EX-DIRIGENTE PARTIDÁRIO ACUSA VEREADOR MESAQUE DE AGIR SORRATEIRAMENTE
Diran Filho afirma que mudança no comando do Agir ocorreu sem diálogo e demonstra preocupação com o futuro dos pré-candidatos da legenda na Bahia
O pré-candidato a deputado estadual e ex-dirigente do Agir na Bahia, Diran Filho, afirmou que o vereador Mesaque agiu de forma “sorrateira” no processo que resultou em mudanças na condução do partido no estado. A declaração foi feita nesta quarta-feira (03), durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, apresentado pelo comunicador Vila Nova.
Ao comentar sua passagem pela presidência estadual da legenda, Diran afirmou que foi convidado pelo vice-presidente nacional do partido para assumir a missão de devolver protagonismo ao Agir na Bahia. Segundo ele, a estratégia era montar uma chapa completa para deputado estadual, com 64 pré-candidatos distribuídos por diversas regiões do estado.
De acordo com Diran, o objetivo era alcançar entre 120 mil e 125 mil votos para garantir a eleição de um deputado estadual e recolocar o partido no cenário político baiano. “Desde 2014 o partido não elege deputado estadual nem federal. Então a gente preferiu fazer uma estratégia de montar uma chapa de estadual”, afirmou.
Segundo ele, o Agir conta atualmente com dois vice-prefeitos e 32 vereadores na Bahia, sendo dois em Ilhéus.
Diran relatou que foi surpreendido no dia 13 de maio com a mudança na direção estadual do partido. “Fui surpreendido com a notícia da mudança. Até hoje não fui comunicado de nada”, declarou.
O ex-dirigente disse que sua principal preocupação é com os pré-candidatos que participaram da construção da chapa eleitoral. Segundo ele, muitos têm procurado informações sobre os rumos do partido e relatado falta de contato por parte da nova direção.
Ele afirmou ainda que o planejamento previa mecanismos de apoio aos candidatos, especialmente porque o partido não possui fundo eleitoral e conta com recursos partidários limitados. “Minha única preocupação agora é sobre todo esse contexto que seria necessário para o partido alcançar o objetivo”, disse.
Questionado por Vila Nova sobre o fato de ainda não ter procurado a nova direção estadual, Diran afirmou que tem aguardado para evitar qualquer interpretação de revanchismo. “Tenho aguardado, tenho feito a minha pré-campanha, tenho utilizado as redes sociais de forma bem forte e estou dando um tempo razoável para ver qual vai ser o posicionamento”, afirmou.
Durante a entrevista, Diran também comentou a situação do partido em Ilhéus. Segundo ele, quando assumiu a presidência estadual encontrou diretórios vencidos ou inativos em diversos municípios, incluindo Ilhéus.
Ele afirmou que havia um projeto para reativar cerca de 30 diretórios municipais, mas o trabalho foi interrompido pela mudança na direção estadual.
Diran disse ainda que o partido possui dois parlamentares eleitos em Ilhéus e relatou que ambos lhe informaram que nunca haviam recebido contato da direção partidária antes de sua chegada ao comando estadual. “Eles chegaram a confessar a mim que a primeira vez que alguém do partido fez contato com eles foi quando eu assumi”, declarou.
Outro tema abordado foi a pré-candidatura própria do Agir ao Governo da Bahia. Segundo Diran, havia um planejamento para fortalecer a legenda por meio de uma candidatura estadual, ampliando a visibilidade do partido e incentivando a formação de diretórios municipais.
Ele afirmou que a mudança na direção gera incertezas sobre a continuidade desse projeto. “Espero que a atual gestão busque manter esse planejamento, mas eu não tenho nenhuma novidade ainda em relação a isso”, disse.
Ao ser questionado por Vila Nova sobre a possibilidade de ter sido alvo de uma conspiração política dentro do partido, Diran respondeu que não classificaria a situação dessa forma, mas relatou os acontecimentos envolvendo o vereador Mesaque.
Segundo ele, foi quem convidou Mesaque para participar do projeto partidário. Diran contou que, inicialmente, indicou outra pessoa para assumir a presidência estadual porque ainda precisava resolver compromissos políticos anteriores.
Posteriormente, após solucionar essas questões, reuniu-se com Mesaque e com a pessoa que ocupava a presidência da legenda. “Eu sentei e conversei tanto com o preposto que estava na presidência quanto com o próprio Mesaque”, afirmou.
Diran relatou que, naquela conversa, Mesaque informou que não tinha interesse em seguir naquele projeto político. Pouco tempo depois, porém, a condução do partido voltou para o grupo ligado ao vereador.
Questionado diretamente por Vila Nova se se sentia traído por Mesaque, Diran respondeu: “Traído talvez não. Talvez eu tenha confiado demais.”
O pré-candidato afirmou que não recebeu mensagens do vereador nem antes nem depois da conversa realizada em sua residência e disse que prefere avaliar as pessoas pelas atitudes.
Durante a entrevista, Diran também comentou o apoio declarado por Mesaque ao pré-candidato Mário Alexandre. Segundo ele, essa posição já era de seu conhecimento e havia sido discutida anteriormente. “Isso foi discutido antes da conversa que a gente teve em relação ao partido”, afirmou.
Diran destacou que respeita posicionamentos políticos diferentes, desde que sejam tratados com diálogo. “Se você quer fazer algum tipo de movimento, converse, porque o conversado não sai caro”, disse.
Em seguida, afirmou: “Eu só não aceito que as coisas sejam feitas de forma sorrateira.”
Questionado por Vila Nova se a situação envolvendo Mesaque se enquadrava nessa definição, respondeu: “É. Sim.”
Diran justificou sua posição afirmando que o processo ocorreu sem que o que havia sido tratado anteriormente fosse respeitado. “Foi algo feito à revelia”, declarou.
Apesar das críticas, o pré-candidato disse que segue conduzindo sua pré-campanha e aguardando os próximos passos da direção estadual do Agir. “Estou tocando minha vida, estou tocando a pré-candidatura e aguardando que a nova direção do partido faça o melhor para o partido e para os pré-candidatos”, concluiu.
Confira a entrevista completa:
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