TERREIROS DE CANDOMBLÉ REPUDIAM VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ALERTAM PARA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA APÓS CASO DO BEBÊ NOAH
Notas divulgadas por lideranças religiosas condenam crimes contra crianças, cobram investigação responsável e criticam a associação de religiões de matriz africana a supostas práticas ritualísticas sem comprovação.
Lideranças de terreiros de Candomblé divulgaram notas públicas de repúdio após o caso envolvendo o desaparecimento do bebê Noah, de 11 meses, no sul da Bahia. Nos posicionamentos, as comunidades religiosas condenam qualquer forma de violência contra crianças e manifestam preocupação com comentários que associam o episódio a supostas práticas ritualísticas de religiões de matriz africana.

O INZO KAFUN UA KESU, da Nação Angola e tradição Bantu, repudiou a violência, a intolerância religiosa, a desinformação e os julgamentos precipitados. A instituição manifestou solidariedade à criança e à família e defendeu que as circunstâncias do caso sejam esclarecidas pelas autoridades, com base em fatos e provas.
Na nota, o terreiro também condenou a violência contra animais e destacou que informações não comprovadas não devem ser utilizadas para criminalizar ou difamar comunidades religiosas inteiras. O texto alerta para os riscos da disseminação de acusações nas redes sociais antes da conclusão das investigações.
O posicionamento ressalta ainda que a conduta de uma pessoa não pode ser atribuída a toda uma religião. Para a comunidade, as tradições de matriz africana devem ser tratadas com respeito, sem que boatos sejam transformados em justificativa para preconceito ou perseguição religiosa.
Ilê Alaketú também manifesta repúdio
Em outra manifestação, o Ilê Alaketú Asé Omi T'Ogun reafirmou seu compromisso com a proteção da vida, a solidariedade e o respeito aos direitos humanos, especialmente de crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Assinada pelo Bábálorisá Loro T'Osógyòn, a nota afirma que o Candomblé é uma religião fundamentada na paz, no amor, no respeito e no cuidado com o próximo. O texto enfatiza que atos praticados individualmente não representam a fé, a história e a ancestralidade de toda a comunidade religiosa.

A manifestação também defende que a justiça seja feita e que a verdade prevaleça, reiterando o compromisso do terreiro com a proteção das crianças e o respeito à vida.
Caso segue sob investigação
Noah, de 11 meses, foi levado na noite de terça-feira (13), no distrito de Ponto do Astério, em Firmino Alves, e encontrado na manhã de quarta-feira (14), em uma cabana na Praia do Sul, em Ilhéus. Dois suspeitos de envolvimento no sequestro foram presos durante uma operação policial na região de Ibicuí.
As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do crime e a participação dos suspeitos. As lideranças religiosas defendem que a apuração ocorra com responsabilidade e que informações não confirmadas não sejam usadas para alimentar a intolerância religiosa.
Deixe seu comentário para TERREIROS DE CANDOMBLÉ REPUDIAM VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ALERTAM PARA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA APÓS CASO DO BEBÊ NOAH