JORNALISTA E MESTRE EM BIODIVERSIDADE DENUNCIA MOVIMENTAÇÃO DE TERRA E POSSÍVEIS INTERVENÇÕES IRREGULARES NO PARQUE DA BOA ESPERANÇA
Relato aponta avanço de atividades como pedreira e atuação de empresas sem licenciamento, além de abandono e falta de gestão ambiental no local
O jornalista, mestre em biodiversidade e documentarista Paulo Sérgio Paiva denunciou uma série de problemas envolvendo o Parque Municipal da Boa Esperança, em Ilhéus, após observar uma movimentação de terra na entrada da área e às margens do rio Itacanoeira.

Segundo ele, o episódio causou preocupação imediata. “Ontem eu tomei um susto ao passar pelo nosso único parque. Vi uma grande movimentação de terra bem ‘na entrada’ e às margens do Itacanoeira”, relatou. Inicialmente, Paiva chegou a imaginar que a intervenção pudesse estar relacionada à construção de um Centro de Visitantes, mas afirmou ter concluído que se tratava de ação da Neoenergia.

O jornalista também chamou atenção para o avanço de outras atividades no entorno do parque. “Antes, já tinha observado o avanço da pedreira para poucos metros da entrada do parque, e novos desmatamentos”, disse. Ele alertou que, embora não veja um conflito imediato, a situação pode se agravar. “Eu não diria que a curto prazo seja ‘ou Parque, ou Pedreira’, mas num futuro próximo, sim”, afirmou.

Na denúncia, Paiva critica a ausência de licenciamento ambiental para intervenções no local e aponta responsabilidades. “Avanço da pedreira ou Neoenergia, ou EMBASA (que se acha dona do parque, e não concessionária dele), sem processo de licenciamento é crime administrativo e ambiental”, declarou, acrescentando que o cenário evidencia “a ineficiência do nosso sistema de licenciamento ambiental e atuação do CONDEMA”.
O jornalista também destacou problemas estruturais e de gestão do parque, como a falta de revisão de limites, ausência de Plano Diretor, pendências relacionadas à desapropriação da área de acesso e inexistência de equipamentos básicos. “Educação Ambiental nas comunidades de entorno é ZERO. Hoje, ainda não reconhecem a área como um parque, não entendem o termo, e não é para menos, pois nem uma placa nós temos”, criticou.
Paiva relembrou ainda o potencial científico e ambiental da área, citando estudos realizados durante seu mestrado e a presença de uma flor rara, em risco de extinção. “Temo muito por ela, como temo pelo Parque invisível”, afirmou.
Ao final, ele cobrou mais atenção do poder público e criticou a falta de investimentos. “Quero deixar aqui o meu protesto contra o ZERO investimento dos governos, especialmente do projeto Porto Sul e FIOL que apesar de tanto investimento, até hoje não chegaram no parque, deixando tudo no papel”, concluiu, em tom de apelo: “Vamos mudar essa realidade? Cuida de mim!”.
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