Aguarde, carregando...

O Tabuleiro

BEBETO RELEMBRA RACISMO QUE VIVEU E EXPLICA LEI 14.532 DE SUA AUTORIA CONTRA A INJÚRIA RACIAL

BEBETO RELEMBRA RACISMO QUE VIVEU E EXPLICA LEI 14.532 DE SUA AUTORIA CONTRA A INJÚRIA RACIAL
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 02/10/2026 16h11

Candidato a deputado federal pelo PSD falou sobre a equiparação da injúria racial ao racismo e relatou episódios de discriminação vividos desde a infância

Durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta sexta-feira (2), Bebeto Galvão falou sobre o enfrentamento ao racismo e explicou a atuação que atribui à Lei 14.532. Segundo ele, a legislação equiparou a injúria racial ao racismo e também passou a alcançar situações relacionadas ao racismo religioso e à injúria racial coletiva.

Bebeto afirmou que o combate ao racismo não deve ser uma responsabilidade exclusiva da população negra, mas uma tarefa de toda a sociedade. "O racismo não é uma obrigação somente de homens negros, é também dos não negros do país. Assim como a luta feminista, a superação do feminicídio não é uma tarefa só das mulheres, é uma tarefa da sociedade, que é de todos nós.”

Ao falar sobre sua trajetória, o candidato relatou que as experiências pessoais com o racismo contribuíram para sua atuação política na defesa de uma legislação mais rigorosa. “Eu senti das próprias dores na pele, na alma, chegando ao parlamento, que eu tenho que dar exemplo. Eu tenho que ser alguém que também demonstre que as dores que eu senti e que meus irmãos continuam sentindo até hoje, era preciso ter uma lei mais dura que alcançasse os racistas neste país.”

Bebeto explicou como surgiu a proposta relacionada à Lei 14.532. “Daí saiu a ideia de fazer uma lei, a 14.532, que é a lei da injúria racial, tipificando a injúria racial, equiparando a injúria racial ao racismo.”

Ele também citou situações de injúria racial coletiva, especialmente em ambientes esportivos. “Nos campos, você via ali nos campos a injúria racial coletiva, de você chamar um macaco, um jogador como o Vini júnior i, macaco, macaco. Ou seja, era injúria racial coletiva. Ela também tem que ser tipificada.”

Outro ponto mencionado por Bebeto foi o racismo religioso. “Eu trouxe uma lei, que racismo religioso também tem que ser considerado como injúria racial. Como injúria, o racismo religioso. Está tipificado também, porque a gente não pode aceitar isso. A fé é uma manifestação individual das pessoas.”

Na entrevista, Bebeto também destacou o que considera uma mudança importante provocada pela legislação em relação à responsabilização pelos crimes de racismo. “A lei 14.532, que equiparou a injúria racial ao racismo, e tornou um crime imprescritível e inafiançável. Ele é imprescritível e inafiançável. Ele não tem tempo para prescrever, e não há fiança que possa ser colocada para o racista ser liberado de uma prisão por crime praticado.”

Segundo Bebeto, a atuação também envolveu o aumento das penas previstas para os crimes relacionados ao racismo. “Além de ser aprovada, nós elevamos a tipificação do crime, mas também o aumento da pena. O aumento da pena antes no racismo era 1, nós elevamos para 3, e com a gravidade da pena no racismo somente era 3, agora com o meu projeto foi para 5.”

Ao relacionar a legislação à própria trajetória, Bebeto voltou à infância e lembrou de situações que, segundo ele, eram tratadas como brincadeiras, mas que hoje reconhece como manifestações de racismo. “Eu muito criança, na escola, enfrentava as dores. Na escola pública, as pessoas brincavam. Brincadeira. Não, naquele tempo a gente achava como brincadeira, mas não é brincadeira.”

O candidato também relatou um episódio vivido durante seu primeiro mandato como vereador em Ilhéus. Segundo Bebeto, parte da elite política e social da cidade não aceitava a presença de um trabalhador negro, oriundo da favela, no Legislativo municipal. “Eu lembro quando eu fui vereador aqui na cidade de Ilhéus, no meu primeiro mandato, eu sofri a elite de Ilhéus não se conformava com a ideia de 1992 ter um operário preto da favela ser vereador.”

Em seguida, Bebeto relatou um episódio ocorrido durante uma votação para a Mesa Diretora da Câmara. “Eu vi aí os votos em que eu estava me colocando como primeiro secretário. Aí chamou vereador Bebeto. Rapaz, eu vi, quase que em coro: ‘Esse neguinho é vereador também?’. Foi essa expressão que doeu na minha alma. Doeu na minha alma.”

Para Bebeto, o racismo também se manifesta em situações cotidianas e pode atingir pessoas negras independentemente de sua condição financeira. “Tem áreas em Salvador embranquecidas, que você vai sentar num restaurante, todos param e olham para você, como se você não tivesse o direito de estar ali sentado.”

Ao concluir, Bebeto destacou que, além do caráter de responsabilização, a legislação também teria uma função educativa no enfrentamento ao racismo. “Tanto a lei tem esse sentido duro, mas também tem o sentido pedagógico de entender quem nós somos e aqueles que atentarem contra a dignidade de homens e mulheres pretos, a lei alcançá-los e botar na cadeia.”

Confira a entrevista completa: 

" target="_blank">

Deixe seu comentário para BEBETO RELEMBRA RACISMO QUE VIVEU E EXPLICA LEI 14.532 DE SUA AUTORIA CONTRA A INJÚRIA RACIAL

* Campos obrigatórios
Avalie Este Conteúdo: 1 2 3 4 5

Veja também:

Confira mais artigos relacionados e fique ainda mais informado!