ILHÉUS TEM O GNV MAIS CARO DA BAHIA: DOIS POSTOS MONOPOLIZAM MERCADO, E VILA NOVA DENÚNCIA "PRÁTICA ABUSIVA"
Segundo dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 30 de agosto a 5 de setembro de 2026, o metro cúbico do combustível foi comercializado na cidade a R$ 5,430 — o maior preço entre os principais munic
Enquanto o motorista de Salvador paga R$ 4,51 pelo metro cúbico, o ilheense desembolsa até R$ 5,68 — e um cálculo com base em quem roda 150 km por dia revela um prejuízo mensal de quase R$ 400 só na diferença de preço do combustível. O agravante: Ilhéus recebe o gás por duto, enquanto Vitória da Conquista, que chega a cobrar R$ 6,19, depende de caminhão-tanque.
O gás natural veicular (GNV) em Ilhéus atingiu um patamar que já não se sustenta. Segundo dados oficiais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 30 de agosto a 5 de setembro de 2026, o metro cúbico do combustível foi comercializado na cidade a R$ 5,430 — o maior preço entre os principais municípios baianos analisados. A situação é ainda mais grave do que os números oficiais sugerem: o posto localizado no início da rodovia que liga Ilhéus a Uruçuca vende o GNV a R$ 5,53, enquanto o estabelecimento às margens da Rodovia Jorge Amado, no trecho Ilhéus-Itabuna, pratica R$ 5,68 por metro cúbico. A comparação com outras cidades do estado expõe o abismo. Em Salvador, o GNV é vendido em seis postos a preços que variam entre R$ 4,09 e R$ 4,59, com média de R$ 4,51. Em Feira de Santana, maior cidade do interior, o preço médio é de R$ 4,49, comercializado em três estabelecimentos. Em Itabuna, cidade vizinha, a média é de R$ 5,69, com três postos e preços entre R$ 5,20 e R$ 5,69. Já em Vitória da Conquista, o GNV chega a R$ 6,19, mas há uma diferença logística crucial: o gás que abastece a cidade chega por caminhão-tanque, via liquefação e transporte rodoviário, porque a região não é atendida por duto. Em Ilhéus, ao contrário, o gasoduto da Bahiagás passa na porta de cada posto. A cidade tem a vantagem do fornecimento direto por tubulação — e, mesmo assim, cobra quase o mesmo que Vitória da Conquista, onde o custo logístico é comprovadamente maior.
O impacto sobre quem mais depende do GNV é devastador. Para um motorista de aplicativo que roda 150 quilômetros por dia, o cálculo é implacável. Considerando um consumo médio de 12 quilômetros por metro cúbico, esse profissional precisa de aproximadamente 12,5 metros cúbicos de GNV por dia. Em Ilhéus, abastecendo a R$ 5,68, o gasto diário chega a R$ 71,00. Em Salvador, com o metro cúbico a R$ 4,51, o mesmo abastecimento custaria R$ 56,40. A diferença diária é de R$ 14,60 — o que, ao longo de 26 dias trabalhados no mês, representa um prejuízo adicional de R$ 379,60 só para o bolso do motorista ilheense. Se a comparação for feita com Feira de Santana (R$ 4,49), a diferença diária sobe para R$ 14,88, e o acúmulo mensal chega a R$ 386,88. É dinheiro que deixa de circular na economia local e que transforma o GNV, que deveria ser uma alternativa econômica, em mais um peso para quem trabalha.
Diferente do que possa parecer, Ilhéus conta com dois postos que comercializam GNV, mas a existência de dois estabelecimentos não tem sido suficiente para gerar competição real. Ambos praticam preços equivalentes e muito acima da média do estado, configurando um cenário de monopólio de fato que penaliza diretamente o consumidor. A Bahiagás, companhia responsável pela distribuição do gás canalizado na Bahia, afirma que "o preço do GNV praticado para os usuários finais é de total responsabilidade de cada posto de combustível, não tendo a Companhia qualquer ingerência sobre a definição deste valor". O discurso da livre iniciativa, no entanto, esbarra em um problema concreto: dois postos que praticam preços idênticos e elevados não configuram um mercado competitivo, e a Lei nº 12.529/2011, que estrutura o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, define como infração "abusar da posição dominante" para "aumentar arbitrariamente os lucros". Além disso, a Bahiagás concluiu em 2015 o gasoduto Itabuna-Ilhéus, com 36 quilômetros, garantindo fornecimento direto por duto à cidade — infraestrutura que deveria se traduzir em custo menor, não em preço maior.
A situação ganhou voz nas ondas do rádio. O comunicador Vila Nova, da Ilhéus FM, cobrou publicamente nesta terça-feira, durante o programa Tabuleiro, uma solução das autoridades para o que classificou como prática abusiva dos dois postos que operam na cidade. Segundo o próprio comunicador, ele vem cobrando com frequência uma posição oficial sobre o assunto e considera um absurdo o que chamou de exploração do consumidor ilheense. Diante desse cenário, cresce a cobrança por respostas concretas: a Agerba e o Procon-BA precisam apurar se os preços praticados encontram justificativa técnica ou se configuram prática abusiva; a Bahiagás deve ser questionada sobre seus planos para viabilizar a entrada de novos postos; os estabelecimentos precisam detalhar publicamente como compõem o preço final; e a Prefeitura de Ilhéus e a Câmara de Vereadores devem estudar incentivos fiscais para atrair novos revendedores. O GNV em Ilhéus deixou de ser uma alternativa econômica para se tornar um peso: enquanto em Salvador o motorista paga R$ 4,51 pelo metro cúbico, o ilheense desembolsa até R$ 5,68 — mais de 25% a mais. As autoridades precisam explicar o que pretendem fazer para que Ilhéus deixe de ter o GNV mais caro da Bahia. A voz que ecoa da Ilhéus FM, no programa Tabuleiro, não é isolada: é o clamor de uma cidade que se recusa a continuar refém de preços que não se justificam.
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