FALTA DE ESPECIALISTAS É UM DOS GARGALOS DA REGULAÇÃO NA BAHIA, DIZ ROBERTA SANTANA
Secretária estadual aponta regionalização da alta complexidade e formação de profissionais como desafios para ampliar o atendimento no interior
A falta de profissionais especializados no interior da Bahia é um dos desafios enfrentados pela rede de saúde e pelo sistema de regulação, segundo a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana. Durante entrevista ao programa O Tabuleiro, da Rádio Ilhéus FM, nesta sexta-feira (18), ela explicou que a dificuldade de encontrar especialistas impacta diretamente a descentralização de procedimentos de maior complexidade.
Roberta afirmou que a regulação é uma política nacional e que, na Bahia, foi implantada em 2003. Segundo ela, antes da organização do sistema, não havia a mesma visibilidade sobre onde estavam os pacientes e quais eram as necessidades de atendimento. A regulação passou a permitir que a demanda fosse identificada e que os pacientes fossem encaminhados de acordo com a assistência necessária.
De acordo com a secretária, em 2025, cerca de 286 mil pessoas foram reguladas na Bahia. Ela afirmou que quase 80% dos pacientes foram regulados em até 24 horas e que a meta é chegar a 100% nesse período.
Roberta relacionou os resultados à ampliação da estrutura hospitalar no estado. Segundo ela, a abertura de novos leitos e a implantação de hospitais contribuíram para ampliar a capacidade de atendimento e reduzir a distância entre os pacientes e os serviços de saúde.
Entre os principais desafios, a secretária destacou a disponibilidade de especialistas em diferentes regiões. Ela citou a onco-hematologia como uma área em que a oferta ainda é concentrada. Segundo Roberta, o tratamento de leucemia é realizado em Salvador, Juazeiro e Teixeira de Freitas.
A dificuldade também aparece em situações que exigem atendimento especializado de forma rápida. Roberta citou o caso de idosos com fratura de fêmur ou quadril, que precisam de cirurgia em curto prazo e, além do especialista, necessitam de suporte de UTI.
Para a secretária, a descentralização da alta complexidade é um desafio não apenas da Bahia, mas de todo o país. Segundo ela, é necessário ampliar a presença de especialistas no interior e criar condições para que esses profissionais sejam formados e permaneçam nas diferentes regiões.
Roberta defendeu a ampliação de programas de residência médica como parte desse processo. Ela explicou que o Ministério da Educação ampliou vagas de residência, mas existe uma dificuldade no caminho entre a formação de médicos generalistas e a quantidade de profissionais que seguem para especialidades.
A secretária citou ainda a dificuldade encontrada para implantar determinados serviços fora da capital. Como exemplo, mencionou a neurocirurgia em Guanambi, onde, segundo ela, foi necessário cerca de um ano para encontrar um neurocirurgião.
Em Ilhéus, Roberta citou o Hospital Regional Costa do Cacau como exemplo de uma unidade que também contribui para a formação de especialistas. Segundo ela, o hospital possui residência em anestesiologia, o que permite formar profissionais dentro da própria região.
Na avaliação da secretária, a presença de hospitais estruturados e de programas de formação é fundamental para avançar na regionalização da assistência. Ela explicou que, para formar um novo especialista, também é necessário contar com profissionais especializados que possam atuar como preceptores.
A expansão da rede e a formação de especialistas, portanto, aparecem como desafios diretamente relacionados à capacidade de descentralizar atendimentos de maior complexidade e reduzir a concentração de determinados serviços em poucas cidades.
Confira a entrevista completa:
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