AUGUSTÃO DEFENDE REPRESENTAÇÃO DE ILHÉUS NA ASSEMBLEIA E CITA PERDAS HISTÓRICAS DA CIDADE
Candidato a deputado estadual pelo PDT afirma que pretende levar para a Assembleia Legislativa uma voz voltada às demandas de Ilhéus e da região
Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (16), o candidato a deputado estadual pelo PDT, Augustão, explicou os motivos que o levaram a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia após ter concorrido a deputado federal na eleição anterior.
Segundo ele, a candidatura estadual surgiu a partir da experiência adquirida na disputa para a Câmara dos Deputados e, principalmente, da intenção de garantir uma representação política de Ilhéus na Assembleia. “Primeiro, a gente tentou para federal e foi uma experiência nova. A gente nunca tinha tentado um pleito a nível de estado nem a nível federal, e serviu de experiência. E a razão principal da minha candidatura a deputado estadual é para a gente poder ter uma voz na Assembleia Legislativa da Bahia”, afirmou.
Augustão citou uma série de estruturas e serviços que, segundo ele, foram perdidos por Ilhéus ao longo dos anos. Entre os exemplos mencionados estão o batalhão de polícia, Receita Federal, Embasa, e a Sefaz.
Questionado sobre o fato de algumas dessas perdas terem ocorrido durante governos estaduais que ele defende, Augustão afirmou que não pretendia atribuir as perdas a um governo específico. Segundo ele, o ponto central seria a ausência de uma representação política capaz de defender os interesses da cidade.
O candidato também relacionou a falta de representação a outras questões econômicas e de infraestrutura que, em sua avaliação, afetam o município. Citou o movimento de navios de passageiros e o Porto de Ilhéus, além da necessidade de dragagem para permitir que as embarcações de carga operem com sua capacidade plena.
“A gente perde dinheiro, a gente perde arrecadação. Quando o cacau baixa, a gente perde a produção. Quando tem cacau, todo mundo tem dinheiro”, afirmou. Sobre o porto, acrescentou: “O nosso porto está aí precisando da dragagem e estamos sem navios. O navio chega aqui, não consegue carregar sua carga plena e tudo isso por falta de um representante”.
Ao ser questionado sobre a atuação da deputada Soane Galvão, como representante de Ilhéus, Augustão disse que considera todos os parlamentares, mas afirmou que sua avaliação está relacionada aos resultados apresentados. “Eu sou homem de resultado. Se não tiver resultado, para mim não tem. Vamos para os resultados, cadê os resultados? O que é que nós trouxemos para Ilhéus nos anos anteriores? A gente não tem uma voz altiva na Assembleia Legislativa”, declarou.
Augustão também apresentou projetos e ações que atribuiu à sua atuação anterior, afirmando que alguns deles foram articulados antes de ele ocupar um mandato de deputado. Citou o anel viário, cuja licitação, segundo ele, havia sido realizada no dia anterior à entrevista, além de intervenções relacionadas às praias e à dragagem do Porto de Ilhéus. “O anel viário saiu ontem a licitação. Aquilo ali foi um pedido nosso. Ali é um projeto de autoria nossa. Não foi de deputado nenhum, não foi de ninguém. Foi de Augustão”, afirmou. Sobre a dragagem, disse: “A gente foi buscar o dinheiro em Brasília para isso. Eu não era deputado. Eu era vereador apenas”.
Augustão afirmou que Ilhéus precisa valorizar seus próprios representantes. “Errados estamos nós quando a gente bate palma para a cidade dos outros. Temos que bater palma para a nossa cidade”, declarou.
Questionado sobre sua escolha para deputado federal, já que o candidato não é de Ilhéus e há nomes locais na disputa, Augustão afirmou que optou por uma parceria com Félix Mendonça e que, em Ilhéus, não escolheu um candidato local por razões que preferiu não detalhar. “Em Ilhéus, eu não escolhi um deputado federal por algumas razões que não cabe estar colocando aqui. Para evitar contendas. A gente é de briga, mas não de contendas”, afirmou.
Na entrevista, a discussão avançou para a situação da Central de Abastecimento de Ilhéus. Augustão afirmou ter uma relação antiga com o espaço e lembrou que participou da montagem da parte elétrica quando trabalhava como encarregado de eletricidade.
Segundo ele, a estrutura original tinha uma proposta diferente da configuração atual. “Aquilo não era uma feira, aquilo era uma central de abastecimento. Era um negócio top. Era um shopping center para turista”, afirmou, ao descrever o projeto original.
Augustão defendeu uma reorganização do espaço e disse não considerar necessária a derrubada da estrutura. “Eu não penso em derrubar. Ali tem jeito. É só organizar. Organizar... agora tem que ter coragem de organizar”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de construir uma nova central, considerando o tempo de existência da atual e o crescimento da população e da feira, Augustão disse que uma nova estrutura poderia demandar um investimento elevado, e defendeu a utilização e reorganização da área existente. “Com R$ 20 milhões você organiza a feira e deixa ela à altura de qualquer outra feira de qualquer cidade grande”, afirmou.
“Agora é acabar com aquela favela. Porque tem gente morando ali, é barraco do lado, é não sei o quê, você não sabe mais o que essa feira, se é residência, o que é mais. Tem que ter coragem de fazer isso”, declarou.
No fim da entrevista, o candidato foi questionado sobre a votação necessária para a disputa e afirmou que o partido trabalha com uma expectativa de eleger quatro deputados estaduais. Segundo Augustão, a linha de corte para disputar uma vaga seria de 40 mil votos e, para se eleger, seriam necessários 60 mil.
Ele afirmou estar trabalhando em 12 cidades da Bahia, mas destacou a importância de obter uma votação significativa em Ilhéus para fortalecer a candidatura. “Se a gente em Ilhéus já sai daqui bem, já tem uma votação expressiva em Ilhéus, o entorno vai ser um complemento. Agora, se a gente não sai bem de Ilhéus, se Ilhéus não fizer o dever de casa, aí fica complicado”, afirmou.
Augustão encerrou defendendo que os moradores de Ilhéus valorizem candidatos que tenham atuação e presença na cidade. Para ele, a representação política está diretamente relacionada à capacidade de buscar soluções para as demandas locais. “Eu estou chamando a atenção da cidade: ou a gente tem um representante, ou nós vamos continuar sofrendo e se queixando”, declarou.
Confira a entrevista completa:
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