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ALISSON GONÇALVES DEFENDE VLT ENTRE ILHÉUS E ITABUNA E DIZ QUE MODAL É “VIÁVEL” E “POSSÍVEL”

ALISSON GONÇALVES DEFENDE VLT ENTRE ILHÉUS E ITABUNA E DIZ QUE MODAL É “VIÁVEL” E “POSSÍVEL”
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 17/09/2026 13h00

Superintendente da SDE relaciona implantação do transporte sobre trilhos à integração entre os dois municípios e ao desenvolvimento regional

A possibilidade de implantação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) entre Ilhéus e Itabuna foi considerada viável por Alisson Gonçalves, superintendente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE). Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quinta-feira (17), ele relacionou a discussão sobre o modal à necessidade de ampliar a integração entre os dois municípios e pensar o desenvolvimento regional para além de projetos isolados.

Alisson afirmou que acompanhou a entrevista do prefeito de Itabuna, Augusto Castro, sobre o assunto e avaliou que o transporte sobre trilhos apresenta vantagens ambientais e econômicas. Segundo ele, mesmo reconhecendo que determinadas obras podem envolver áreas de preservação, o modal pode ser uma alternativa menos poluente e mais eficiente. “Primeiro que o transporte sobre trilho é ambientalmente mais adequado. [...] Além de ser economicamente mais viável também, menos poluente e mais efetivo”, afirmou.

Ao dimensionar a distância entre as duas cidades, Alisson comparou a ligação Ilhéus-Itabuna com o trecho entre Salvador e Feira de Santana e observou que o percurso entre os municípios do sul da Bahia seria menor. Segundo ele, considerando a localização das estações, a distância poderia ficar em torno de 35 quilômetros.

Na avaliação do superintendente, a demanda existente entre Ilhéus e Itabuna também é um elemento importante para a discussão. Ele criticou o atual modelo de transporte utilizado pela população da região, citando a atuação de empresas de um mesmo grupo e classificando o sistema como insuficiente para atender às necessidades dos passageiros. “Isso é um sistema que, na minha opinião, precisa ser revisto, porque já é ineficiente, já não atende à população”, declarou.

Para Alisson, o debate sobre mobilidade não deveria ficar restrito às duas cidades. Ele defendeu que a discussão seja associada ao desenvolvimento da região cacaueira e à possibilidade de uma organização regional que fortaleça os municípios nas decisões econômicas e administrativas. “Precisamos discutir o desenvolvimento da região cacaueira e não perder de vista, não ser só retórica bonita para período de eleição, a discussão de uma região metropolitana”, afirmou.

O superintendente também citou a experiência do metrô entre Salvador e Lauro de Freitas como exemplo de que sistemas sobre trilhos podem ser utilizados para conectar municípios. A partir disso, avaliou que um VLT entre Ilhéus e Itabuna poderia futuramente alcançar outras cidades do entorno. “É viável, é possível, um modelo de VLT [...] ligando os municípios de Ilhéus e Itabuna”, disse.

Na visão de Alisson, uma eventual integração poderia beneficiar também municípios próximos, como Buerarema, São José da Vitória, Barro Preto, Itajuípe e Almadina. Ele afirmou que, com um processo de regionalização, o mesmo modelo poderia futuramente interligar outros municípios.

A discussão, porém, foi inserida pelo entrevistado em uma questão mais ampla: a necessidade de Ilhéus e Itabuna atuarem conjuntamente em pautas de interesse regional. Segundo Alisson, as duas cidades são polos e deveriam exercer maior liderança sobre as demandas dos municípios do entorno.

Ele avaliou que a falta de alinhamento entre as administrações dos dois municípios ao longo dos anos dificultou a construção de uma agenda comum. Para Alisson, independentemente da posição partidária dos gestores, Ilhéus e Itabuna precisam reconhecer que há interesses que ultrapassam os limites de cada município. “Se Ilhéus e Itabuna não entenderem, na prática, que precisam daquilo que reflete o interesse da região, estarem unidas, a gente não tem pautas regionais comuns aos municípios da região”, afirmou.

Alisson também atribuiu aos dois maiores municípios a responsabilidade de impulsionar a articulação regional. Segundo ele, cidades menores enfrentam problemas próprios de suas realidades e não podem carregar sozinhas a tarefa de coordenar uma agenda que envolva toda a região. “Essa responsabilidade [...] de liderar isto é, primeiro, na minha opinião, dos maiores municípios da região. Ilhéus, Itabuna”, declarou.

Ao ampliar a análise, o superintendente defendeu que a região volte a disputar espaço nas decisões econômicas e no orçamento do Estado. Para ele, Ilhéus e Itabuna podem exercer papel semelhante ao de outros polos regionais da Bahia. “Pensar grande e pensar pequeno, eu que sou da área de Desenvolvimento Humano, aprendi isso muito cedo, dá o mesmo trabalho, então é melhor pensar grande”, afirmou.

Na avaliação de Alisson, uma proposta dessa dimensão precisaria ser apresentada de forma articulada, com municípios unidos em torno de um projeto regional. Ele também criticou o que considera uma redução da capacidade de formulação de grandes ideias na política. “Eu acho que uma grande ideia dessa, na mesa de qualquer governante, com proposta, com projeto, em nome de uma região, com 20, 30 prefeitos unidos, para discutir, debater e defender, quem é o governante que não pauta essa discussão?”, questionou.

Ao final da abordagem, Alisson relacionou o debate sobre projetos de desenvolvimento à capacidade de planejamento dos gestores e à necessidade de pensar além dos ciclos eleitorais. Para ele, a região precisa transformar propostas de integração em uma agenda permanente de desenvolvimento.

Confira a entrevista completa: 

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