Aguarde, carregando...

O Tabuleiro

ADVOGADO DE MULHERES QUE DENUNCIARAM ROSSINI EM 2023 PEDE A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO APÓS MORTE DE ADRIELE EM ILHÉUS

ADVOGADO DE MULHERES QUE DENUNCIARAM ROSSINI EM 2023 PEDE A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO APÓS MORTE DE ADRIELE EM ILHÉUS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 28/08/2026 10h58

Gustavo Azevedo afirma que há processos judiciais ainda sem audiência, relata impacto psicológico entre as denunciantes e defende atenção especial ao histórico de reclamações contra o médico

O caso envolvendo o cirurgião plástico Rossini Tebaldi Ruback voltou a ser discutido após a morte da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, em um procedimento cirúrgico realizado no Hospital Vida, em Ilhéus. Nesta sexta-feira (28), o advogado Gustavo Azevedo, que representa parte das mulheres que denunciaram o médico em 2023, falou sobre o histórico das denúncias, o andamento dos processos e a situação das pacientes durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM.

Segundo Gustavo, ele foi chamado para representar as mulheres ainda em 2023, quando um grupo com mais de 30 supostas vítimas começou a se organizar após uma tomar conhecimento do caso da outra. “Uma foi sabendo da outra e houve uma comoção social ao ponto de se criar um grupo”, afirmou.

O advogado contou que orientou as mulheres a formalizarem denúncias junto ao Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) e que a maioria, segundo ele, realizou o procedimento.

DENÚNCIAS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS

Questionado sobre a informação divulgada pelo Cremeb de que atualmente não há processo ético-profissional em tramitação contra Rossini no Tribunal de Ética Médica, Gustavo disse ter ficado surpreso. “Essa notícia inclusive me causou um certo espanto de reflexão”, declarou.

De acordo com ele, nos casos que tem conhecimento e que já foram analisados administrativamente, o médico foi absolvido na maioria. “Os pareceres técnicos do Cremeb não concluíam por vislumbrar qualquer tipo de manobra que não fosse nem agressiva, nem lesiva ao corpo das vítimas”, afirmou.

O advogado disse ainda que essas conclusões ocorreram mesmo diante das imagens e de outros materiais apresentados pelas mulheres.

“A SENSAÇÃO COMUM DE TODAS É A IMPUNIDADE”

Ao ser questionado se acredita que exista algum tipo de corporativismo na condução dos casos, Gustavo afirmou que, por representar parte das mulheres, precisa fazer uma distinção entre sua posição profissional e sua avaliação pessoal. “Eu acredito, sim, que houve um certo acolhimento que não deveria ocorrer”, disse.

Ele evitou afirmar a existência de tráfico de influência, classificando essa possibilidade como uma nomenclatura “muito pesada”, mas afirmou que, em sua avaliação pessoal, poderia ter ocorrido um acolhimento que talvez não acontecesse com outro profissional.

Sobre as mulheres que representa, o advogado afirmou que elas carregam consequências emocionais desde os procedimentos. “Todas se sentem, não se sentem reprimidas, sentem que seu corpo, de fato, foi violado. E a sensação comum de todas é a impunidade”, relatou.

Segundo Gustavo, essa sensação estaria relacionada tanto à permanência do médico em atividade quanto à demora dos processos judiciais.

Ele afirmou que alguns processos estão mais avançados, embora atrasados, enquanto outros enfrentam demora ainda maior. Segundo o advogado, há processo com três anos de tramitação que ainda não teve audiência.

DOIS JUÍZES DECLARARAM SUSPEIÇÃO

Na sequência, Gustavo foi questionado sobre situações em que magistrados teriam se declarado suspeitos em processos envolvendo suas clientes. Ele confirmou que isso ocorreu em dois casos. “Temos dois”, afirmou, ao ser questionado sobre a quantidade de processos em que houve declaração de suspeição.

Questionado se isso poderia indicar proximidade de Rossini com determinados magistrados, o advogado afirmou que não poderia fazer uma afirmação nesse sentido. “A gente imagina que sim, mas não podemos declarar, inclusive eu, qualquer tipo de afirmação”, declarou.

Gustavo afirmou, contudo, que, considerando os lugares frequentados pelo médico e suas relações sociais, “talvez tenha uma certa influência, talvez tenha um certo conhecimento”.

Sobre uma possível influência política, ele disse que existem rumores sobre essa possibilidade, mas ressaltou que não possui elementos para confirmá-la.

JUSTIÇA PODERIA IMPEDIR ATUAÇÃO?

O advogado também foi questionado se a Justiça poderia determinar que Rossini deixasse de atuar profissionalmente enquanto os processos ainda estivessem em andamento. “Com certeza. Sem sombra de dúvidas”, respondeu.

Gustavo afirmou que, diante da quantidade de casos, seria necessária uma atenção maior das autoridades. Ele aproveitou para fazer um apelo ao Ministério Público por uma atuação mais presente. “Eu gostaria de convidar até o Ministério Público para ser um pouco mais presente, um pouco mais atuante”, disse.

Para o advogado, o poder público precisa intervir diante do histórico de denúncias.

O advogado também fez referência à informação divulgada pelo O Tabuleiro de que o centro cirúrgico do Hospital Vida não possuía alvará de funcionamento para a atividade. Na avaliação dele, esse fato, caso confirmado pelas autoridades competentes, representa um elemento grave a ser considerado na apuração. “Isso, por si só, já condiciona um erro muito grave”, declarou.

Confira a entrevista completa:

" target="_blank">

Deixe seu comentário para ADVOGADO DE MULHERES QUE DENUNCIARAM ROSSINI EM 2023 PEDE A ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO APÓS MORTE DE ADRIELE EM ILHÉUS

* Campos obrigatórios
Avalie Este Conteúdo: 1 2 3 4 5

Veja também:

Confira mais artigos relacionados e fique ainda mais informado!