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EX-PREFEITO DE ILHÉUS, JABES, APOIADOR DE ACM NETO, ACREDITA QUE ELEIÇÃO NA BAHIA SERÁ DECIDIDA NO PRIMEIRO TURNO

EX-PREFEITO DE ILHÉUS, JABES, APOIADOR DE ACM NETO, ACREDITA QUE ELEIÇÃO NA BAHIA SERÁ DECIDIDA NO PRIMEIRO TURNO
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 23/09/2026 16h01

Secretário-geral do PP na Bahia avalia que disputa estadual está acirrada, mas aponta uma tendência de definição já na primeira etapa da eleição

A eleição para o Governo da Bahia ainda não está definida, na avaliação do ex-prefeito de Ilhéus e secretário-geral do Progressistas na Bahia, Jabes Ribeiro. Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta quarta-feira (23), ele disse que existe uma tendência favorável a ACM Neto, mas ponderou que o cenário permanece aberto e pode sofrer alterações até a votação.

Ao comentar uma análise atribuída ao cientista político Antônio Lavareda, Jabes destacou que pesquisas recentes apresentam resultados diferentes e que a disputa segue marcada por movimentos de todos os grupos políticos. “Hoje há uma tendência para Neto. Mas isso não significa nenhuma definição. Há pesquisas que demonstram que a eleição não está definida. Você vê uma série de pesquisas, mas, ao mesmo tempo, você viu pesquisa em que Jerônimo tem um ponto na frente de Neto”, afirmou.

Para Jabes, o cenário eleitoral também é influenciado pela dinâmica da disputa nacional. Segundo ele, a força de Lula na Bahia continua sendo um elemento importante, embora, em sua avaliação, não tenha o mesmo peso de eleições anteriores. “Lula é muito forte na Bahia, mas não é tão forte como era antes. E isso ajuda o Neto, é óbvio”, disse.

O ex-prefeito também citou o chamado fenômeno “Lula-Neto” e avaliou que a associação entre Lula e Jerônimo tem sido explorada pelo grupo governista.

Ele disse ainda que estratégias eleitorais acabaram deslocando o foco de temas diretamente relacionados às necessidades da população. “Lamentavelmente, a gente acaba tendo uma campanha em que as propostas são poucas. São propostas mesmo para a educação, para a saúde, que são os problemas reais da população”, declarou.

Jabes observou ainda que a pauta da campanha sofreu mudanças ao longo das últimas semanas, passando por diferentes temas e assuntos de repercussão nacional. Segundo ele, essas alterações mostram como fatores externos à disputa estadual também podem interferir no comportamento do eleitorado. Ele citou temas como o Supremo Tribunal Federal, Flávio Bolsonaro, as bets e a discussão sobre a escala de trabalho 6x1.

Na avaliação do ex-prefeito, essas mudanças tornam o processo eleitoral bastante sensível a qualquer alteração de estratégia. 

Ao analisar especificamente o desempenho de ACM Neto em diferentes municípios, Jabes destacou que uma das estratégias seria ampliar gradualmente a votação em cidades onde o candidato perdeu na eleição anterior. “Eu acho que o Neto não cometeu os erros que cometeu em 2022. Ele fez uma chapa forte, pegou um vice-governador que tem base no interior, o Zé Cocá, inclusive do nosso partido. Ele trouxe o coronel, não deixou o Roma ser candidato”, avaliou.

Para Jabes, a composição da chapa evitou uma divisão no primeiro turno. Ele, porém, ressaltou que o grupo adversário também trabalha para modificar o cenário. 

Em Ilhéus, Jabes disse acreditar que ACM Neto poderá ampliar a vantagem obtida na eleição anterior. Ele atribuiu essa expectativa à união de forças políticas que, segundo ele, anteriormente estavam divididas. “Ilhéus, ao meu ver, ele vai ganhar, até porque as forças políticas que antes se dividiam, hoje apoiam o Neto”, declarou.

Jabes lembrou ainda os resultados eleitorais anteriores e afirmou perceber, nas ruas e em pesquisas que acompanha, possibilidade de crescimento dessa diferença em Ilhéus. “Eu acho que há uma possibilidade indiscutível de você ampliar essa diferença aqui em Ilhéus. Eu sinto isso. Para quanto? Para 15, para 12, para 20, não sei. Mas uma ampliação disso aí”, afirmou.

Na sequência, o ex-prefeito comparou a situação de Ilhéus com a de Itabuna. Segundo ele, embora ACM Neto tenha vencido o segundo turno na cidade em 2022 por mais de 20 mil votos, pesquisas que ele afirma ter acompanhado atualmente apontariam um cenário mais equilibrado. “Eu estive analisando, vendo umas pesquisas em Itabuna, que está pau a pau lá. Empate técnico”, afirmou.

Jabes ponderou, entretanto, que qualquer análise feita neste momento é provisória e pode mudar até a eleição. “Não se pode fazer análise, muda muito”, declarou.

Ao falar sobre o cenário estadual como um todo, Jabes apontou uma diferença que considera importante entre a Bahia e a disputa presidencial: a possibilidade de a eleição para governador ser definida já no primeiro turno. “Na Bahia, na minha visão, você tem a eleição de primeiro turno”, afirmou.

Segundo ele, a ausência de um número maior de candidaturas competitivas na disputa estadual favoreceria uma definição já na primeira etapa, enquanto a eleição presidencial tende a apresentar maior pulverização de votos. “Você não tem um terceiro, nem um quarto candidato, um quinto candidato para levar a eleição para... Porque você tem lá no Brasil vários outros candidatos. Em qualquer forma, são três, dois, quatro, cinco. Daí uma faixa de 12%, 13%, 15%. É muito difícil você trabalhar, catalisar esses votos no primeiro turno”, explicou.

Jabes reconheceu, contudo, que a definição no primeiro turno não é uma certeza. “Eu acho que essa tendência é batalha no primeiro turno e nacionalmente no segundo turno. Pode não se configurar, o cara pode não conseguir o 50% mais um, e aquela coisa toda. Mas acho que essa tendência é batalha no primeiro turno”, afirmou.

Questionado por Vila Nova se uma eventual definição da eleição baiana no primeiro turno poderia dificultar a situação de Lula no cenário nacional, Jabes afirmou que considera as duas disputas distintas, embora reconheça que exista influência entre elas. “Eu vejo o seguinte: são duas eleições diferentes. A eleição no primeiro turno, claro que sempre você tem o que eu chamo de patrimônio que você leva no segundo turno”, explicou.

Segundo ele, uma vitória de ACM Neto já no primeiro turno poderia produzir um efeito sobre a disputa presidencial na Bahia. “Se o sujeito ganha, já mata a eleição no primeiro turno. Na Bahia, por exemplo, o Neto mata. É natural que isso favoreça Bolsonaro. É natural. Isso faz parte da perspectiva do eleitor dizer o que quer”, afirmou.

Jabes encerrou a análise ponderando que ainda é necessário aguardar os próximos movimentos para compreender com maior segurança como essa relação entre as duas eleições irá se desenvolver. “Mas são coisas, Vila, que é preciso esperar para você poder ter mais certeza em relação a essas questões”, concluiu.

Confira a entrevista completa; 

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