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ALISSON GONÇALVES VÊ CRISE DE CONFIANÇA NAS INSTITUIÇÕES E DEFENDE REFORMA POLÍTICA

ALISSON GONÇALVES VÊ CRISE DE CONFIANÇA NAS INSTITUIÇÕES E DEFENDE REFORMA POLÍTICA
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 17/09/2026 13h27

Superintendente da SDE afirma que conflitos no Judiciário e no meio político ampliam a desconfiança da população

A discussão envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ambiente político brasileiro foi classificada como “delicada” por Alisson Gonçalves, superintendente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE). Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quinta-feira (17), ele relacionou o atual momento a uma crise de confiança nas instituições e defendeu mudanças nos sistemas político e eleitoral.

Ao iniciar a análise, Alisson afirmou que o Brasil atravessa um período de forte desgaste institucional. Ele citou episódios de corrupção e crises envolvendo diferentes governos e o Congresso Nacional ao longo dos anos como parte de um processo que, segundo sua avaliação, contribuiu para descredibilizar a política. “É delicado, porque tamanha é a crise que a nossa República enfrenta”, afirmou.

Na sequência, Alisson direcionou a análise ao Judiciário. Ele destacou que nenhuma instituição formada por pessoas estaria livre de erros, mas considerou que a atuação de integrantes das instituições de Justiça precisa ser observada diante da responsabilidade que exercem.

O superintendente também comentou o episódio envolvendo ministros do STF e classificou o que descreveu como uma exposição pública de divergências como prejudicial à imagem da Corte. Segundo ele, a população acaba acompanhando esse tipo de conflito em meio a uma série de outros problemas que já afetam a confiança nas instituições.

Na avaliação de Alisson, a questão não se limita às divergências entre ministros, mas envolve a percepção da sociedade sobre o funcionamento das instituições responsáveis por aplicar e interpretar as leis. “É a exposição da fratura do Supremo”, afirmou.

Alisson citou ainda nomes que passaram pelo STF e comparou o atual momento com períodos anteriores da Corte. Entre as referências mencionadas por ele estão ministros como Carlos Ayres Britto, Celso de Mello e Joaquim Barbosa.

Segundo o entrevistado, quando a população percebe conflitos ou questionamentos envolvendo instituições responsáveis pela aplicação das leis, surge um problema mais amplo de confiança no sistema de Justiça. “Se quem tem a obrigação de andar conforme a lei infringe a lei, é esse cara que vai mediar os conflitos da minha vida?”, questionou.

A partir dessa avaliação, Alisson defendeu uma revisão das regras que estruturam a política brasileira. Para ele, o debate deveria alcançar tanto o sistema político quanto o eleitoral. “Nós precisamos de uma profunda reforma no sistema político, eleitoral”, afirmou.

O superintendente também criticou o modelo de financiamento das campanhas eleitorais. Segundo ele, as restrições atuais às doações empresariais não necessariamente tornam mais transparente a relação entre dinheiro e política.

Alisson argumentou que, em um modelo anterior, empresas que realizavam doações apareciam formalmente nas prestações de contas, enquanto atualmente, segundo sua avaliação, mecanismos de financiamento podem dificultar a identificação da origem dos recursos.

Para ele, isso contribui para aumentar a distância entre a política institucional e a realidade cotidiana da população. “Hoje está todo mundo no escuro, com um discurso distante da sintonia e da frequência do coração das pessoas, distante, como dizia Eduardo Campos, do Brasil real, que é onde as pessoas vivem no cotidiano”, declarou.

Ao retomar a situação do STF, Alisson avaliou que a forma como os conflitos são expostos publicamente pode produzir efeitos para além do ambiente institucional. Ele citou a reação de cidadãos, policiais e pessoas que dependem do sistema de Justiça para resolver conflitos ou combater crimes.

Na visão do entrevistado, a sucessão de episódios envolvendo instituições públicas alimenta uma sensação de descrédito e insegurança sobre o funcionamento do Estado. “Parece que a sensação é que é terra de ninguém”, afirmou.

Alisson também mencionou a ministra Cármen Lúcia e avaliou positivamente uma manifestação dela durante o episódio citado na entrevista. Segundo ele, a ministra teria expressado aquilo que considera ser um sentimento presente na população.

Ao concluir sua análise, o superintendente voltou a defender mudanças estruturais e afirmou que a crise de confiança não deveria ser tratada apenas como um episódio isolado, mas como parte de uma discussão mais ampla sobre o funcionamento das instituições brasileiras.

Confira a entrevista completa: 

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