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BARRAKITIKA CELEBRA 45 ANOS COMO ESPAÇO DE ENCONTROS, HISTÓRIAS E DIVERSIDADE

BARRAKITIKA CELEBRA 45 ANOS COMO ESPAÇO DE ENCONTROS, HISTÓRIAS E DIVERSIDADE
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 06/02/2026 11h44

Empresário destaca papel social, fidelidade dos clientes, equipe de décadas e a experiência que transformou o espaço em referência

Ao celebrar 45 anos da Barrakitika, o empresário e artista Bruno Susmaga relembrou, em entrevista nesta sexta-feira (06), ao programa O Tabuleiro, da rádio Ilhéus FM, apresentado por Vila Nova, a trajetória do bar e restaurante e o papel que o espaço passou a exercer na cidade.

Segundo Bruno, as barracas de verão instaladas na Avenida Soares Lopes, em 1981, mudaram o comportamento da cidade. “Essas barracas foram um portal de mudança no comportamento do verão de Ilhéus, porque a cidade ficava vazia no verão. A maioria das pessoas viajava. Ilhéus não tinha essa sazonalidade que nós temos hoje. O turismo praticamente não existia”, afirmou.

Ele lembra que, a partir da instalação das barracas, o movimento passou a crescer no fim de tarde. “Dava 4, 5 horas da tarde e as barracas começavam a ficar lotadas. E se deixasse, a gente não fechava, não. Na verdade, não fechava. A gente tinha que ficar tomando conta.” Bruno recorda ainda das dificuldades da época. “A gente dormia no sol escaldante da manhã, lá da Soares Lopes, não era brinquedo, não. Eu me lembro que Marisa foi internada duas vezes desidratada.”

Com o fim do período das barracas de verão, Bruno e Marisa viajaram com a intenção de abrir outro tipo de comércio em Ilhéus. “Tínhamos a intenção de abrir um sacolão, que não existia em Ilhéus, era um nicho que a gente pensava.” Foi então que surgiu o convite inesperado de Alcides, proprietário do Cupido Lanches. “Ele disse: ‘A cidade só fala nessa Barrakitika. Por que vocês não colocam aqui?’ Ele tinha passado em um concurso do Banco do Brasil e ia embora. Aí foi que a Barrakitika passou para o atual endereço, ali na Praça Antônio Muniz.”

Questionado por Vila Nova sobre o diferencial da Barrakitika em meio a outras barracas da época, Bruno atribuiu o sucesso à energia do grupo e às escolhas feitas no início. “Nós éramos muito jovens, eu estava com 21 anos, e tínhamos muitos amigos. A Barrakitika tinha um diferencial das demais.” 

Para ele, o tratamento dado às pessoas também fez diferença. “A maneira que a gente encarou o início de tudo, com muita alegria, muita energia, isso atraía as pessoas.”

Ao longo dos anos, o espaço ganhou um papel que vai além da gastronomia. Bruno contou que professores da Uesc utilizam o local para preparar e até ministrar aulas. Lembrou também de Ney Bastos, que apresentava programa de rádio na Barrakitika. E relatou a história de um cliente mineiro aposentado que frequentava diariamente o balcão. “Ele ia todo dia, 11h30 em ponto, pedia uma dose de uísque, ficava 15 a 20 minutos e ia embora.” Bruno descobriu depois que o médico havia autorizado a dose diária como parte do tratamento. “Ele disse que a farmácia que ele escolheu em Ilhéus foi a Barrakitika. Enquanto viveu em Ilhéus, a Barrakitika era a referência dele.”

Para o empresário, o diferencial está na identidade criada com os frequentadores. “As pessoas são tratadas pelo nome. A gente sabe como ele gosta, o que ele gosta. Isso faz um diferencial.”

Sobre a equipe, Bruno afirma que construiu uma família. “Eu tenho funcionário de mais de 40 anos comigo. Já aposentei alguns, já perdi alguns, mas a gente ali é uma grande família.” Ele contou que, recentemente, ao entrevistar um candidato a garçom, ouviu: “Quem entra na Barrakitika só sai se não prestar.” Para Bruno, o sucesso não tem outra explicação. “Eu atribuo o sucesso da Barrakitika, sinceramente, sem demagogia nenhuma, às pessoas.”

Ele também destacou o ambiente e a experiência proporcionada. Relatou ter presenciado uma turista almoçando, cantando e dançando ao som de clipes de rock. “Ela estava vivendo um momento de felicidade, que é o que a gente quer para o cliente.” Para ele, a combinação de boa comida, boa música e ambiente climatizado cria algo diferenciado. “A Barrakitika tem característica de boteco de capital. Lembra um pub de outro país. E tem um diferencial de ser familiar.”

Bruno revelou que 60% do público é formado por mulheres e crianças. “Elas falam que é um lugar onde se sentem seguras.” Segundo ele, há regras claras de conduta. “Se um colaborador levar um bilhetinho para alguém, não fica na casa.”

O karaokê, comandado por Rildo Mota às terças-feiras, também foi citado como sucesso. “Ele faz aquilo por amizade, pelo carinho que tem por mim e pela Barrakitika. É sensacional. Mas lá tem regra: não pode cantar mais que duas ou três músicas. Não é show, é karaokê.”

Sobre o cardápio, Bruno afirma que é criação própria e que já atuou na cozinha sempre que necessário. “Eu vou para a cozinha e faço qualquer um dos pratos.” Ele destaca a variedade: moquecas, calzones, carnes, chapas, petiscos e carta de coquetéis. “A gente procura não mudar o padrão. O prato que você comeu ano passado, come o mesmo prato esse ano.” Ressalta ainda que não utiliza temperos artificiais. “É alho, tomate, cebola, é a cozinha da vovó. Feijão com gosto de casa. Todo dia a gente recebe tempero verde, verduras, e 90% dos pratos são feitos na hora.”

Bruno também falou da relação com fornecedores. “Eu tenho fornecedores de mais de 10 anos.” Disse que preza para que 100% do cardápio esteja disponível e relatou a busca constante por qualidade, especialmente da picanha, carro-chefe da casa. “Eu vou até o fim do mundo, mas nunca vendi gato por lebre.”

Ele lembrou ainda que, em 2006, a Barrakitika foi listada entre os 100 melhores bares do Brasil por uma revista nacional, sendo o único de Ilhéus na seleção. A matéria definia o espaço como “um boteco de pés sujos, mas limpinho”. Para Bruno, a expressão resume a diversidade do público. “Você chega no balcão e tem um juiz aposentado do lado de um gari, conversando. Isso não tem preço.”

Entre as memórias afetivas, ele recorda do tradicional feijão da madrugada aos sábados. Após o fechamento, equipe e clientes se reuniam para jogar futebol e comer o feijão preparado em caldeirão. “Quando o sol nascia, cada um ia para sua casa. Isso aconteceu durante muito tempo.”

Ao final, Bruno reforçou a gratidão. “A Barrakitika não existiria se não fossem as pessoas. Eu me emociono. Quantas vezes já chorei na frente de um cliente me elogiando. Isso não tem preço.”

Confira a entrevista completa:

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