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FAEB DIVULGA NOTA PÚBLICA APÓS REPERCUSSÃO DE REPORTAGEM SOBRE AMEAÇA DE PROTESTO NO PORTO DE ILHÉUS

FAEB DIVULGA NOTA PÚBLICA APÓS REPERCUSSÃO DE REPORTAGEM SOBRE AMEAÇA DE PROTESTO NO PORTO DE ILHÉUS
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 23/01/2026 16h17

Manifestação de produtores contra importação de cacau africano e queda de preços motivou posicionamento da federação e de sindicatos da região cacaueira

Após a publicação da reportagem do site O Tabuleiro, que revelou a ameaça de produtores de cacau do sul da Bahia de fechar o Porto de Ilhéus em protesto contra a importação de 10 mil toneladas de cacau africano, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB) e sindicatos da região cacaueira divulgaram uma nota pública se posicionando sobre a crise enfrentada pelo setor.

No documento, a FAEB afirma ter tomado conhecimento das dificuldades vividas pela cadeia produtiva do cacau e reconhece a existência de denúncias relacionadas à formação de cartel na compra do produto, à possível deturpação do regime de Drawback e à insegurança provocada pela Instrução Normativa nº 125, que regula as questões fitossanitárias dos produtos importados. A federação informa que irá adotar providências para tentar minimizar as perdas relatadas pelos produtores.

Entre as medidas anunciadas está o envio de ofícios a deputados federais, senadores e à Frente Parlamentar da Agropecuária, com o objetivo de solicitar apoio à tramitação e aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 336, que propõe a revogação da IN-125. Segundo a nota, a norma permitiria importações de cacau sem o rigor considerado necessário na defesa fitossanitária.

A FAEB também informou que irá requisitar ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) a intensificação da fiscalização dos navios que importam cacau, com foco na prevenção da entrada de doenças e pragas que possam contaminar o cacau produzido localmente. Ao final das vistorias, a entidade solicita a emissão de um relatório técnico detalhado, como forma de garantir transparência e segurança para toda a cadeia produtiva.

Outro ponto abordado na nota é a solicitação de estudos ao Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para analisar a possível ocorrência de formação de cartel na aquisição do cacau baiano. A federação cita o deságio imposto aos produtores locais, atualmente estimado em cerca de um terço do preço efetivamente pago, e afirma que, com base nos estudos, poderão ser adotadas providências junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Ainda segundo a FAEB, será solicitado à CNA um estudo específico sobre o uso do regime de Drawback no setor do cacau, incluindo aspectos como prazo, volume e métodos de fiscalização. O objetivo, conforme a nota, é verificar se a importação de produto estrangeiro estaria sendo utilizada como instrumento para regular estoques e pressionar os preços no mercado interno. Com base nessas análises, a entidade pretende solicitar ao Governo Federal a revisão do Drawback.

A federação informa também que irá cobrar explicações das empresas compradoras de cacau no estado da Bahia sobre as denúncias existentes, incluindo a importação considerada exagerada de produto estrangeiro, mesmo diante de informações de que a produção nacional estaria em nível suficiente para atender à demanda industrial.

A nota destaca ainda que, atendendo a uma solicitação da FAEB e da CNA, o MAPA enviará técnicos e pesquisadores à Costa do Marfim, no período de 1º a 14 de fevereiro de 2026, para a realização de uma nova Análise de Risco de Pragas (ARP). Ao final do documento, a entidade reforça que o cacau é estratégico para a agropecuária baiana e que a missão da federação é defender os interesses dos produtores rurais do estado.

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