BARCELONA DE WELITON PERDE PROCESSO CONTRA O BLOG DO GUSMÃO
Justiça considerou que o jornalista Emilio Gusmão agiu com cautela, respeitou o contraditório e publicou informações de interesse público
A empresa Ilhéus Soccer Futebol e Entretenimento S.A., responsável pelo Barcelona de Weliton, perdeu a ação movida contra o jornalista Emilio Gusmão, responsável pelo Blog do Gusmão.
A ação foi ajuizada em 19 de julho de 2024 e tramitou na 1ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo de Ilhéus. O Barcelona queria tirar R$ 20 mil do Blog do Gusmão.
Weliton Nascimento não figurou pessoalmente como autor.
O Barcelona pediu a retirada de matérias publicadas no blog e no Instagram. Também exigiu um pedido formal de desculpas e uma indenização por danos morais. A Justiça já havia negado o pedido de remoção antecipada do conteúdo.
Em janeiro de 2025, por meio de uma nota pública, o Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba) classificou o caso como assédio judicial.
A ação do Barcelona de Weliton questionou duas publicações feitas nos dias 15 e 16 de julho de 2024. Na primeira, o Blog do Gusmão informou que a diretoria do Barcelona estaria disposta a oferecer uma premiação aos jogadores do Grapiúna para derrotarem o Colo-Colo. A prática é conhecida no futebol como “mala branca”.
A segunda matéria revelou mensagens de WhatsApp atribuídas a Weliton Nascimento. O conteúdo circulou em um grupo chamado “Torcida Jovem Barça” e chegou ao Blog do Gusmão por meio de uma fonte cujo nome foi mantido em sigilo.
Nas mensagens, o contato salvo como “Weliton Nascimento” afirmou que poderia organizar pessoas para torcer pelo Grapiúna. Em outro trecho, mencionou a possibilidade de conseguir 100 ingressos para “fazer uma bagunça”.
O blog avaliou que o plano poderia provocar conflitos nas arquibancadas durante o jogo entre Colo-Colo e Grapiúna, no Estádio Mário Pessoa. Por envolver a segurança de torcedores em um equipamento público, o veículo decidiu divulgar o caso.
No mesmo dia, o Blog do Gusmão publicou na íntegra a nota oficial apresentada pelo Barcelona. O clube afirmou que a palavra “bagunça” significava apoio e festa na arquibancada, e não incitação à violência.
Na sentença, o juiz Reinaldo Marinho considerou que a publicação da nota assegurou o contraditório jornalístico. Para o magistrado, a conduta demonstrou boa-fé e permitiu que os leitores conhecessem as versões envolvidas.
O juiz também afirmou que o Barcelona não apresentou prova técnica capaz de demonstrar a adulteração das mensagens.
A decisão reconheceu que o sigilo da fonte protege o jornalista. Também esclareceu que o recebimento de mensagens por meio de um participante do grupo não configura interceptação telefônica ilegal.
Segundo a sentença, o jornalista atuou com a intenção de narrar fatos de interesse público. A decisão concluiu que Emilio Gusmão não deturpou deliberadamente as informações e abriu espaço para a manifestação do clube.
O clube tentou relacionar as reportagens a um ataque posterior contra o ônibus da equipe. O juiz afastou essa relação. Para ele, não havia prova de que o vandalismo tivesse sido consequência direta das matérias.
A sentença foi assinada em 5 de agosto de 2026. O juiz julgou todos os pedidos improcedentes e condenou o Barcelona ao pagamento das custas processuais e dos honorários dos advogados do jornalista.
O Blog do Gusmão foi defendido pelos excelentes advogados Sinésio Terceiro e Iago Barreto.
O Barcelona, comandado por Weliton Nascimento, decidiu não recorrer da decisão.
Para o Blog do Gusmão, a ação teve caráter intimidatório. O site reafirma que não se curva diante de ações dessa natureza.
Fonte Blog do Gusmão
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