FÓRUM CIDADE E CULTURA REÚNE ESPECIALISTAS PARA DISCUTIR PATRIMÔNIO, PLANEJAMENTO E FUTURO DE ILHÉUS
Evento acontece de 26 a 29 de agosto, na Catedral de São Sebastião, e reúne pesquisadores, estudantes, gestores e sociedade para discutir patrimônio, planejamento e direito à cidade
Começa na noite desta quarta-feira (26), em Ilhéus, o primeiro Fórum Cidade e Cultura, que segue até sábado (29), no salão da Catedral de São Sebastião. O evento propõe discutir como a memória, a história, a cultura e o meio ambiente podem contribuir para cidades mais sustentáveis, democráticas e conectadas à própria identidade.

Em entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, a secretária municipal de Cultura, Anarleide Menezes, destacou que a proposta é aproximar pessoas que atuam em diferentes áreas e que, muitas vezes, desenvolvem trabalhos de forma isolada. “Nós estamos plantando aí para as discussões sobre o patrimônio, a cultura, o direito à cidade, que todo munícipe tem que ter. A ideia, então, é unir quem pensa a cultura, quem fala de cultura e quem faz cultura”, afirmou.

O fórum reúne pesquisadores, estudantes, gestores e representantes da sociedade para discutir o patrimônio, o planejamento e o direito à cidade. Em Ilhéus, a discussão também ganha relevância diante da revisão do Plano Diretor, dentro de uma proposta de pensar o futuro do município a partir da valorização de sua história, cultura e meio ambiente.

Segundo Anarleide, o fórum também pretende ampliar o olhar sobre o patrimônio de Ilhéus. Além das edificações históricas, a programação vai abordar o patrimônio imaterial e a necessidade de preservar manifestações tradicionais transmitidas entre gerações. “Nós estamos na gestão, numa força-tarefa de projetos e captação de recursos para recuperar as edificações, mas também não podemos esquecer que temos que incentivar as manifestações tradicionais para que elas não morram”, disse.

A secretária ressaltou ainda que o planejamento deve estar presente nas ações relacionadas ao patrimônio. Para ela, debates, planos e iniciativas precisam ser construídos a partir de discussões, conversas e interação entre os diferentes setores.
FACULDADE DE ILHÉUS PARTICIPA DAS DISCUSSÕES
A professora Vanessa Neri, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Ilhéus, também participou da entrevista e explicou o papel da instituição no fórum. Ela destacou que os estudos e trabalhos desenvolvidos pelos alunos têm como foco pensar a cidade e propostas para sua preservação. “Eu sou suspeita porque eu não sou nascida em Ilhéus, mas eu digo que adotei Ilhéus. É como minha cidade”, afirmou Vanessa.

De acordo com a professora, o objetivo do fórum está diretamente relacionado à reflexão sobre o planejamento urbano e à preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental de Ilhéus. “A gente refletir sobre esse papel do planejamento urbano para a preservação do patrimônio histórico, do patrimônio cultural, do patrimônio ambiental da cidade de Ilhéus, que é riquíssimo”, explicou.

Vanessa contou que trabalhos produzidos durante diferentes semestres serão apresentados no fórum, incluindo propostas de revitalização do centro histórico e trabalhos de final de graduação. Segundo ela, a exposição permitirá que a população conheça parte da produção acadêmica voltada para Ilhéus.
As atividades também terão exposições de banners e oficinas. As tendas serão instaladas em um trecho entre o Teatro Municipal e a Catedral, permitindo o acesso da população aos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes.
PATRIMÔNIO COMO INSTRUMENTO PARA O TURISMO E O DESENVOLVIMENTO
Durante a entrevista, Vanessa destacou que a preservação do patrimônio histórico também pode contribuir para fortalecer o turismo cultural e histórico de Ilhéus.

Ela citou uma disciplina do curso de Arquitetura e Urbanismo voltada especificamente para pensar Ilhéus como uma cidade histórica e turística, com estudos sobre intervenções capazes de preservar o patrimônio e, ao mesmo tempo, atrair visitantes. “Turismo de sol e praia muitas regiões oferecem, mas o turismo cultural, o turismo histórico, Ilhéus tem todo esse potencial e a gente precisa preservar esse patrimônio e explorar isso”, declarou.
A discussão do fórum também relaciona a valorização do patrimônio ao desenvolvimento local. A proposta é pensar como os elementos históricos, culturais e ambientais podem contribuir para uma cidade mais sustentável e conectada à sua identidade.
PATRIMÔNIO EM USO E O EXEMPLO DA CASA DE JORGE AMADO
Durante a entrevista, Anarleide citou a reabertura da Casa de Jorge Amado como um exemplo do impacto que a recuperação e utilização de um imóvel podem provocar no entorno.
Para a secretária, a reabertura da Casa de Jorge Amado provocou mudanças no trecho do centro histórico onde está localizada, com reflexos também na atividade econômica. “Aquele pedaço do centro histórico mudou, mudou a face, mudou o comportamento das pessoas, aumentou a economia”, declarou.
Ela acrescentou que o espaço passou a receber moradores, escolas, universidades e visitantes, e defendeu que a experiência sirva como referência para pensar a recuperação de outros imóveis. “Imagina todas as edificações em pleno funcionamento, como Ilhéus vai pulsar, essa Ilhéus que queremos”, disse.
DISCUSSÃO SOBRE OS 500 ANOS
A preparação de Ilhéus para os 500 anos também estará entre os temas do fórum. Vanessa destacou a importância dos trabalhos desenvolvidos pelo curso de Arquitetura e Urbanismo nesse processo, enquanto Anarleide afirmou que o primeiro fórum pretende se tornar uma iniciativa permanente. “E o nosso objetivo é que esse primeiro fórum aconteça para ser calendarizado e cada vez mais ampliar”, afirmou a secretária.
A proposta, segundo ela, é que a próxima edição seja ainda mais ampla e conte com novos parceiros. A discussão sobre os 500 anos também aparece como uma oportunidade para estudar, planejar, mostrar e resgatar elementos relacionados à história de Ilhéus.
RIO DO ENGENHO ENTRA NA PROGRAMAÇÃO
A programação também terá uma atividade no sábado (29), no Rio do Engenho, com participação por adesão. A proposta é realizar uma aula no local e conhecer aspectos relacionados ao sítio arqueológico.
Segundo Anarleide, o professor Walter Morales, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), responsável pelo Departamento de Arqueologia, vai conduzir a atividade e indicar locais onde possíveis escavações possam ser realizadas, além da visita à igreja.
Questionada sobre a preservação do Rio do Engenho diante do crescimento da localidade e da expansão imobiliária, Anarleide afirmou que os estudos exigem uma base estruturada. “É um tipo de trabalho que não é... cava aqui, cava ali, não é assim. Tem toda uma base estrutural, todo um estudo pré-agendado”, explicou.
A secretária também mencionou uma visita recente à Fazenda Almada, onde conheceu a ruína de uma antiga hidrelétrica, e destacou a existência de outros locais que ainda precisam ser estudados e conhecidos pela população.
TOMBAMENTO E EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Vanessa explicou que o reconhecimento formal de patrimônios também passa pelo processo de tombamento. Segundo ela, existem órgãos responsáveis por validar patrimônios históricos, arqueológicos e ambientais, estabelecendo a proteção das características desses bens.
Para a professora, esse reconhecimento é importante para que a população compreenda o valor histórico de Ilhéus e participe da preservação. “A educação patrimonial é importante para que a sociedade se reconheça dentro de uma cidade histórica”, afirmou.
Vanessa também ressaltou que o fórum pretende aproximar a população da produção acadêmica e das discussões sobre a cidade. Para ela, é importante que os moradores compreendam que vivem em uma cidade histórica e conheçam as possibilidades de preservação e valorização desse patrimônio.
MEMÓRIA, COMUNIDADE E RECUPERAÇÃO DO PATRIMÔNIO
Anarleide também relatou uma experiência de parceria com a Faculdade de Ilhéus durante o processo de elaboração de um trabalho relacionado ao Memorial Mãe Zóton Bencineto, no Alto do Amparo, a partir de entrevistas com moradores e pessoas ligadas à história do espaço.
Segundo ela, o processo começou com entrevistas com pessoas mais velhas que tinham convivido com o local e avançou para apresentações e discussões com a comunidade. As decisões sobre elementos do projeto foram construídas a partir da participação dos moradores.
Para Anarleide, o exemplo demonstra que parcerias entre academia, poder público e comunidade podem contribuir para transformar estudos em ações concretas de preservação.
Vanessa afirmou que experiências como essa mostram a relação entre cultura, preservação da memória e acesso a recursos. “É muito importante quando a gente traz esse tema aqui para discutir com vocês. Está tudo atrelado, a cultura e a preservação da memória, das histórias”, disse.
FÓRUM PRETENDE GERAR DOCUMENTOS E AÇÕES COORDENADAS
Anarleide afirmou que uma das expectativas para o fórum é que as discussões resultem em documentos capazes de orientar ações futuras relacionadas ao patrimônio e à cultura. “Nossa intenção com esse fórum também é que nós saíamos de lá com documentos, com cartas de princípios, com cartas norteadoras de ações, ações coordenadas entre vários setores”, afirmou.
A secretária explicou que a intenção é ampliar as discussões para além do centro histórico, alcançando também áreas rurais e outros pontos do município.
CONVIDADOS E PROGRAMAÇÃO
O primeiro Fórum Cidade e Cultura começa nesta quarta-feira (26), com uma conferência de abertura e uma mesa institucional, e segue até sábado (29).
Entre os convidados citados por Anarleide estão José Nasal, Maria de Socorro Mendonça, Ernesto de Carvalho, Marcelo Henrique Dias, Walter Morales, Melissa Bastos Góes, Ana Suely Zerbini, Marilene Lapa e Ramayana Vargens.
O professor Ernesto de Carvalho é vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia e professor da Faculdade Unijorge. Ele será o palestrante convidado da abertura e vai abordar questões relacionadas ao patrimônio material e imaterial.
Anarleide também informou que o evento conta com apoio da Diocese e da Paróquia da Catedral. Como o Teatro Municipal está fechado, as atividades serão realizadas no salão paroquial da Catedral de São Sebastião.
O padre Edson também foi convidado para participar da programação e falar sobre a proposta de criação de um circuito de patrimônio religioso envolvendo o Santuário da Vitória, a Igreja de São Jorge e a Catedral de São Sebastião.
Durante o dia e à tarde, a programação contará ainda com exposições dos trabalhos do curso de Arquitetura e Urbanismo, além de oficinas. As tendas serão montadas no trecho entre o Teatro Municipal e a Catedral.
A programação e os convidados podem ser acompanhados pela página do Fórum Cultura no Instagram, conforme orientação dada durante a entrevista.
Com a proposta de reunir diferentes setores em torno da memória, da cultura, do patrimônio, do meio ambiente, do planejamento e do direito à cidade, o Fórum Cidade e Cultura abre uma discussão sobre como preservar a história de Ilhéus e, ao mesmo tempo, pensar os caminhos para o futuro do município.
Confira a entrevista completa:
Deixe seu comentário para FÓRUM CIDADE E CULTURA REÚNE ESPECIALISTAS PARA DISCUTIR PATRIMÔNIO, PLANEJAMENTO E FUTURO DE ILHÉUS