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MARCENEIRO É PRESO SUSPEITO DE DOPAR VÍTIMAS PARA REALIZAR FRAUDES FINANCEIRAS EM ITABUNA

MARCENEIRO É PRESO SUSPEITO DE DOPAR VÍTIMAS PARA REALIZAR FRAUDES FINANCEIRAS EM ITABUNA
Por: Redação O Tabuleiro
Dia 17/08/2026 10h32

Polícia Civil já identificou pelo menos três possíveis vítimas; suspeito teria usado celulares e cartões bancários após deixar as pessoas desacordadas

O marceneiro Carlos Henrique Rosa dos Santos, de 23 anos, foi preso preventivamente neste sábado (15), em Itabuna, no sul da Bahia, suspeito de dopar pessoas para ter acesso aos celulares, cartões e contas bancárias das vítimas e realizar movimentações financeiras sem autorização. Segundo a Polícia Civil, pelo menos três vítimas já foram identificadas.

A prisão ocorreu no bairro Califórnia, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva e de mandados de busca e apreensão. Durante a operação, os policiais apreenderam um veículo e dois aparelhos celulares, materiais que deverão passar por análise pericial e podem contribuir para o avanço das investigações. O suspeito foi encaminhado à delegacia, passou pelos procedimentos de praxe e permanece à disposição da Justiça. Ele deverá passar por audiência de custódia.

Segundo a investigação, Carlos Henrique se aproximava das vítimas e conquistava a confiança delas antes de agir. A suspeita é de que ele utilizasse medicamentos e, em alguns casos, substâncias venenosas para fazer com que as pessoas perdessem os sentidos.

Com as vítimas incapacitadas, o suspeito teria acesso aos celulares e cartões bancários e realizado transferências, pagamentos e outras operações financeiras sem autorização.

Entre os casos investigados está o da professora universitária e ex-secretária de Administração de Itabuna, Acácia Pinho, de 68 anos, que trabalha na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Na terça-feira (11), Acácia passou mal depois de ingerir um alimento no apartamento onde Carlos Henrique prestava serviços de marcenaria. Ela precisou ser hospitalizada e chegou a ficar internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas já recebeu alta médica. Durante o período em que estava incapacitada, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 40 mil em sua conta, além de outras tentativas de transações consideradas fraudulentas.

O caso ganhou novos contornos após a família analisar o celular de Acácia. Em vídeo publicado nas redes sociais, a irmã dela, a promotora de Justiça Hortênsia Gomes, contou que estava em Salvador, participando de uma audiência, quando recebeu a notícia de que Acácia estava entre a vida e a morte.

Hortênsia relatou que viajou para Itabuna acompanhada do outro irmão, que é médico. Ao chegar ao hospital, encontrou Acácia intubada, sedada, utilizando marcapasso e com risco de comprometimento neurológico. Segundo a promotora, naquele momento ainda não havia um diagnóstico definido para o quadro.

Durante a análise do celular da irmã, a família identificou que a senha havia sido alterada dois dias antes. Também foram encontradas informações relacionadas a aplicativos bancários, empréstimos, transferências via Pix e movimentações de cartão de crédito ligadas à empresa Santos Móveis, apontada pela promotora como pertencente ao investigado.

Hortênsia afirmou que, diante dessas informações e de relatos sobre outras pessoas que teriam passado por situações semelhantes, a família passou a suspeitar que Acácia também teria sido dopada e que o episódio estaria relacionado a uma tentativa de obtenção de vantagem financeira.

A promotora afirmou ainda que, na avaliação da família, o objetivo da ação contra a irmã teria sido a prática de fraude financeira e que a gravidade do quadro provocado pela suposta dopagem caracterizaria uma tentativa de homicídio. As circunstâncias são investigadas pelas autoridades.

Além do caso de Acácia, a investigação identificou outras duas ocorrências com características semelhantes.

Em um dos casos, um homem de 42 anos relatou ter ingerido um chá preparado pelo investigado. Segundo o depoimento, ele perdeu a consciência e só acordou no dia seguinte, ainda desorientado. Depois de recuperar o acesso à conta bancária, descobriu que R$ 7.890 haviam sido retirados por meio de transferências via Pix. Parte do dinheiro teria sido enviada para uma conta vinculada ao investigado e outra parte para contas de terceiros.

Outro caso teria ocorrido em 2025. Um homem de 53 anos contou à polícia que perdeu a consciência depois de consumir bebidas na companhia de Carlos Henrique. A vítima relatou ter acordado no dia seguinte em uma unidade hospitalar e constatado que seu celular e cartões bancários haviam desaparecido.

Após recuperar o acesso aos aplicativos, o homem verificou que os cartões haviam sido utilizados em compras não autorizadas que somaram aproximadamente R$ 19,8 mil. Ainda segundo o registro policial, posteriormente o investigado teria admitido a prática em conversas com a vítima e prometido ressarcir o valor.

Com os três casos identificados, a Polícia Civil continua as diligências para verificar se outras pessoas foram vítimas de uma possível prática semelhante.

As autoridades também deverão analisar os materiais apreendidos durante a operação e reunir elementos que possam esclarecer a participação do suspeito nos casos investigados.

Hortênsia Gomes aproveitou o pronunciamento nas redes sociais para fazer um apelo a pessoas que possam ter passado por situações semelhantes. A promotora pediu que possíveis vítimas procurem as autoridades e relatem os casos para que possam ser investigados.

Carlos Henrique Rosa dos Santos permanece preso preventivamente e o caso segue sob investigação.

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