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ENTRE A MAGISTRATURA E OS PALCOS, DRA. KARINE RHEM FALA SOBRE A BANDA VEREDICTO, A MÚSICA E A ROTINA

ENTRE A MAGISTRATURA E OS PALCOS, DRA. KARINE RHEM FALA SOBRE A BANDA VEREDICTO, A MÚSICA E A ROTINA
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 20/08/2026 15h15

Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quinta-feira (20), vocalista contou como surgiu a banda, falou sobre repertório, ensaios, relação com o público e os desafios de conciliar a música com a profissão

A banda Veredicto nasceu de uma escolha feita pelo público. A história foi contada pela vocalista Karine Rhem, juíza federal, durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quinta-feira (20).

Segundo Karine, apesar de muitas pessoas associarem o nome da banda à sua atuação na área jurídica, o grupo não é formado exclusivamente por profissionais do Direito. Apenas ela atua no segmento.

A primeira apresentação pública aconteceu em uma confraria formada por mulheres. Como a banda ainda não tinha nome, surgiu a ideia de envolver o público na escolha. “Foi uma escolha interativa”, explicou Karine.

As participantes precisaram escolher entre dois nomes: Red Rose e Veredicto. A segunda opção havia sido sugerida pelo guitarrista Felipe Souza. No final da apresentação, Veredicto venceu disparadamente e acabou se tornando o nome definitivo da banda.

POP ROCK E NOSTALGIA

A Veredicto trabalha com pop rock nacional e internacional, principalmente músicas das décadas de 1980, 1990 e 2000.

Karine explica que o repertório tem forte relação com o perfil do público que acompanha a banda, formado principalmente por pessoas com mais de 40 anos. “É um público que quer viver esse momento, reviver, relembrar momentos”, afirmou.

Para ela, as apresentações acabam funcionando como uma viagem por diferentes períodos da vida dos espectadores, a partir de músicas que fizeram parte de suas histórias.

A banda é formada por cinco integrantes: baterista, guitarrista, baixista, tecladista e Karine, nos vocais. As decisões são tomadas de forma coletiva, segundo a vocalista.

O grupo discute desde o repertório até os locais onde vai tocar e se a proposta da banda é adequada ao evento. “Nós somos uma banda muito democrática”, afirmou.

Karine reconhece que, por estar à frente dos vocais, acaba sendo uma das faces mais conhecidas da Veredicto. “Eu me considero um pouco a band leader porque acaba tendo, já, o vocalista aparece mais, né? O destaque não tem jeito”, disse.

Apesar disso, ela faz questão de destacar que a banda é resultado de uma construção conjunta. “Eu sou a cara, mas eu tenho toda essa construção conjunta. Nós somos a banda Veredicto, nós construímos, discutimos repertório, tudo, tudo”, afirmou.

Conciliar os ensaios com as demais atividades dos integrantes é um dos principais desafios da banda. Todos têm outras ocupações profissionais e precisam organizar as agendas para conseguir se reunir.

Karine contou que os ensaios acontecem durante a semana e são intensificados quando há uma apresentação marcada. O trabalho também continua individualmente, em casa, quando cada integrante aproveita o tempo disponível para estudar as músicas.

Ela destacou que a música ocupa um espaço importante na vida das pessoas e defendeu a valorização dos artistas. “Quem não canta, quem não dança, tem que procurar terapia, porque tem algo errado”, brincou.

Karine também falou sobre os custos envolvidos na manutenção de uma banda, como instrumentos e outras despesas, além da necessidade de conciliar a atividade artística com as contas do dia a dia. “A vida tem boleto para pagar”, afirmou.

Ela avaliou ainda que o músico nem sempre é valorizado financeiramente como deveria. “Eu digo que chega a parecer um pouco com salário mínimo: é muito para quem paga e pouco para quem ganha”, declarou.

A relação de Karine com a música começou ainda na adolescência. A escola estimulava atividades musicais e ela participava de apresentações e gincanas.

Ela explicou, no entanto, que naquela época não cantava em banda. A música fazia parte principalmente de momentos mais íntimos, em casa.

Karine disse que queria ser juíza desde os oito anos de idade e que se considera uma boa magistrada. Para ela, exercer a magistratura não impede que também desenvolva uma atividade artística. “Nós não somos seres humanos que precisamos ser isso ou aquilo. Nós podemos ser vários, múltiplos”, declarou.

Karine também decidiu aprender a tocar violão. Ela contou que passou a ter aulas com Herval Lemos, instrumentista e professor de música.

Segundo ela, aprender a tocar também ajuda a compreender melhor e valorizar o trabalho dos músicos que estão ao seu lado.

A vocalista afirmou que esse aprendizado tem também um caráter terapêutico e incentivou outras pessoas a começarem a aprender música, mesmo que nunca tenham tido contato com um instrumento. "Nunca é tarde para começar algo que você tenha na sua alma. Nunca”, afirmou.

RITA LEE, TIM MAIA, ROXETTE E OUTROS NOMES

No repertório da Veredicto estão artistas como Rita Lee, Sandra de Sá, Tim Maia e Kid Abelha. Entre os internacionais, a banda toca The Cranberries, Roxette e Rod Stewart.

Questionada sobre qual música é mais pedida pelo público, Karine disse não conseguir apontar uma específica. “Eu não sei dizer se tem alguma que pede mais, só sei que todos dançam”, contou.

Segundo ela, o público costuma ficar próximo do palco e demonstra uma forte conexão com a banda.

Essa relação também ultrapassa os shows. Karine contou que, às vezes, é abordada nas ruas por pessoas que querem saber quando será a próxima apresentação. “Eu saio, a pessoa fala assim: ‘E aí, quando a banda vai tocar? Qual o próximo show?’”, relatou.

A associação com a música também mudou a forma como algumas pessoas a enxergam. “Daquela pessoa que podia ser sisuda, de difícil acesso, a pessoa já me olha: ‘não, ela é a cantora, ela é a cantora da banda Veredicto’”, afirmou.

Embora o público principal seja formado por pessoas com mais de 40 anos, Karine afirma que a Veredicto também consegue alcançar pessoas mais jovens.

A banda inclui músicas mais recentes no repertório e procura dar novas roupagens a canções conhecidas. Ela citou “Sorte”, de Caetano Veloso, que ganhou uma versão com uma nova abordagem, e “Flowers”, de Miley Cyrus, colocada em uma pegada mais rock.

A proposta é aproximar músicas novas da identidade da banda e, ao mesmo tempo, apresentar os clássicos de uma maneira que dialogue com outras gerações.

Karine contou que o próprio filho, de 15 anos, tem um gosto musical diferente, mas acaba cantando algumas músicas da banda. Para ela, o rock não tem idade.

A relação entre magistratura e música não é uma exclusividade de Karine. Ela contou que tem colegas juízes federais que também cantam ou tocam instrumentos em bandas em Salvador.

Segundo ela, existe ainda a Banda Ajufba, formada por integrantes da Associação de Juízes Federais da Bahia. Nos encontros da entidade, colegas que gostam de música se reúnem para cantar e tocar.

Karine contou que o encontro anual da associação será realizado em setembro, em Ilhéus, no Tororomba, e que a Veredicto foi contratada para se apresentar no evento. “Eles estão prestigiando a prata da casa”, afirmou.

Para a magistrada, a música também ajuda a quebrar padrões e aproximar as pessoas.

PRÓXIMA APRESENTAÇÃO SERÁ NO DIA 29

A próxima apresentação da Veredicto será no dia 29, no Boteco do Posto, dentro de um projeto de Agosto do Rock.

A banda foi uma das convidadas para tocar no evento, que Karine considera um reconhecimento do grupo no cenário regional do pop rock.

A apresentação está marcada para as 20h30. Como as vagas são limitadas, a orientação é para que o público chegue cedo. Segundo Karine, o estabelecimento não vende os ingressos antecipadamente e a entrada será feita no local.

Ela explicou que existe a possibilidade de o espaço atingir a capacidade máxima.

O APOIO DO MARIDO

Ao final da entrevista, Karine fez questão de registrar um agradecimento ao marido, o desembargador Marcos Flávio Rhem, pelo apoio à atividade musical e aos projetos da banda. “Eu quero registrar meu agradecimento a meu marido, Marcos Flávio. Ele é um apoiador”, afirmou.

Segundo Karine, o apoio também é reconhecido pelos integrantes da Veredicto, que consideram importante destacar a participação dele na trajetória do grupo.

Entre a magistratura e a música, Karine Rhem segue conciliando diferentes atividades e defendendo que uma pessoa não precisa escolher apenas uma identidade. No palco, ela é a vocalista da Veredicto; fora dele, continua exercendo a magistratura e, como resumiu durante a entrevista, vivendo diferentes possibilidades por meio da música.

Confira a entrevista completa: 

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