dos crimes. “Não chega à Justiça em tempo urgente para que haja julgamento e penalização. Aí os pedófilos e abusadores praticam a vontade”, declarou.
O vereador afirmou ainda que já levou a demanda ao Governo do Estado em diversas ocasiões. “Todo governador que assume, eu vou em audiência com o secretário de Segurança Pública. Já fui ao secretário Marcelo Werner duas vezes”, relatou. De acordo com Gurita, houve promessa de realização de concurso e designação de delegados para atuar em Ilhéus.
Durante a entrevista, a jornalista Aline Cardoso comentou sobre a repercussão de um caso recente ocorrido no Banco da Vitória e destacou a preocupação com a necessidade de mobilização popular para que situações assim ganhem atenção pública.
Gurita respondeu dizendo acreditar que os órgãos responsáveis já atuavam no caso antes da repercussão. “Tenho certeza absoluta que, quando aconteceu o fato, a família procurou o CREAS ou o Conselho Tutelar, que já estavam dando andamento”, disse. Segundo ele, os procedimentos acontecem de forma interna e sigilosa, para preservar a vítima, até que haja avanço nas investigações.
Mesmo assim, o vereador reforçou que a população acaba cobrando respostas mais rápidas diante da gravidade dos casos. Para ele, a criação de uma delegacia especializada é fundamental para garantir mais agilidade, fortalecer a rede de proteção e impedir que crimes contra crianças e adolescentes continuem enfrentando demora na responsabilização dos agressores em Ilhéus.
Confira a entrevista completa:
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