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ENILDA MENDONÇA DEFENDE REELEIÇÃO DE LULA E ALERTA PARA RISCOS À DEMOCRACIA E AOS DIREITOS SOCIAIS

ENILDA MENDONÇA DEFENDE REELEIÇÃO DE LULA E ALERTA PARA RISCOS À DEMOCRACIA E AOS DIREITOS SOCIAIS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 21/10/2026 12h53

Vereadora de Ilhéus também criticou possíveis cortes em programas sociais, apontou riscos aos direitos das mulheres e defendeu investimentos públicos para reduzir desigualdades.

A força econômica e cultural do Nordeste, a disputa política nacional e os possíveis impactos de mudanças nas políticas sociais e nas relações de trabalho estiveram entre os assuntos abordados com a vereadora de Ilhéus Enilda Mendonça durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (21). Em conversa com o apresentador Vila Nova, a parlamentar defendeu a reeleição do presidente Lula e afirmou que o momento exige atenção à democracia e aos direitos conquistados pela população.

Ao comentar a realidade nordestina, Enilda contestou a visão que associa a região à pobreza e à dependência de ajuda externa. Para ilustrar seu argumento, relatou uma experiência vivida durante uma viagem à Alemanha, quando encontrou mangas identificadas com a origem em Casa Nova, na Bahia, em um mercado de frutas em Frankfurt. “Eu vivo em um Nordeste rico, eu vivo em um Nordeste próspero, eu vivo em um Nordeste que, quando houve enfrentamento da indústria da seca, nós afloramos, como se fôssemos uma primavera. Estávamos no inverno, hibernando por décadas e por séculos, e afloramos”, afirmou.

A vereadora ressaltou que a região reúne diferentes atividades econômicas e culturais, mesmo em áreas com dificuldades de acesso à água. Como exemplo, citou Cabaceiras, na Paraíba, conhecida por sua baixa incidência de chuvas, mas que, segundo ela, desenvolveu uma produção cultural significativa, incluindo a realização de filmes. Também mencionou a produção de vinhos na Bahia e em outros estados nordestinos.

Para Enilda, a imagem de um Nordeste marcado pela miséria foi alimentada historicamente por interesses políticos. Ela argumentou que políticas públicas e investimentos estruturantes contribuíram para transformar a realidade de parte da população, especialmente no enfrentamento à fome e à seca. “Quem ganhou com a miséria e com a morte do povo do Nordeste? Quando vieram os projetos estruturantes de combate à seca, de combate à fome, esse povo floriu, que nem uma linda primavera”, declarou.

A parlamentar também destacou a contribuição da região para o desenvolvimento do país e afirmou que a população nordestina precisa deixar de ser subestimada. Ao abordar a importância política do Nordeste, defendeu o reconhecimento da capacidade produtiva da região, tanto na economia quanto na cultura, na ciência e nas artes.

MOBILIZAÇÃO POLÍTICA NA BAHIA

Questionada por Vila Nova sobre a reunião realizada na terça-feira (20) com o governador Jerônimo Rodrigues e representantes políticos de diferentes municípios, Enilda explicou que o encontro teve como objetivo mobilizar lideranças para ampliar o apoio à reeleição do presidente Lula.

Segundo a vereadora, a atividade reuniu prefeitos, vice-prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, ex-vereadores e representantes da sociedade civil. A estratégia, conforme relatou, inclui conversar com eleitores indecisos e aumentar a votação do presidente na Bahia. “Nós precisamos aumentar. Nós ficamos em torno de 66% aqui na Bahia. A nossa meta é voltar aos 72%, pelo menos, que colocamos na eleição anterior”, afirmou.

Enilda disse que considera a disputa maior do que uma escolha entre nomes ou partidos. Para ela, estão em jogo a soberania nacional, as condições de vida da população e a manutenção do regime democrático.

A vereadora relacionou a democracia à liberdade de expressão e à possibilidade de a sociedade participar do debate público. Ao mesmo tempo, ponderou que a liberdade de expressão não deve ser confundida com o direito de ofender outras pessoas sem consequências. “Só é possível a sociedade soberana se for dentro do regime democrático. O poder totalitário não faz bem em nenhum país, em nenhuma soberania. Ninguém é soberano com o poder totalitário”, declarou.

FAKE NEWS E PREOCUPAÇÃO COM O AVANÇO DO EXTREMISMO

Na sequência da entrevista, Vila Nova questionou a vereadora sobre a perda de espaço dos partidos de esquerda entre trabalhadores e movimentos sociais, considerando o apoio de parte desse público a candidaturas contrárias às pautas trabalhistas.

Enilda afirmou que a disseminação de notícias falsas e a repetição de discursos políticos contribuíram para consolidar determinadas posições entre os eleitores. Como professora, disse observar semelhanças entre processos históricos e o cenário político atual, citando a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha.

A parlamentar ressaltou que Hitler chegou ao poder por meio de um processo político que envolveu eleições e o crescimento de sua representação parlamentar, e alertou para o risco de a democracia ser enfraquecida por mecanismos legais. “Quando a gente vê a história lá, e trago aqui de novo, às vezes as pessoas ficam irritadas quando a gente compara com o nazismo, quando a gente traz a história do Hitler. A gente vai olhar que começou do mesmo jeito”, afirmou.

Na avaliação da vereadora, o risco não se limita à possibilidade de um golpe militar, mas inclui mudanças institucionais realizadas por meio das próprias regras democráticas. Ela demonstrou preocupação com a possibilidade de alterações constitucionais e mudanças na composição dos tribunais, caso haja apoio político suficiente no Congresso Nacional. “Se nós perdermos a democracia agora, nós não sabemos em quanto tempo nós poderemos tê-la de volta”, disse.

Enilda também criticou o extremismo político, afirmando que seus efeitos podem atingir diferentes segmentos da sociedade. Para ela, mulheres, população negra e pessoas LGBTQIA+ estão entre os grupos que podem sofrer consequências caso direitos sejam reduzidos.

Ao defender a reeleição de Lula, a parlamentar afirmou que considera o presidente a principal liderança capaz de enfrentar o cenário político que descreveu. Ela também convocou os eleitores que não compareceram ao primeiro turno a participarem da votação seguinte. “Dá para ir votar. Não deixe que decidam por você. Nós temos essa responsabilidade”, declarou.

DIREITOS DAS MULHERES E COMBATE À DESIGUALDADE

A entrevista avançou para a discussão sobre a participação feminina na política e os direitos das mulheres. Enilda criticou declarações que, segundo ela, desqualificam a capacidade feminina de votar e questionam a existência do feminicídio, além de tratarem direitos como a licença-maternidade como privilégios.

A vereadora afirmou que a igualdade de gênero depende do reconhecimento dos direitos das mulheres e da ampliação de sua presença nos espaços de poder. Também manifestou preocupação com discursos que, em sua avaliação, procuram devolver às mulheres um papel limitado ao ambiente doméstico. “Nós não queremos mais isso, não. Nós já saímos desse lugar, porque lá nós já estivemos por muitos anos, por muitos séculos. Nós não queremos outra coisa que não seja o que a lei diz. É igualdade”, afirmou.

Enilda argumentou que as mulheres ainda enfrentam desigualdades e destacou a violência de gênero como uma questão específica. Para ela, a negação do feminicídio e a desvalorização das pautas femininas representam retrocessos.

A parlamentar também utilizou uma comparação para explicar o que considera uma contradição em parte dos discursos políticos contrários aos direitos de determinados grupos. “É o inseto defendendo o inseticida, achando que o inseticida não vai matá-lo. Achando que não vai ser a vítima. Mas nós, mulheres, seremos as vítimas. Nós, o povo preto, seremos as vítimas. Nós, LGBTQIA+, seremos as vítimas”, declarou.

BOLSA FAMÍLIA E POLÍTICAS DE DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

Ao relacionar o debate político às condições de vida da população, Enilda defendeu os programas sociais e afirmou que a transferência de renda também movimenta a economia dos municípios.

A vereadora citou o Bolsa Família, a Farmácia Popular, o Vale-Gás, o Pé-de-Meia e a alimentação escolar como iniciativas que, em sua avaliação, ajudam a garantir condições para que famílias de baixa renda mantenham seus filhos na escola e tenham acesso a serviços e produtos essenciais.

Enilda também mencionou o impacto dos programas sociais na vida de adolescentes que precisam conciliar os estudos com as dificuldades financeiras da família. Segundo ela, políticas de permanência escolar contribuem para reduzir a necessidade de abandonar a escola para trabalhar.

Na avaliação da vereadora, o debate eleitoral envolve dois projetos políticos distintos: um que mantém investimentos sociais e outro que, segundo sua interpretação, pode reduzir recursos destinados à população mais vulnerável.

Ela citou o Minha Casa, Minha Vida, o Luz para Todos e os investimentos em hospitais como exemplos de políticas públicas que considera importantes. Em relação a Ilhéus, lembrou a realidade da cidade antes da existência do Hospital Materno-Infantil e do Hospital Costa do Cacau.

A parlamentar afirmou que possíveis cortes na saúde e na educação podem prejudicar principalmente as famílias que dependem dos serviços públicos. Também criticou a redução de investimentos na alimentação escolar e em outras ações educacionais.

Ao comentar as mudanças econômicas e sociais das últimas décadas, Enilda recordou dificuldades que enfrentou no início da carreira como professora. Ela relatou que, mesmo trabalhando em dois vínculos, um no Estado e outro no município, teve dificuldade para financiar uma geladeira quando pretendia se casar.

A vereadora também lembrou que precisou recorrer a um consórcio para comprar um videocassete e que só conseguiu adquirir um carro anos depois. Para ela, essas experiências ajudam a compreender a importância das condições econômicas e das políticas públicas na melhoria de vida dos trabalhadores.

Enilda argumentou que parte da população deixa de reconhecer as dificuldades enfrentadas anteriormente quando passa a ter acesso a bens e serviços que antes estavam fora de seu alcance. Ela ressaltou que o objetivo das políticas sociais não é garantir luxo, mas ampliar as condições de acesso a necessidades básicas.

MULHERES CHEFES DE FAMÍLIA E RELAÇÕES DE TRABALHO

A discussão sobre os programas sociais levou ao tema das mulheres responsáveis pelo sustento dos filhos. Enilda destacou a realidade das mães solo e afirmou que muitas criam as crianças sem a participação dos pais e sem receber pensão alimentícia.

A vereadora relacionou essa situação à importância do Bolsa Família para famílias que dependem do benefício para manter os filhos na escola e garantir o sustento cotidiano.

Ela também chamou atenção para as desigualdades enfrentadas pelas mulheres no mercado de trabalho. Segundo a parlamentar, mães costumam ser mais cobradas quando precisam faltar ao serviço para cuidar de um filho doente, mesmo quando ambos os responsáveis trabalham.

Durante a conversa, a jornalista Aline Cardoso observou que, em muitos casos, é a mulher quem recebe as ligações da escola e precisa se ausentar do trabalho para atender às necessidades da criança. Enilda concordou e afirmou que essa responsabilidade recai frequentemente sobre as mães, inclusive quando elas foram abandonadas pelos companheiros.

A vereadora ainda demonstrou preocupação com possíveis mudanças na jornada e nas formas de contratação e remuneração dos trabalhadores. Ela questionou como ficaria o pagamento de pensões alimentícias caso vínculos empregatícios e salários fixos fossem substituídos por formas de remuneração por hora trabalhada. “Como é que fica a pensão alimentícia? Acaba, né? Porque você não vai ter mais aquele vínculo empregatício onde você vai ter um salário. Como é que fica? Quem vai sobrar de novo com tudo isso? São as mulheres”, afirmou.

Enilda argumentou que a remuneração por hora pode levar trabalhadores a cumprir jornadas extensas para conseguir pagar despesas básicas, como aluguel e alimentação. Também apontou o possível enfraquecimento dos sindicatos como uma consequência desse modelo, uma vez que os trabalhadores poderiam perder parte da organização coletiva nas negociações com os empregadores.

Para a parlamentar, a negociação direta entre empregado e chefe não garante condições equilibradas quando há diferenças de poder entre as partes. “Você vai negociar a forma que você quer trabalhar direto para o seu chefe. Imagina, Vila, se você vai ter condição de negociar diretamente com o seu chefe a forma que você deseja e quer trabalhar. Isso não existe em lugar nenhum do mundo”, concluiu.

Confira a entrevista completa: 

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