OPERAÇÃO QUATRO TORRES MIRA LIDERANÇAS DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA COM ATUAÇÃO EM ILHÉUS
Investigação apontou divisão territorial da cidade entre quatro lideranças e levou à prisão de 18 suspeitos, além do bloqueio de até R$ 300 milhões em ativos
Uma organização criminosa que, segundo a Polícia Civil, havia dividido territorialmente o município de Ilhéus entre quatro lideranças é o principal alvo da Operação Quatro Torres, deflagrada nesta terça-feira (22). A investigação identificou que cada uma das chamadas “torres” exercia controle sobre uma determinada área da cidade, com envolvimento na distribuição de drogas e na determinação de ações violentas.
De acordo com os investigadores, as quatro lideranças mantinham contato entre si para tomar decisões relacionadas às atividades criminosas. Entre as ações atribuídas ao grupo estão o tráfico de drogas, a aquisição de armas e a organização de homicídios.
Dois dos quatro líderes já haviam sido presos durante o andamento da investigação. Edson Caboclo foi capturado inicialmente, enquanto Pilão foi localizado e preso na Bolívia. A operação deflagrada nesta terça-feira busca alcançar os outros dois integrantes apontados como lideranças, além de pessoas que ocupavam posições abaixo delas na estrutura, como gerentes, integrantes responsáveis pelo comércio de drogas e responsáveis por pontos de venda.
Ao todo, foram expedidos 18 mandados de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão. Cerca de 30 das buscas, segundo estimativa apresentada durante a entrevista, foram realizadas em Ilhéus. A operação também alcançou outras cidades da Bahia e municípios de São Paulo, Alagoas, Sergipe e Rio de Janeiro.
Na Bahia, os mandados foram cumpridos em Ilhéus, Itabuna, Feira de Santana, Serrinha, Luís Eduardo Magalhães, Porto Seguro, Salvador, Simões Filho e Vitória da Conquista. Em outros estados, a ação chegou a Guarujá e São Paulo, Maceió, Nossa Senhora do Socorro e ao Rio de Janeiro.
Segundo a Polícia Civil, mais de 200 policiais civis participaram da operação na Bahia de forma simultânea.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA
A investigação também identificou uma movimentação financeira considerada milionária relacionada ao grupo. A Polícia Civil representou pelo bloqueio de ativos e contas bancárias que podem chegar a R$ 300 milhões, valor relacionado à movimentação atribuída aos investigados ao longo de aproximadamente quatro anos.
A medida atinge 31 pessoas físicas e 11 empresas. A estratégia da operação, além de alcançar integrantes diretamente envolvidos nas atividades criminosas, é atingir o patrimônio relacionado à organização.
As investigações também reuniram elementos sobre o possível envolvimento de dois policiais militares e de um advogado.
Segundo a Polícia Civil, as provas apontariam que o advogado, embora inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, não teria utilizado sua atividade profissional típica de advocacia para a suposta atuação investigada. Ele é apontado como responsável por fazer a ligação entre integrantes do grupo criminoso e os dois policiais militares.
Ainda conforme a investigação, os servidores teriam repassado informações sobre operações policiais, além de supostamente evitarem ou remanejarem equipes das quais faziam parte, em possível troca por valores.
A Polícia Civil informou que foi determinada a prisão dos três. O advogado seria apontado, em tese, como integrante de um núcleo jurídico da organização, atuando na intermediação de informações e pagamentos. Segundo os investigadores, o grupo mantinha uma espécie de caixa para arrecadar recursos destinados a determinadas contraprestações.
A decisão judicial que autorizou as medidas foi tomada por um colegiado de três magistrados, diante da complexidade do caso.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
Apesar das 18 prisões provisórias já cumpridas, a Polícia Civil informou que ainda há alvos a serem alcançados nos próximos dias. A corporação afirma que pretende concluir o cumprimento das medidas determinadas e aprofundar a apuração a partir do material recolhido durante a operação.
Celulares, notebooks, pendrives e documentos estão entre os materiais apreendidos e deverão ser analisados pelo núcleo de inteligência da Polícia Civil em Ilhéus. O objetivo é identificar novas informações e verificar se outras pessoas podem ser incluídas no curso da investigação.
A operação também resultou em prisões em flagrante e apreensão de armas, segundo os investigadores. A Polícia Civil afirma que o trabalho de análise do material deverá contribuir para o aprofundamento das apurações sobre a estrutura e as condutas atribuídas aos investigados.
Com informações do G1
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