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APÓS TRÊS ANOS DE ABANDONO ADMINISTRATIVO, GOVERNADOR JERÔNIMO RODRIGUES RETORNA A ILHÉUS COM MISSÃO DE RECONSTRUIR BASE POLÍTICA RACHADA

APÓS TRÊS ANOS DE ABANDONO ADMINISTRATIVO, GOVERNADOR JERÔNIMO RODRIGUES RETORNA A ILHÉUS COM MISSÃO DE RECONSTRUIR BASE POLÍTICA RACHADA
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 26/05/2026 19h16

Visita ocorre em meio a acusações de perseguição, calote nos recursos da saúde e insatisfação com pré-candidata do PT

Depois de mais de três anos de ter abandonado os ilheenses, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), desembarca na cidade nesta quinta-feira 28 de maio com uma agenda que acontece num momento de forte desgaste político do petista no município, onde a base aliada está rachada e a população demonstra crescente insatisfação com a administração estadual.

Nos bastidores, a visita é tratada como uma operação de resgate. O principal objetivo do governador, segundo fontes ligadas ao Palácio de Ondina, é reestruturar uma base política fragmentada e tentar recuperar o prestígio perdido ao longo dos últimos três anos, marcados por ausência de obras estruturantes, falta de ações administrativas positivas e uma série de atritos com o governo municipal.

Um dos nós críticos que Jerônimo Rodrigues pretende desatar é a insatisfação interna com a pré-candidata à Câmara Federal pelo PT em Ilhéus. A petista é apontada por lideranças locais como detentora de influência desproporcional sobre cargos importantes da administração estadual na região — uma situação que teria provocado ciúmes, rusgas e até rompimentos dentro do próprio campo governista.

“Há uma percepção de que a pré-candidata opera como uma espécie de tutora das indicações para órgãos estaduais em Ilhéus, o que gerou forte rejeição entre outros aliados. O governador vem justamente para arbitrar essa disputa e tentar evitar que a pré-candidatura provoque um racha definitivo e cause maior prejuízo para a chapa majoritária”, explica Vila Nova, apresentador do programa O Tabuleiro da rádio Ilhéus FM.

A expectativa é que, durante a visita, Jerônimo Rodrigues promova reuniões com diferentes segmentos da base, buscando alinhar discursos e recompor a coerência política do PT no município — algo que ele próprio classificou, em conversas reservadas, como “urgente e necessário”.

O cenário que o governador encontrará em Ilhéus não é nada ameno. A relação institucional entre o Estado e a prefeitura atingiu seu ponto mais baixo nas últimas semanas, quando o governo municipal acusou oficialmente a gestão estadual de ter aplicado um “golpe de R$ 8 milhões” nos repasses destinados à saúde do município.

Segundo a denúncia feita pela administração municipal, os recursos que deveriam ser transferidos regularmente para custeio de serviços essenciais teriam sido retidos ou remanejados sem justificativa técnica. O governo do estado negou as acusações por meio de nota, mas não apresentou, até o fechamento desta reportagem, detalhamentos que desfaçam a suspeita de contingenciamento arbitrário.

Se confirmado o desfalque, a medida pode configurar não apenas improbidade administrativa, mas também violação de dispositivos constitucionais que vedam o confisco de verbas vinculadas à saúde.

Para além da saúde, Ilhéus tem se queixado de um silêncio incômodo do governo estadual quando o assunto são investimentos culturais e de infraestrutura. O município, que historicamente figura entre os destinos mais importantes do São João baiano, ficou de fora da verba estadual destinada às festas juninas deste ano — uma exclusão que pegou mal entre comerciantes, empresários da hotelaria e gestores locais.

“Não é apenas dinheiro. É um recado. Quando você tira Ilhéus do circuito das principais festas financiadas pelo Estado, você está isolando a cidade e punindo uma população que não tem nada a ver com as brigas políticas”, afirmou Vila Nova.

A ausência de investimentos estaduais também se reflete em áreas como segurança pública, mobilidade urbana e educação — todas com demandas reprimidas e uma percepção generalizada de abandono por parte do governo da Bahia.

Em conversas com moradores de bairros periféricos e centrais de Ilhéus, um sentimento se repete: o de que o governador Jerônimo Rodrigues teria adotado uma postura deliberada de perseguição ao município, supostamente em retaliação ao alinhamento político da prefeitura com setores que não são simpáticos ao PT.

Ainda que não haja prova documental de uma “lista negra” de cidades preteridas pelo Estado, os números impressionam: Ilhéus não recebe uma grande obra estruturante do governo baiano desde a gestão anterior, e os convênios em aberto com a administração municipal se arrastam há mais de 18 meses sem solução.

A visita do governador, portanto, carrega um simbolismo ambivalente. Se por um lado pode representar uma trégua ou um gesto de aproximação, por outro expõe o tamanho da cratera política aberta em três anos de distanciamento.

Aliados de Jerônimo Rodrigues apostam que o corpo a corpo com lideranças locais e anúncios pontuais — possivelmente incluindo a liberação de recursos para a saúde e a cultura — podem ser suficientes para conter a sangria eleitoral e recuperar parte do prestígio perdido.

Contudo, críticos lembram que a população ilheense tem memória. “Três anos de abandono não se apagam com uma visita relâmpago e algumas fotos sorrindo”, resume Vila Nova.

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